Ainda acordámos na nossa caminha no Villa Borobudur Resort , mas mais uma vez não podíamos desfrutar daquele alojamento como ele merecia. O nosso plano era regressar a Yogyakarta, ir deixar as mochilas ao nosso novo alojamento, e sair logo de seguida para visitar Prambanan, a cerca de 20 km de Yogyakarta, os templos que são o expoente máximo da herança da predominância hindu sobre Java. O resto do dia seria dedicado a conhecer melhor Yogyakarta.
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Depois de tomado o pequeno-almoço junto à piscina, o carro que nos levaria ao terminal de autocarros de Borobudur estava pronto às 7.30h. Sabíamos que íamos ter saudades daquele ambiente e conforto, mas a viagem é mesmo assim. Tínhamos de andar para a frente, e o nosso orçamento não se coaduna com alojamento desta qualidade todos os dias. Sabíamos até que iríamos passar do oitenta para o oito; só não sabíamos que iria ser tão rapidamente…
Fizemos o percurso inverso que nos tinha levado a Borobudur, isto é, um autocarro de Borobudur para o terminal Jambor de Yogyakarta, e de lá um autocarro urbano em direcção à avenida Malioboro. Aí, ainda tivemos de andar a pé cerca de dez minutos para chegar ao nosso alojamento, uma “homestay”, ou seja, uma casa particular que aluga quartos. A dona e o filho foram muito simpáticos, fizemos o check-in e deixámos as mochilas no quarto. Este é muito simples, sem janelas, apenas com uma cama e um cobertor. Choque de realidade! Mas não se pode esperar muito mais quando se paga cerca de 11 euros…
Saímos logo de seguida e fomos apanhar o autocarro urbano 1ª que nos leva até Prambanan. A viagem dura quase uma hora e, com o pouco que temos dormido nos últimos dias, foi o suficiente para passarmos pelas brasas durante a viagem. Quando chegámos, andámos a pé cerca de 5 minutos até ao complexo. Nas redondezas de Prambanan existem outros templos, mas nós acabámos por decidir visitar apenas o complexo principal. Hora de mais uma entrada com um preço exagerado… Desta vez desembolsámos 350.000 rupias por pessoa (cerca de 22.5 €).
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Os templos de Prambanan foram construídos por volta do século IX, quando Java era governada por uma dinastia hindu a norte e uma budista a sul. Unidas pelos laços de matrimónio, estas famílias reais deram origem construções que conjugam representações de divindades hindus e budistas, como os templos de Prambanan (embora as divindades principais no interior dos templos sejam hindus). Sismos e instabilidade política levaram ao abandono de Prambanan por volta do século XVI, e os templos permaneceram em ruínas até serem redescobertos no final do século XIX. Podem ver-se algumas fotos do estado dos templos nessa altura no “Information Center” do complexo quando visitar Prambanan.
Foram feitas vários esforços de reconstrução do complexo, especialmente dos templos principais e hoje os templos de Prambanan são Património Mundial da UNESCO e a jóia da coroa do património arqueológico hindu da Indonésia. Em 2006, o complexo sofreu danos devido a um sismo, se bem que os templos principais se mantiveram incólumes, e ao visitar Prambanan hoje ainda se podem ver alguns sinais dessa última destruição.
Para se visitar Prambanan e não se perder com a complexidade do conjunto, convém ter uma noção da sua estrutura e organização.
O complexo é formado por um pátio central elevado, rodeado por 224 templos mais pequenos. Estes últimos estavam completamente destruídos quando Prambanan foi redescoberto, e apenas quatro foram reconstruídos, uma vez que muita da pedra foi roubada do local. Sendo assim, a parte exterior do complexo é composta por uma visão surreal de pedras amontoadas em mais de duas centenas de montes.
No pátio central, encontram-se três grandes templos, os chamados templos Trimurti (a Trindade hindu), com outros três templos (mais pequenos) em frente, os chamados templos Vahana, e outros dois muito pequenos junto das entradas norte e sul do pátio.
Os templos Trimurti são dedicados aos três deuses principais do hinduísmo, a saber, Brahma, Vishnu e Shiva, que simbolizam respectivamente a criação, a conservação e a destruição. Os templos Vahana estão localizados directamente em frente dos Trimurti, e são dedicados à Vahana, ou seja, ao veículo corpóreo de cada uma das divindades principais. Todos os templos são ricamente trabalhados, quer junto ao chão, quer no patamar que rodeia a base da torre, com representações hindus, na sua maioria, mas também budistas.
O templo de Shiva é o maior e principal do complexo, com 47 m de altura. O templo tem quatro câmaras a que se acede por escadarias, e cada uma com uma estátua de uma divindade. A câmara principal, no meio do templo, tem uma estátua de Shiva, o Destruidor (sobre uma flor de lótus, símbolo budista); a norte, uma estátua de Durga, a deusa-guerreira, representada a matar um demónio-búfalo; a oeste, uma estátua de Ganesha, o deus-elefante, filho de Shiva; e a sul, uma estátua de Agastya, o deus-sábio, encarnação de Shiva. À frente do templo de Shiva, encontra-se o templo dedicado ao seu veículo, o touro Nandi. No entanto, neste templo, não existe qualquer estátua.
O templo de Vishnu encontra-se a norte do templo de Shiva (ou à direita, para quem olha de frente para o conjunto), com 33 m de altura. O templo tem uma câmara a que se acede por uma escadaria, com uma estátua de Vishnu, o Conservador (com quatro braços). À frente do templo de Vishnu, encontra-se o templo dedicado ao seu veículo, o deus-pássaro Garuda. No entanto, neste templo, não existe qualquer estátua.
O templo de Brahma encontra-se a sul do templo de Shiva (ou à esquerda, para quem olha de frente para o conjunto), com 20 m de altura. O templo tem uma câmara a que se acede por uma escadaria, com uma estátua de Brahma, o Criador (com quatro cabeças). À frente do templo de Brahma, encontra-se o templo dedicado ao seu veículo, o deus-cisne Hamsa. No entanto, neste templo, não existe qualquer estátua.
Estávamos já no início da trde e, depois de visitar Prambanan, era hora de regressar a Yogykarta, pois queríamos assistir a um espectáculo de wayang kulit, o teatro de sombras de marionetas. Fomos à procura de locais onde pudéssemos assistir e optámos pelo Museu Suno Budoyo, que tem espectáculos todos os dias às oito da noite.
O repertório é sempre diferente pois todas as noites vão sendo contadas histórias do Ramayana, o épico indiano (escrito em sânscrito) que conta a história da viagem de Rama, um príncipe em busca da sua esposa raptada, ajudado pelo rei-macaco, Hanuman.
Pode fazer uma visita guiada à cidade de Yogyakarta. Marque aqui antecipadamente.
Apesar de não ser fácil acompanhar a acção (pois é falado em indonésio), é entregue um pequeno panfleto que conta a história do episódio do Ramayana recriado nessa noite.
É um belo espectáculo e muito curioso, pois na sala pode assistir-se ao espectáculo de dois lados (ou ambos, alternadamente!): de um lado, vêem-se apenas as sombras das marionetas projectadas numa tela, e do outro, em que se pode admirar o conjunto dos artistas, constituído pelo manejador das marionetas (e narrador), as senhoras que cantam, e os músicos, que tocam tambores e instrumentos parecidos com xilofones.
No final do espectáculo, regressámos à nossa casinha por aquele dia, e fomo-nos deitar. No dia seguinte, tínhamos comboio às 6h45, logo tínhamos de nos levantar cedo novamente. Mas, antes da caminha, hora de lavar os dentes e fazer xixi, certo? A casa de banho era partilhada, sendo a casa de banho usada pelas pessoas da casa. Tudo normal até aqui. Excepto que quando se puxou o autoclismo, jorrou água pelo furo da canalização e molhou o chão todo da casa de banho. E na bacia, a torneira não deitava água… Conclusão: um bocadinho de pasta dos dentes na boca e está feito! Ai que saudades do nosso quartinho de há menos de 24 h…
Este artigo foi realizado durante a nossa viagem de Volta ao Mundo em 2019/2020. Dia 27 – Visitar PRAMBANAN, os maiores templos hindus da Indonésia (Agosto 2019)
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