Biak é um arquipélago esquecido da Papua Ocidental, Indonésia, principalmente se comparado com a fama do seu vizinho, Raja Ampat. Mas se visitar Biak, encontrará um arquipélago com uma história interessante, preços mais acessíveis (e sem a necessidade de pagar uma taxa de entrada como em Raja Ampat), uma população simpática e receptiva, e praias e recifes de uma beleza estonteante.
As ilhas Biak (também conhecidas como Ilhas Schouten ou Geelvink) formam um pequeno arquipélago localizado na baía de Cenderawasih, encaixada entre a Península da Cabeça de Pássaro (Papua Ocidental) e a província da Papua, ambas pertencentes à metade indonésia da ilha da Nova Guiné (a outra metade constitui o país independente da Papua Nova Guiné). A ilha principal é Biak, sendo capital a cidade de Kota Biak, e as pequenas ilhas Padaido estão localizadas a sudeste de Biak.
Antes dos árabes ou dos chineses, dos impérios hindus ou potências europeias, um povo de Biak navegava os mares da Insulíndia, desde Java e Sumatra até às terras do sol nascente. Um povo de navegadores intrépidos, que vinham de ilhas longínquas no leste, em busca de recursos e à procura do desconhecido, e chegaram até terras distantes hoje conhecidas como Sulawesi, Molucas ou Papua. Um povo cujo sustento vinha do mar, e do que dele retirava, e da floresta equatorial, alimentada pelas águas das chuvas. Este era o povo de Biak.
Foi em busca deste povo de Biak, e do que resta das suas tradições, que resolvemos explorar o arquipélago de Biak, tendo como objectivo desenvolver o trabalho sobre o tema “Água” do nosso projecto “4 Elementos”, desenvolvido com o apoio de uma Bolsa de Exploração, da qual fomos vendedores no passado mês de Novembro, promovida pelo motor de pesquisa de viagens momondo e pela agência de viagens de aventura Nomad.
O povo de Biak não tinha rei nem imperador. Os seus líderes eram homens mais velhos, responsáveis pelos seus clãs. Respeitavam o espírito dos seus antepassados e viviam de acordo com tradições cuja origem se perdia nos tempos ali em Biak. Os seus heróis eram guerreiros que desbravavam o oceano em canoas escavadas de troncos, descobriam lugares distantes, e faziam raides sobre embarcações estrangeiras que se aventuravam naqueles mares de Biak. Por isso, Biak, apesar de ser terra distante, era o lar de guerreiros e piratas que inspiravam o medo e respeito dos seus vizinhos.
No século XV, o sultanato de Tidore, nas ilhas das especiarias, estabeleceu laços políticos e matrimoniais com Biak, estendendo a sua influência para leste, e mais tarde desembarcavam naquelas costas os primeiros povos europeus. Portugueses e espanhóis designaram a região por Papua e Nova Guiné, pela semelhança dos seus habitantes com os da costa ocidental africana, mas as cobiçadas especiarias estavam mais a ocidente, longe dessas terras agrestes e inóspitas de Biak, por isso nem uns nem outros se estabeleceram.
Mas os holandeses foram mais persistentes na sua expansão territorial pela Insulíndia, e foi na baía de Cenderawasih onde desembarcaram os primeiros missionários alemães a pisar a Papua, e onde o esforço de evangelização teve maiores consequências, com o desaparecimento de muitas tradições tribais no arquipélago de Biak.
Na Segunda Guerra mundial, Biak foi palco de (mais) uma sangrenta batalha entre japoneses e americanos, que resultou na morte de cerca 10.000 japoneses e 500 americanos. Alguns anos após a independência da Indonésia, Biak passou a ser território indonésio juntamente com a Papua, mas não tem passado incólume às pretensões independentistas desta região, sofrendo por vezes da repressão violenta por parte das autoridades indonésias.
Hoje, apesar de o turismo ter ainda uma expressão muito pequena, Biak (e, em particular, as ilhas Padaido) parece querer assumir o papel de destino de eleição para snorkel e mergulho, seguindo os passos que Raja Ampat trilhou nas últimas duas décadas.
Para chegar a Biak pode voar ou chegar de barco. Há ligações aéreas a Biak a partir de Jayapura e Nabire, na Papua, e de Makassar, em Sulawesi, para onde pode voar a partir de Jacarta ou Bali ou até de outras cidades indonésias. O aeroporto de Biak fica poucos quilómetros a leste do centro de Kota Biak.
O barco da companhia Pelni faz a ligação entre Jayapura – Biak – Sorong. Entre Jayapua e Biak, a viagem demora cerca de 16 horas. O barco chega ao porto no centro de Kota Biak.
Para mais informações sobre horários e compra de bilhetes do Pelni, consulte este site.
Para mais informações acerca de viajar no Pelni na Indonésia, consulte o nosso artigo “Viajar nas Molucas”.
Kota Biak é o melhor sítio para ficar alojado e poder explorar a partir daí a ilha principal de Biak. Nós ficámos alojados no Padaido Hotel, perto do mercado de peixe de Biak, com os quartos virados para um pequeno e característico porto. Ali, poderá também estabelecer contactos para visitar as ilhas Padaido, ao largo de Biak.
Visitar Biak, tendo em conta que é um arquipélago, será sempre algo para ocupar alguns dias, principalmente se visitar outras ilhas além de Pulau Biak. Nós explorámos a ilha principal de Biak e as ilhas Padaido e aconselhamos uma semana, no total, em Biak. Ficam aqui as nossas sugestões de lugares e experiências a não perder quando visitar Biak.
Kota Biak é a capital do arquipélago de Biak e localiza-se na costa sul da ilha principal, Pulau Biak. A cidade de Biak tem alguns pontos de interesse, dos quais se destacam o mercado de peixe (Pasar Ikan). No centro da cidade de Biak encontrará o porto (onde atraca o ferry Pelni), bancos (com ATMs), mini-mercados, e alguns hotéis.
A poucos quilómetros do centro de Kota Biak, Goa Jepang (ou a gruta dos japoneses) é um daqueles sítios onde as paredes parecem querer contar-nos a sua história, e onde o silêncio é perturbador. Biak foi palco de uma sangrenta batalha na Guerra do Pacífico, sendo que os japoneses resistiram até à morte escondidos numa série de grutas e túneis, comuns no subsolo calcário da ilha de Biak. Esta enorme gruta em Biak foi o último reduto nipónico, que acabou por ceder face aos intensos bombardeamentos americanos.
A floresta de Biak reclamou muito do terreno à volta da gruta, mas há um caminho que pode seguir da entrada (preço: 50.000 por pessoa), onde há uma pequena exposição de armas e objectos da época, até chegar aos degraus que descem para a gruta. No seu interior, com um tecto colapsado, podem admirar-se as raízes das árvores que se estendem até ao fundo da gruta e alguns bidões cravejados de buracos de balas.
Nota: o interior da gruta de Biak é extremamente húmido e o chão muito escorregadio. Caminhe devagar e com cuidado para não cair.
Para poder explorar a ilha de Biak terá de alugar carro ou mota, pois a rede de transportes públicos é muito limitada. Esta opção permite-lhe ter a autonomia e facilidade de locomoção que a dimensão da ilha de Biak exige. As estradas em Biak têm, em geral, um bom piso, e o trânsito, fora de Kota Biak, é pouco intenso. Assim, poderá apreciar a condução em si pela ilha de Biak.
NOTA: Quando viajar de moto na Indonésia, não se esqueça de se fazer acompanhar da sua carta de condução (e se tiver a carta de condução internacional, melhor) e da sua apólice de seguro de viagens.
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No centro de Kota Biak, e alguns quilómetros fora, é possível encontrar antigos hangares da Segunda Guerra Mundial, agora convertidos em habitações para a população local da ilha de Biak. Em alguns deles, como na zona da gruta dos japoneses, a decoração dos jardins envolve a exibição de invólucros de bombas enferrujadas!
A poucos quilómetros a leste de Kota Biak, encontra-se este monumento, edificado com o apoio do governo do Japão, e que presta homenagem às vítimas do grande conflito do século XX. É um local onde se pode descansar e reflectir em Biak.
Bosnik é uma pequena localidade a cerca de 20 km a leste de Kota Biak. Aí poderá encontrar um mercado movimentado (Terças, Quintas e Sábados), e é o local privilegiado para apanhar um barco em direcção às ilhas Padaido.
A praia de Bosnik é uma das atracções de Biak, mas está quase sempre vazia, excepto aos fins-de-semana, quando os locais enchem os pequenos pavilhões de madeira junto à água. O mar tem uma cor azul-turquesa, e a praia é bonita, embora tenha algum lixo na areia, especialmente se a maré estiver a encher.
De Bosnik (ou de Kota Biak) pode alugar um barco (ou partilhar um com a população local) para chegar às ilhas Padaido, a sudoeste de Biak. Estas ilhas ao largo de Biak, rodeadas de recifes e de uma água de cor inacreditável, são um dos locais a não perder quando visitar Biak. Falaremos delas num artigo posterior.
Mais a leste de Bosnik, quase a chegar à ponta da ilha de Biak, encontrará a que é, provavelmente a praia mais bonita da ilha de Biak, com palmeiras, areia branca e água transparente.
No interior da ilha de Biak, esta pequena lagoa tem uma das águas mais azuis que nós já tivemos o privilégio de ver. O fundo está repleto de troncos de árvores caídas, o que intensifica o efeito de espelho da água e a sensação de paraíso perdido em Biak.
A lagoa Telaga Biru em Biak está rodeada de floresta equatorial e chegar lá requer viajar pelas estradas do interior da ilha, algumas em mau estado. Mas vale a pena. Deverá utilizar o Google Maps em Biak para chegar lá, uma vez que é provável que não encontre ninguém pelo caminho para perguntar.
Alguns quilómetros a oeste de Kota Biak, Raja Tiga (também conhecida como Pantai Adoki) é uma praia cuja paisagem lembra Raja Ampat, com pequenos ilhéus de calcário rodeados de recife e água azul-turquesa em Biak.
Ali partilhará o espaço com a população local de Biak e alguns visitantes indonésios. Junto ao mar, e ao fundo das escadas que descem a falésia, encontram-se algumas piscinas naturais de água doce (que escorre das montanhas do interior da ilha) e onde alguns locais tomam banho em Biak.
Este artigo foi realizado durante a nossa viagem de Volta ao Mundo em 2019/2020. Dias 126 a 129 – Visitar BIAK, o arquipélago dos piratas da Papua | Indonésia (Novembro 2019)
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Lusa Pinto says:
Viajar convosco é já um vício maravilhoso. Obrigada e felicidades.
Carla Mota says:
Lusa, não vais ficar viciada e um dia vens connosco. 😉