Visitar as ilhas Togean foi um ponto alto da nossa viagem ao arquipélago de Sulawesi. Esta região pouco visitada tem muitos segredos por revelar e, na nossa viagem pela Indonésia, queríamos explorar este cantinho deste imenso país. Atravessámos Sulawesi de sul para norte e, depois de vivermos de perto a cultura única da região de Tana Toraja, viajámos mais para norte para visitarmos as ilhas Togean.
A roçar a linha do Equador, esperava-nos um arquipélago que é diamante quase em bruto, uma região salpicada de ilhas de floresta densa e húmida, praias paradisíacas, e corais intocados, habitada pelos “ciganos do mar”, um povo que ainda vive quase como há 500 anos, quando os portugueses foram os primeiros ocidentais a passar por aqui.
Apesar de Togean ser um pequeno arquipélago (no contexto da Indonésia), é composto por dezenas de ilhas, fazendo com que haja muitos lugares para conhecer e experiências a não perder. As principais cidades são Wakai (a capital) e Bomba, ambas na ilha Pulau Batu Daka, a maior do arquipélago, mas nós resolvemos montar base em duas pequenas ilhas, Malenge e Kadidiri. A partir dali, podíamos explorar essas ilhas a pé, e poderíamos fazer tours de barco para conhecer outras ilhas. Acabou por ser uma escolha acertada, pois estas ilhas têm uma posição central no arquipélago das Togean.
No total, passámos cinco noites nas ilhas Togean, mas consideramos que sete noites seria o número ideal, permitindo descansar mais um pouco, ou explorar melhor a parte sul do arquipélago. No entanto, deve-se acrescentar a estes dias o tempo necessário para chegar e sair das ilhas Togean (no mínimo, cinco dias).
As ilhas Togean estão localizadas num braço do mar das Molucas, entre as províncias norte e central de Sulawesi. Chegar ali não é tarefa fácil, e isso será um dos factores que explicam o facto de que terá de dividir as ilhas Togean com muito poucos visitantes. No entanto, depois de lá chegar, verá que vale definitivamente a pena o esforço.
Para chegar às ilhas Togean, a opção mais directa é voar para a principal cidade da província norte de Sulawesi, Manado, e daí seguir por terra até à cidade de Gorontalo, de onde pode apanhar um ferry que faz a ligação com Wakai. A ligação por terra entre Manado e Gorontalo demora cerca de 8h, durante todo o dia. Outra opção, mais rápida mas mais cara, é voar para Gorontalo.
O ferry que faz a ligação entre Gorontalo e Wakai parte às Terças, Sextas e Domingos, às 17.00h e chega às 5.00h (segue para Ampana às 7.00h, chegando às 13.00h). No sentido inverso, parte de Wakai (vindo de Ampana, de onde sai às 9.00h) nos dias seguintes (Segundas, Quintas e Sábados) à mesma hora (17.00h) e chega a Gorontalo no dia seguinte às 6.30h. Nós fizemos o percurso Wakai para Gorontalo, na classe Business AC. É possível arranjar uma cabine junto da tripulação mas é uma opção cara (mas mais confortável).
Outra forma de chegar às ilhas Togean é voar para a capital de Sulawesi, Makassar, e daí seguir por terra para Ampana (esta foi a opção que nós escolhemos pois vínhamos de Tana Toraja, na província sul de Sulawesi), de onde pode apanhar um ferry que faz a ligação com Wakai.
No entanto, deve ter em conta que a viagem por terra entre Makassar e Ampana tem de ser partida em três etapas, o que corresponde a um mínimo de quatro dias para chegar às ilhas Togean a partir de Makassar. A partir de Makassar existe outra opção, mais rápida, que é voar para Palu, na província central de Sulawesi, e daí seguir por terra até Ampana.
O ferry que faz a ligação entre Ampana e Malenge parte às Segundas, Quartas e Sábados, às 10.00h e chega às 18.00 (pára em Wakai às 14.00h). No sentido inverso, parte de Malenge nos dias seguintes (Terças, Quintas e Domingos), à mesma hora (10.00h) e chega a Ampana às 18.00 (pára em Wakai às 14.00h).
NOTA: Além dos ferries (mais lentos) há a opção de apanhar um speedboat. Mas todos os horários dos barcos (ferries e speedboats) são muito instáveis, dados a alterações e cancelamentos. É essencial certificar-se no local, contactando directamente o porto ou o seu alojamento, que barcos estão a funcionar e com que horário.
Para explorar as ilhas Togean é imprescindível contratar um barco privado. É a opção mais cara, mas é a que lhe permite ter mais autonomia. Os horários dos ferries e speedboats não são de fiar e, além disso, só permitem o transporte entre lugares limitados. Sendo assim, prepare-se porque vai gastar algum dinheiro nas deslocações de barco (por exemplo, um barco privado entre Malenge e Kadidiri custa 700.000 rupias). Se encontrar outros viajantes para dividir a despesa, melhor. Nós usamos os serviços da Togian Boat Trip, do Ikbar e da Stefanie, que foram super simpáticos e nos ajudaram a programar a viagem toda ao arquipélago.
Nós ficámos alojados nas ilhas de Malenge e Kadidiri. Ambas são ilhas pequenas, onde se tem a sensação de estar longe de tudo e perto do paraíso.
Em Malenge, ficámos alojados no Malenge Indah, um resort localizado na costa norte da ilha. Ficar alojado no Malenge Indah é uma experiência do estilo “Robinson Crusoe”, numa cabana virada para o mar azul-turquesa, com uma pequena faixa de areia branca pela frente e floresta equatorial por trás.
Em Kadidiri, ficámos alojados no Kadidiri Paradise Resort & Dive Centre. A ilha de Kadidiri não é tão remota e não transmite tanto aquele sentimento de isolamento quanto Malenge, mas tem a vantagem de estar muito perto de Wakai, facilitando as deslocações. A praia é muito gira, e os corais mesmo ali em frente ao resort são muito bons.
Outras opções para se alojar nas ilhas Togian são:
Um dos pontos altos quando visitar as ilhas Togean será entrar em contacto com a cultura dos chamados “ciganos do mar”, o povo Bajau. O seu modo de vida nómada e ligado ao mar justifica o epíteto, vivendo mais nos seus barcos do que em terra. Os bajau retiram a sua subsistência do mar e nele vivem a sua vida inteira, construindo casas de madeira, sobre estacas num recife de coral. Mas a sua forma tradicional de vida nómada está a mudar.
O governo indonésio está a promover (leia-se, obrigar) a sedentarização do povo bajau, como forma de controlar melhor a população e também o efeito que esta tem sobre o ambiente numa zona com imenso potencial turístico. Por isso, já não é possível ver as casas isoladas construídas em cima de coral, mas é ainda possível visitar as povoações onde os bajau vivem, e que continuam a ser construídas como há séculos.
Kabalutan é a principal cidade do povo bajau. Situa-se na costa sul da ilha Pulau Talata Koh, e é uma visão extraordinária. A maior parte das casas são construídas sobre a água, sobre estacas, e fazem um cordão que simula uma baía. Parece um cenário saído de um filme dos Piratas das Caraíbas!
Visitar Kabalhutan é uma experiência que não esquecerá. A população vê muito poucos turistas e é muito hospitaleira e curiosa. Mas o melhor é as crianças. Às dezenas irão acompanhá-lo na sua visita, dando as mãos, cantando e sorrindo muito. Uma maravilha!
Fazer snorkel é uma actividade obrigatória quando visitar as ilhas Togean. Ali encontrará recifes de coral de atol (que rodeiam uma lagoa, como nas Maldivas), de barreira (em certos locais a cerca de 10-15km da costa) e de franja, os mais comuns, que rodeiam as ilhas junto à costa e são acessíveis.
Nas Togean, Os corais são maravilhosos, com uma diversidade de cores e de variedade de tipos de coral e de peixes notável. Não deixe de fazer snorkel no recife nº5, a pouca distância da ilha de Malenge. Junto à ilha de Kadidiri, o snorkel também vale a pena. Os peixes são muitos e coloridos.
Ficar alojado na ilha de Malenge é uma experiência a não perder nas ilhas Togean, para ter uma ideia de como os náufragos se sentem, mas sem se ter perdido! Não há rede de telemóvel, não há internet (pode comprar dados e usá-los à noite, numa ligação por satélite, mas não recomendamos pois estraga a autenticidade da experiência), e tudo na vida volta a um ritmo muito mais simples. Deixe-se encantar por esta ilha e não se esquecerá nunca das Togean.
Pulau Papan é uma visão de outro mundo. É uma aldeia do povo bajau que está ao largo da ilha de Malenge, com as casas construídas em volta de uma ilhota rochosa. Para se lá chegar, percorre-se uma pontão de madeira de várias centenas de metros. É simplesmente espectacular.
Durante a visita, poderá ter diferentes perspectivas da aldeia e da sua configuração sobre o mar. As pessoas são simpáticas e as crianças ficam eufóricas por ver um estrangeiro. Aproveite enquanto Pulau Papan ainda não aparece nos folhetos turísticos. Está a ser construído um resort mesmo ao lado da aldeia, por isso despache-se. Pode chegar à aldeia a pé se estiver alojado na ilha de Malenge.
Quando estiver alojado na ilha de Malenge, é obrigatório fazer um trilho pela costa da ilha. Nesse percurso, irá passar por troços de costa lindos, praias desertas, povoações esquecidas do mundo, e pessoas que vivem como os seus antepassados.
Se sair do Malenge Indah, tem de subir pela floresta junto à praia até chegar a uma escadaria. Dali, poderá subir até uma gruta que tem milhares de morcegos (que esvoaçam cá fora também). Se descer, vai ter à praia, e a partir dali o caminho é sempre junto ao mar.
No final do trilho estará reservado o seu ponto alto, a visita à aldeia bajau de Pulau Papan. Para voltar para trás terá de seguir pelo mesmo caminho, mas aconselhamos a regressar ao Malenge Indah de barco. Basta negociar uma canoa com os habitantes de Pulau Papan e terá uma nova perspectiva desta singular povoação.
Na costa norte da ilha Pulau Togean, muito perto da ilha de Kadidiri, existe um lago, designado localmente por “Jellyfsh lake”, que é um dos poucos lugares do mundo onde se pode nadar com alforrecas que são de uma espécie cujos tentáculos não são perigosos para quem delas se aproxima.
É uma experiência inesquecível nadar com centenas de alforrecas sem sofrer nada com isso. A água do lago tem ma visibilidade reduzida, por isso é só possível ver as alforrecas quando elas estão já muito perto. No entanto, não são difíceis de encontrar. Basta entrar na água e nadar um pouco para dentro. Começará então o espectáculo das alforrecas.
Nós não o fizemos, por falta de tempo, mas as ilhas Togean também têm o seu vulcão activo. A ilha chama-se Pulau Una Una e o vulcão, Gunung Colo, atinge cerca de 470m de altitude e teve uma grande erupção em 1983. É também possível ficar alojado na ilha e desfrutar das excelentes condições para o mergulho.
Perto de Wakai é possível visitar duas aldeias dos ciganos do mar. Para lá chegar é só falar com os pescadores do porto de Wakai e arranjará um barco que o leve. As aldeias são pequenas mas cheias de carácter, viradas uma para a outra. Ali poderá ter contacto mais uma vez com uma cultura singular e com um modo de vida que pode ter os seus dias contados.
As crianças brincam, o peixe seca ao sol, as canoas vão e vêm. É um mundo que já não é deste tempo em que vivemos. Do topo da segunda ilha, é possível ter uma panorâmica geral do conjunto.
Quando visitar as ilhas Togean, tem de dedicar algum tempo a não fazer nada. Deixe que o ambiente se apodere de si e não se preocupe com mais nada. Quanto a praias paradísiacas, é só escolher a que gosta mais. Nós recomendamos a praia em frente ao Malenge Indah, e em frente ao Kadidiri Paradise, na ilha de Kadidiri, ambas excelentes para “dolce far niente”.
Nós não fizemos mergulho, mas para quem pratica esta modalidade, as ilhas Togean são um dos melhores destinos da Indonésia. O Kadidiri Paradise é um dos mais conceituados Dive Centres nas ilhas Togean e lá poderá organizar diferentes excursões.
Este artigo foi realizado durante a nossa viagem de Volta ao Mundo em 2019/2020. DIAS 90 a 98 –Visitar as ILHAS TOGEAN e o povo Bajau, os Ciganos do Mar (Outubro 2019)
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