A maioria das pessoas que viaja para a Índia tem o seu choque cultural quando aterra no aeroporto de Deli e daí tem que rumar até ao seu hotel. Apesar do aeroporto internacional de Deli ser novo e com um ar completamente ocidental, basta cruzar a porta e dirigir-se para as ruas para que seja bombardeado por um mundo novo.
Como o choque cultural vai ser forte, é recomendável chegar ao seu hotel de forma confortável e rápida. A melhor forma de sair do aeroporto de Deli é arranjar um táxi pré pago no interior. O táxi custa 400 rupias até Paharganj.
Mesmo com tudo isto tratado no aeroporto, é possível que o seu táxi pare e lhe diga que não pode ir até ao hotel. Se tal acontecer, exija-lhe que lhe arranje um riquexó para o resto do percurso.
Uma vez em Deli, há que escolher o local para se alojar. Já estivemos quatro vezes em Deli e de todas elas, alojámo-nos no Bairro de Paharganj. Porquê? A resposta é bem simples. Paharganj é o bairro de Velha Deli, completamente preservado, caótico, como o resto da Índia, onde há hotéis baratos, lojas de artigos indianos tradicionais, restaurantes e bares, cafés e estilo ocidental, roupa barata, hotéis de gamas muito variadas desde 5€/noite até outros mais cómodos e em estilo ocidental que rondam os 30€/noite.
A tudo isto junta-se o facto de ficar perto da estação de Nova Deli, a principal estação de comboios da cidade e onde existe um escritório de apoio aos estrangeiros, onde vendem o IndRail Pass e lhe fazem reservas para todos os comboios da Índia. É o melhor lugar do país para comprar bilhetes de comboio na Índia.
Já experimentamos 4 hotéis diferentes em Deli e o melhor que ficámos foi o último. Antes de mais convêm perceber que em Paharganj há duas zonas distintas. A rua do Main Bazar é dominada por hotéis de “beira de estrada”, ideais para quem tem orçamentos mesmo muito limitados. Nesta rua já ficamos em dois hotéis, o Mahesh Guesthouse e o Namarskar Hotel. São dois “pardieiros”, sem grande higiene, quartos minimalistas, sem roupa de cama, mas com wc. Nos dois, os quartos duplos custaram 300 rupias, cerca de 5€/noite (para duas pessoas). Se nunca viajou na Índia estes hotéis vão ser um choque cultural. Se já viajou, já viu pior com certeza.
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A Arakashan Road, também em Paharganj, há hotéis mais medianos, igualmente próximos do Main Bazar mas sem os edifícios decrépitos. São hotéis de três estrelas semelhantes aos europeus, com um bom atendimento e até agências de viagem no interior. O melhor que ficámos foi o The Prime Balaji Deluxe @ New Delhi Railway Station. O hotel tinha um quarto fantástico, onde pagámos cerca de 25€/noite, preço que já incluía o transfer do aeroporto (pode ser pick up ou drop off). Recomendamos vivamente.
O segundo hotel que usámos nesta zona foi o Ajanta Hotel, muito melhor do que os do Main Bazar, e ao mesmo nível do que o anterior. Nesta zona o Zostel Delhi é também uma boa opção, especialmente se viaja sozinho e procura conhecer outros viajantes.
Se quer fugir deste mundo e estar na zona mais rica e moderna de Deli, uma das melhores opções de alojamento é o Hotel Palace Heights, onde os quartos rondam os 70€ mas numa das melhores zonas de Deli.
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O primeiro ia em Deli dê tempo ao tempo para processar a cidade e não programe nada muito ambicioso. Aliás, se regressar no final da viagem a Deli, o nosso conselho é que deixe Deli para explorar no final, quando já compreender melhor o país e não sejam tão imediatos os julgamentos fáceis. Sendo assim, dedique o primeiro dia em Deli a passear em Paharganj.
Ouviu muito bem. Deli é provavelmente o melhor local para fazer compras na Índia, mas prepare-se, nem tudo o que vai ver à compra no resto do país se vende em Deli. No entanto, há muitas coisas há venda, especialmente artigos do Ladakh, Gujarat e Rajastão.
Paharganj é o melhor local para comprar coisas baratas, especialmente roupa. No entanto, como em quase todos os lugares da Índia, regatear é palavra de ordem. Se quer comprar calças indianas de aladino, túnicas, camisolas hippies, vestidos, saias, casacos, chinelos, sandálias, etc. Tudo made in India, claro. Tudo a bom preço.
O mercado tibetano é o nosso local preferido para fazer compras em Deli. Tem bons preços, artigos bons e maravilhosos. Sandálias de pele, sacos coloridos, bolsas, malas, e imensos artigos para a casa como colchas, panos, toalhas, cortinados e artigos artesanais. É o melhor local para encontrar artesanato do Ladakh e do Gujarat, assim como alguns artigos do Rajastão.
Connaught Place é a rotunda mais famosa de Deli, com lojas multinacionais das melhores marcas do mundo. É outra Índia. Há restaurantes e bares, gelatarias italianas, sushi, cinemas, hotéis e muitas lojas de luxo. Há ali uma livraria maravilhosa, a Oxford Bookstore, que põe a FNAC num bolso.
Se procura especiarias, frutos secos, chás e plantas aromáticas, então Chandni Chowk é o lugar ideal para ir fazer compras. Não perca o Kinari Bazar o Dariba Kalan e o Karim’s.
Se procura livros (sim porque eu viajo com um nerd que em todas as cidades tem que comprar livros técnicos de Física) então Nai Sarak é o lugar ideal. Há livreiros alfarrabistas, livrarias de livros técnicos a preços asiáticos (muito baratos) e até guias em segunda mão e novos.
As livrarias dividem-se paredes meias com lojas fantásticas de saris e lehengas (roupas indianas típicas usadas nos casamentos). O mesmo em Chawry Bazar mas em menor quantidade.
Ainda em Connaught Place há o Palika Bazar, um bazar de artigos baratos, mas nem sempre de boa qualidade. Convém estar atento ao que compra.
A mesquita de sexta-feira de Deli é uma das principais do mundo islâmico na Ásia e a maior da Índia. A mesquita é magnífica e impressionante, uma bela obra de engenharia.
Humayun foi o segundo imperador Mogol da Índia, e o seu túmulo é grandioso e, embora não compita com o Taj Mahal, é bastante bonito. Os jardins são muito bonitos e vale a pena explorar.
O Forte Vermelho é o monumento mais visitado em Deli e a Porta de Lahore é a imagem de marca da cidade. Construído em tijolo de arenito vermelho, é enorme e requer algum tempo para ser explorado. Prepare-se “vai rolar muita selfie!”
Deli é uma cidade bastante antiga e ali já existiram sete cidades distintas. O Purana Qila é um dos fortes mais antigos de Deli e corresponde à parte histórica da cidade que tem ocupação permanente há mais de 3000 anos. A muralha é de origem mongol e corresponde à 6ª cidade de Deli, que data do século XVI. Não perca a imponente porta de Bara Darvaza.
Com mais de 200 mil objectos expostos, o Museu Nacional é o melhor museu da Índia e conserva 5000 anos de história na bacia do Ganges e do Indus. Vale a pena uma visita para explorar detalhadamente o seu acervo, que inclui uma colecção magnífica de sedas indianas.
Este é o antigo Palácio do vice-rei da Índia, e hoje é a residência oficial do primeiro ministro indiano. Apesar de estar fechado ao público, vale a pena ir espreitar por fora.
O Museu do Artesanato é um belo local para compreender as diferenças culturais da Índia, assim como os diferentes grupos étnicos que habitam o seu território. Tem artesanato há venda.
Localizado no Parque Arquelógico de Mehrauli, o Qutb Minar é o maior minarete da Índia e corresponde ao local onde se localizou o primeiro reino muçulmano no norte da Índia e o centro do sultanato de Deli, no século XII. Deambular por todo este parque vale a pena porque há imensos locais para se descobrir, tais como túmulos, pavilhões, palácios, mesquitas em ruínas, etc.
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Localizado no Parque Arqueológico de Mehrauli, não muito longe do Qutb Minar, está o Rajon Ki Baoli, um poço com três pisos e designado localmente por “poço seco”. O Gandhak Ki Baoli fica logo ao lado e tem cinco andares mas é menos impressionante.
Esta é a avenida mais famosa de Deli e liga Vijay Chowk, a zona do palácio do vice-rei da Índia, até ao Indian Gate, a porta da cidade. É uma avenida cheia de espaços verdes, parques, fontes, e edifícios governamentais.
Este é um observatório astronómico do século XVIII, mandado construir pelo Jai Singh II de Jaipur. Apesar do observatório já não ser usado, vale a pena a visita, especialmente se não for a Jaipur.
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O Raj Ghat corresponde ao ghat onde Gandhi foi cremado. Numa lápide no local está escrito He Ram, que significa Óh Deus, as últimas palavras de Gandhi. Do lado oposto da estrada existe o Museu Nacional do Gandhi, que também merece uma visita.
Provavelmente o edifício mais moderno da cidade de Deli, em forma de Lotus, e criado em 1986 para albergar a seita Bahai, uma crença religiosa com origem persa. O templo está edificado num parque com imensos jardins, onde impera um ambiente muito relaxado e tranquilo, longe do caos de Deli.
Estas são as ruínas da quinta cidade de Deli, que data do século XIV, e se localiza na parte norte da cidade. Há várias muralhas e edifícios em ruínas, como mesquitas e o pilar de Ashoka.
Este é um bairro medieval em Deli, em volta do túmulo de Nizamuddin, um sufista místico do Islão, do século XIV. Há vários túmulos, mesquitas e bazares à volta e é um lugar bem alternativo em Deli.
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luiza malta says:
eu estou indo fazer trabalho voluntário na India em janeiro e adorei as dicas. vou ficar 1 mes e meio e quero conhecer todos esses lugares! 🙂 valeu pelas dicas. eu adorei 🙂
Eloah Cristina says:
Baita experiência. Adorei a leitura também….
Pedro Henriques says:
Deli deve ser uma cidade a não perder. Adorei as fotos de todos esses monumentos antigos como a Mesquita e o Forte Vermelho. O ambiente das ruas também dever ser top, caótico, mas para quem gosta destas andanças, algo a vivenciar. Obrigado pelas dicas.
Carla Mota says:
É isso mesmo. Algo a não perder.
LR says:
Artigo muito interessante e útil. Adorei o complexo de Nizamuddin e andar pelas ruas de Velha Deli!
Apenas uma pequena correcção: Humayun foi o segundo imperador Mogol (e não Mongol) 😉
Carla Mota says:
Obrigada, LR. Vou corrigir. Tem toda a razão. Já estava na onda do Gengis Khan. 😉 eheheh
Viviane Carneiro says:
Que post bacana e com dicas essenciais! Eu imagino que o choque cultural seja realmente muito grande na primeira visita a Deli e esse post ajuda muito.
Carla Mota says:
Obrigada, Viviane.
Ruthia says:
Muito interessante esse seu artigo. Retratou muito bem os contrastes que fazem desse um país inesquecível. O hábito de regatear cansa-me imenso, no Egipto nem a água tinha o preço marcado.
Carla Mota says:
na Índia nada tem preço fixo 😉
angela sant anna says:
post super completo para quem chega na india pela primeira vez! tem que ir aos poucos pra n julgar rapidamente. nunca tinha visto esse templo do lotus, achei lindo!
Carla Mota says:
É magnífico, Angela.
Roberta Lan says:
“Como sobreviver” é ótimo, né, haahaha! Eu confesso que tenho um pouco de medo porque acho tudo muito caótico. Mas com as suas dicas fica tudo bem mais fácil. Parabéns!
Carla Mota says:
Obrigada, Roberta.
Michelle says:
Tenho vontade de conhecer a India, mas ainda falta um pouco de coragem e disposição. Por enquanto vou lendo blogs para amadurecer a ideia 🙂
Carla Mota says:
eheheh É o caminho certo mesmo, Michelle. 😀
Patricia says:
Olá, adorei as dicas, um post completo rico em detalhes. Muito interessante o item de como sair do aeroporto, o choque cultural deve ser enorme. Após ler seu post fiquei curiosa em conhecer!
Carla Mota says:
Patrícia, vai mesmo. É demais. 😀
Aninha Lima says:
Para ir à Índia precisamos mesmo criar coragem. Mesmo assim, tenho certeza que vou amar quando chegar lá ! Quantos lugares lindos você nos mostrou! fora as comprinhas… adoro esses mercados cheios de opções
Carla Mota says:
A Índia é maravilhosa. <3
Augusto Barros says:
Obrigada Carla pela paixão que emana e transpira para TODOS nós!
Vou fazer o Triângulo Dourado – feliz ou “infelizmente”, pela Viagens Pinto Lopes e já estou em “pulgas”! Devorei com satisfação cada “dia” da vossa espetacular e “corajosa”viagem! Bem hajam! ???
Fabíola Moura/ Família que viaja junto says:
Roteiro completo e informações muito úteis. Tem muita coisa pra visitar e adoraria fazer umas comprinhas com todas essas coisas lindas made in India, mas confesso que não tenho muito jeito para barganhar, rs.
Carla Mota says:
Fabíola ia adorar mesmo. É uma perdição! 😀
Angela Castanhel says:
Acho muito legal visitar lugares onde a cultura é tão diferente da nossa. Parece um lugar bem caótico, mas na verdade é pq é uma realidade que não estamos acostumados. Adorei as dicas, valeu Carla
Carla Mota says:
Obrigada, Angela.