Praia, na ilha de Santiago, recebeu-nos de braços abertos logo pela manhã. Os primeiros raios de sol brilhavam no céu quando aterramos na capital cabo-verdiana. A Praia, na ilha de Santiago, é a principal cidade do arquipélago, e na ilha de Santiago concentra-se mais de metade da população do país.
A ilha de Santiago é a maior ilha cabo-verdiana, resultando daí uma grande diversidade paisagística e cultural. Não basta conhecer a cidade da Praia, a ilha de Santiago tem imensos encantos à espera para serem descobertos. A maioria dos visitantes não se aventura no interior da ilha de Santiago mas, Santiago, tem imensos motivos que tornam a viagem para o seu interior muito atractiva. Estávamos determinados em explorar a ilha de Santiago e tirar o maior proveito possível dos seus encantos. Apesar de não termos muito tempo disponível, sabíamos que o íamos utilizar da melhor maneira.
Começamos por procurar alojamento na Praia, no bairro da Achada de Santo António na ilha de Santiago, onde deixámos as mochilas guardadas. Ainda eram oito horas da manhã e por isso não podíamos fazer o check-in. Dirigimo-nos para Sucupira, o bairro do mercado e uma das partes socialmente mais desfavorecidas da Praia e da ilha de Santiago. Aí contactamos com a única forma de agressividade que experimentamos em Cabo Verde. Um grupo de homens aproximou-se e, puxando-nos pelos braços e pelos sacos, tentaram levar-nos para dentro dos “alugueres”. Foram tão agressivos que tive que mandar uma lapada no braço de um, já que não me largava e puxava constantemente. Apesar da atracção do bairro ser o mercado africano, a nossa ida ali tinha unicamente a ver com o facto de querermos apanhar o “aluguer” para Assomada, no centro da ilha de Santiago, e onde se efectuava um mercado semanal (quarta-feira) vívido e mais tranquilo do que o de Sucupira.
Para chegar a Assomada, na ilha de Santiago, o aluguer demorou cerca de uma hora, percorrendo estradas de piso novo asfaltado, fazendo a carrinha deslizar entre uma paisagem montanhosa coberta de plantações agrícolas, apenas interrompida pelos ocasionais picos rochosos que se erguiam na paisagem da ilha de Santiago. O letreiro de São Lourenço dos Orgãos chamou-nos à atenção na ilha de Santiago. Ali, as mulheres, na beira da estrada, vendiam morangos com aspecto suculento. As frutas enchiam as bacias coloridas de plástico e as bancas de madeira, parecendo um cenário pintado na ilha de Santiago.
Chegámos a Assomada na ilha de Santiago. Era domingo de Páscoa e, apesar do mercado semanal não estar em funcionamento, as festas cristãs atraiam à povoação da ilha de Santiago vários vendedores que se aglomeravam à volta da igreja principal da ilha de Santiago. A igreja estava repleta e as multidões estendiam-se até à parte de fora. Para fazer face à forte afluência de fiéis, as orações ouviam-se no exterior. Estivemos aqui pouco tempo, o nosso objectivo final era o Tarrafal, alguns quilómetros à frente, e na ponta norte da ilha de Santiago.
Apanhámos outro “aluguer”, não com a mesma agressividade que em Sucupira mas algo semelhante, lembrando-nos, mais uma vez, que estávamos em África, e seguimos viagem na ilha de Santiago.
Pelo caminho na ilha de Santiago atravessámos o Parque Natural da Serra da Malagueta, com uma paisagem deslumbrante e fazendo-nos sonhar com mais tempo para sair e experimentar os trilhos pedonais da serra da ilha de Santiago. Teria que ficar para uma próxima oportunidade numa nova visita à ilha de Santiago.
À medida que se subia para a serra da Malagueta, as palmeiras e bananeiras davam lugar a árvores de frutos distintos, como macieiras, marmeleiros, etc. Os legumes, cereais e tubérculos enchiam os campos assim como as cestas das vendedoras da berma da estrada. A maioria das pessoas que entrava e saia do aluguer não falava português. Crioulo, só se fala crioulo por aqui. E nós dizíamos:
– cábu berdi é sábi (Cabo Verde é bom).
Chegámos finalmente a Chão Bom, alguns quilómetros antes do Tarrafal, na ilha de Santiago. Já tínhamos andado cerca de 70 km desde a Praia e a viagem nos dois alugueres demorara cerca de duas horas. Era quase hora do almoço mas ainda tínhamos algo importante a fazer.
Em Chão Bom existe o que resta do Campo de Concentração do Tarrafal, uma prisão política portuguesa durante o Estado Novo na ilha de Santiago. Recebeu-nos Fred, um menino de sete anos que veio a correr ter connosco, com uma bola furada e puída de tanto uso. A sua irmã veio logo atrás. Fred fala português e depois de eu lhe perguntar quantos irmãos tinha, começou a pensar e a contar pelos dedos. Parou nos seis, dizendo que não tinha bem a certeza. Sorri e abracei-o. Aquela inocência era deliciosa.
– Não tens uma bola para mim? – Perguntou-me
Não tinha. Senti-me triste. Queria muito tê-la ali para lha poder dar. Só tinha canetas e foi o que lhe dei. Gostou mas não era bem aquilo que queria. Encolheu os ombros. Prometi-lhe que um dia voltava e lhe dava uma bola nova para que ele pudesse jogar. Perguntou-me imediatamente:
– Quando vens?
– Não sei, um dia destes. – Respondi-lhe.
A irmã, sorriu e disse:
– E uma boneca?
– Sim, também trago uma boneca para ti.
Senti os meus olhos raiarem de lágrimas ali na ilha de Santiago. Não porque aquelas crianças precisassem muito daqueles brinquedos ou porque fossem extremamente pobres (algo que eram porque brincavam descalços nas terras quentes). As lágrimas escondidas nos meus olhos deviam-se ao facto de lhes ter feito uma promessa que não sabia se poderia cumprir.
Entrámos no Campo de Concentração e visitámo-lo. No final da visita, apanhámos um novo “aluguer” para fazer os cinco quilómetros até ao Tarrafal, na ilha de Santiago. Desta vez nas traseiras de uma carrinha.
O Tarrafal recebeu-nos com um sol e calor abrasador na ilha de Santiago. Sentíamos a transpiração escorrer-nos pelo corpo. Era mais do que horas de almoçar na ilha de Santiago. Escolhemos um boteco e enganámos os estômagos com qualquer coisa. Queríamos mesmo era ver a praia, a única de areia branca da ilha de Santiago.
Deixámos a praça da povoação para trás e fomos até à praia da ilha de Santiago. O calor do início da tarde tinha afugentado grande parte dos banhistas. Algumas crianças brincavam no mar, sob os olhares atentos dos progenitores.
Os barcos dos pescadores atracados nas areias amarelas, mesmo em frente ao mercado de peixe, que pareciam descansar de uma manhã de faina. Contemplámos a beleza do lugar e sentámo-nos um pouco para respirar este ar e sentir o momento da ilha de Santiago.
A praia do Tarrafal na ilha de Santiago é muito bonita, com um mar de azul cristalino, águas tranquilas e um ambiente sossegado e descontraído. Mas, ainda nesse dia íamos regressar à Praia.
No centro do Tarrafal arranjámos um aluguer directo até à Praia, que antes de sair andou às voltas durante uma hora, mas que nos deixou de novo na capital cabo-verdiana na ilha de Santiago. Na ilha de Santiago ainda queríamos conhecer a Praia e a Cidade Velha mas isso, eram outras estórias.
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Carla Rosa says:
Olá Carla,vou para Santiago este fim de semana,aluguei hotel em assomada, também aluguei carro ,para andar por minha conta , não sei se será boa ideia,queria fazer uma pergunta, é uma ilha segura de se visitar?, obrigada
Carla Mota says:
É relativamente segura, mas é África. Deves evitar conduzir à noite.
Jorge correia says:
Ola Carla!.
Gostei da sua descrição sobre as ilhas de CaboVerde. Estive em 74 em Bissau onde havia CaboVerdianos. Agora k estou apo sentado tenho disponibilidade p ir. Aten dendo à idade aconselha k deva viajar solo ou em grupo? Há problemas de seguranca na cidade da Praia por ex? Uma semana num hotel 3 estrelas cus tara quanto? Imperdivel na Praia alem das mornas e coladeras? O k há + alem
da cachupa canja africana?.Grato desde ja
Carla Mota says:
Cabo Verde é África. Não é o lugar mais seguro do mundo mas é bastante mais seguro do que outros países africanos.
Leonor Maria Marques Santos says:
Boa tarde Carla,
Sou Assistente Social e gostava de conhecer as escolas na Praia, sabe dizer-me se é possível?
Muito obrigada
Aleida says:
Btarde.Eu sou Caboverdiana e moro na ilha de santiago praia.se quizer posso te ajudar
Carla Mota says:
Obrigada
Carla Mota says:
Não tenho contactos, lamento.
Vítor Costa says:
Boa tarde Carla. Que transportes há na ilha de Santiago? É preciso ou é melhor trocar dinheiro para levar? Em termos de supermercados, há? Onde comer alguma coisa rápida e não muito cara? Muito obrigado
Susana Fortunato says:
Olá boa tarde, se tivisse de escolher um das ilhas para viver, qual escolhia?
Aleida says:
Btarde.
Na minha opiniao acho que a melhor ilha para morrar seria ilha de Santiago.As razões que me leva e te dizer isso são;
É mais ampla, ali se encontra a maioria das infaesturas( tais como escolas( universidades), bancos, igrejas, camaras municipai, sede demuitas coisa, embaixadas.
Santiago é a ilha mais grande de Cabo verde , posso dizer que é o centro
Carla Mota says:
Obrigada pelo carinho, Aleida.
Vítor Costa says:
Boa noite. Vou levar a bola que vocês prometeram. Levo uma de futebol, uma de voleibol e um disco voador. Irei entregar numa associação local para depois darem aos pequenotes para eles brincarem. Obrigado pela sugestão. Boas viagens
Carla Mota says:
Muito obrigada pelo carinho, Vitor
Carla Mota says:
Não faço ideia… Depende de onde tivesse emprego e do que gosta. Talvez, São Vicente e Mindelo.
pedro silva says:
ola bom dia, sabe me dizer qual a melhor praia na ilha de santiago, e na mesma zona quais os melhores hotéis? obrigada
Carla Mota says:
Olá Pedro, a mais bonita será Tarrafal. Para os melhores hotéis veja aqui. https://bit.ly/37km0MU
Luísa Miquelina says:
Olá Carla!
Em primeiro lugar, muito Obrigada pelas Partilhas ?
Estou a pensar ir a Cabo Verde com uma amiga em junho. A nossa última viagem foi à India, portanto muito intensa e cheia de Aventuras e Amor. ADORÁMOS, CLARO!!
Agora para Cabo Verde, aconselharam-nos Mindelo. Gostamos de pessoas, cheiros, voluntariado e cultura. Será esta a ilha mais indicada?
Para nós, a opinião da Carla é importante, assim como a forma mais economica de lá chegar (direto ou com voos internos?)
Muito, Muito Obrigada
Boas Viagens ?
Luísa
Carla Mota says:
Olá Luísa. Mindelo é maravilhoso mesmo mas eu juntava aí Santo Antão. Apanhem o barco no Mindelo e dividam o tempo. Eu gostei mais de Santo Antão. Mais puro, mais rural, mais tradicional. Vão de avião para o Mindelo e depois de barco. Vão adorar. Garanto!
José Freitas Pereira says:
Mais um excelente “roteiro”, muito bem narrado! Parabéns…
Carla Mota says:
Obrigada