Resolvemos visitar Éfeso numa passagem de um só dia, Chegamos a cidade de Selçuk, vindos de comboio de Denizli, e tínhamos apenas esse dia para visitar Éfeso pois iríamos partir ao final do dia, de autocarro em direcção a Istambul. Como era manha cedo (nesse dia levantamo-nos as 4.30h!) e o tempo estava bastante nublado, decidimos primeiro visitar as (poucas) atracções de Selçuk, na esperança que o sol desse um ar da sua graça quando visitássemos as ruínas.

Dirigimo-nos então ao museu de Éfeso (famoso pela sua colecção de peças recolhidas nas ruínas), apenas para lermos num letreiro aquilo que um taxista já nos tinha dito: fechado para obras de restauro entre Novembro de 2012 e Setembro de 2013… Que azar!


Um pouco mais a frente, colina acima, encontram-se as ruínas reconstruidas da Basílica de S. João (ver Nos passos dos Apóstolos). Mais acima ainda, encontra-se uma cidadela bizantina com torres bem conservadas, mas que não esta aberta a visitantes. Um pouco mais abaixo, na base da colina Ayasuluk, encontra-se a mesquita Isa bey Camii, construída em 1375, aproveitando um edifício bizantino muito mais antigo.

Finalmente, não podíamos deixar passar a oportunidade de fotografar uma das 7 Maravilhas do Mundo Antigo, o Templo de Artémis. Ou melhor, a única recordação que sobreviveu a séculos de destruição, ou seja, uma coluna semi-reconstruida! E preciso MUITA imaginação para visualizarmos como teria sido o templo nos seus dias de glória, mas a foto da praxe, para juntar a das Pirâmides de Gizé, não podia faltar!

Com o sol já a brilhar, ainda que timidamente, deixamos Selçuk e começamos a visitar as ruínas de Éfeso a partir da sua entrada a norte.
A Ásia Menor (também chamada Anatólia), correspondente à actual parte asiática da Turquia, é, do ponto de vista histórico, uma região riquíssima na variedade e qualidade das civilizações que por lá passaram. Não será pois de admirar que, há 2000 anos, quando uma nova religião surgiu em Jerusalém, a sua rota de expansão territorial pelos Apóstolos teve de passar necessariamente por esta região. E, claro, os vestígios desta fase da história foi um tema incontornável nas nossas andanças por terras turcas.
“Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça; e assim, tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome Ele vo-lo concederá. É isto o que vos mando: que vos ameis uns aos outros. Se o mundo vos odeia, reparai que, antes que a vós, me odiou a mim. Se viésseis do mundo, o mundo amaria o que é seu; mas, como não vindes do mundo, pois fui Eu que vos escolhi do meio do mundo, por isso é que o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que vos disse: o servo não é mais que o seu senhor. Se me perseguiram a mim, também vos hão-de perseguir a vós. Se cumpriram a minha palavra, também hão-de cumprir a vossa. Mas tudo isto vos farão por causa de mim, porque não reconhecem aquele que me enviou.“
Túmulo de S. João
Após Cristo ter sido crucificado em Jerusalém, as notícias da sua ressurreição propagaram-se rapidamente, assim como a sua doutrina, ambas veiculadas pelos seus seguidores mais próximos. Entre estes, distinguiram-se os Apóstolos que, tendo presenciado os últimos dias de Cristo e aprendido da sua boca, partiram em todas as direcções com o objectivo de propagar a boa-nova e, nos anos seguintes, se (des)multiplicaram em viagens missionárias, desde a península ibérica até à Índia. Claro que os primeiros tempos do cristianismo não foram fáceis… Todo o império que se prezasse zelava pelos seus próprios deuses, não vendo com bons olhos a intromissão de divindades vindas de terras distantes. Passados 15 a 20 anos, todos os Apóstolos (com a excepção de um) tinham sido mortos, martirizados pela sua fé.
Basílica de S. João
Na Ásia Menor, o Apóstolo que sobreviveu a um caldeirão de azeite a ferver deixou uma marca que ainda hoje sobrevive. João era um dos mais próximos de Cristo e a quem Ele confiou a sua mãe aquando da crucificação. A tradição da igreja, e algumas fontes históricas, atestam que João e Maria viajaram para Éfeso, tendo aí vivido durante anos e onde se diz que ambos terão morrido. Nesta cidade, podem visitar-se alguns dos vestígios históricos relacionados com estas figuras. No entanto, o turismo é um enorme negócio na actual Turquia, levando a que, por vezes, o interesse turístico em encontrar locais supostamente relacionados com a génese do cristianismo se sobreponha à credibilidade arqueológica e histórica. Um desses é a chamada “Casa de Maria”, uma atracção turística que atrai magotes de visitantes e cuja veracidade deixa muitas dúvidas em qualquer pessoa. Resolvemos passar ao lado desta atracção mas decidimos que não podíamos deixar de visitar a chamada basílica de S. João, suposto local de repouso do apóstolo.
Selçuk – Basílica de S. João
Terá sido para Éfeso que João se dirigiu pouco tempo depois da crucificação de Cristo. Manteve-se ao lado de Maria até à sua morte e foi também aqui onde terá escrito o seu evangelho. Claro que, tal como todos os outros apóstolos, foi perseguido, preso e torturado. No entanto, inexplicavelmente, terá escapado sempre à morte às mãos dos seus persecutores e foi exilado para a a ilha de Patmos, onde terá escrito o Livro do Apocalipse. Finalmente, após a morte do imperador Domiciano, pôde regressar a Éfeso, onde terá falecido em 103 d.C. Na colina Ayasoluk, encontram-se actualmente as ruínas de uma igreja mandada construir no século IV d.C., no auge do império bizantino, pelo imperador Justiniano, no local onde se encontrava um santuário anterior que a tradição contava que continha o túmulo de João. No entanto, já naquela época se dizia que o túmulo estava vazio… Será dos Apóstolos?
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