Douz, a porta de entrada no deserto do Sahara, na Tunísia, foi em tempos uma autoestrada de caravanas de camelos que atravessavam o Sahara a caminho do oriente. Aqui afluíam caravanas de camelos provenientes de todo o Magrebe e dos países a sul, que comercializavam os produtos que embarcariam na mítica Rota da Seda. Viajantes, mercadores e peregrinos afluíam à cidade para empreender viagens para destinos longínquos, muitos, do outro lado do Sahara. Junto com os produtos africanos, viajou o Islamismo, que a partir dali se foi espelhando pelo norte de África.
Dos tempos áureos da Rota da Seda, em Douz ficou o maravilhoso mercado de gado semanal, à quinta-feira. Foi este mercado que nos trouxe ali, e a esperança de ainda ver a comercialização de dromedários tão fundamentais para as comunidades locais hoje como outrora.

À entrada do mercado de gado há uma mercado aberto, como uma feira, onde se vende tudo, desde colchões, móveis, carnes, roupa, calçado, etc.

Num recinto relativamente pequeno, os comerciantes de gado aglomeram-se para comprar e vender animais: burros, dromedários, cabras, ovelhas…


Há poucos dromedários. Apenas três. Talvez tenhamos chegado tarde. Eram quase 11h e o mercado é mais vivido de manhã bem cedo, quando os melhores exemplares são vendidos. Há milhares de anos que os povos berberes domesticam os dromedários, que usam ainda para cruzar o deserto, criando autenticas engenhocas no seu dorso para proteger do calor e do sol os viajantes e comerciantes. Hoje é muito difícil ver estas estruturas, algumas ainda usadas para transportar as noivas em casamentos de comunidades rurais e nómadas. Infelizmente não conseguimos vê-las.

As caravanas de dromedários eram essenciais para cruzar o deserto numa altura em que não existiam jipes ou aviões. Com bossas gordorosas com capacidade de reter cerca de 130 litros de água, os dromedários aguentavam cerca de duas semanas sem água, e embora tenham caído em desuso com a revolução dos transportes, continuam a percorrer o deserto tunisino., embora cada vez mais raro e dificil de ver.


Ficamos contentes por ver os dromedários a serem comercializados, com os compradores e vendedores a negociarem preços. Mais tarde, viríamos, enquanto o jipe cruzava as estradas da povoação, cabeças de dromedário penduradas na porta de entrada de vários talhos. Para além do transporte, o dromedário é ainda utilizado pela sua carne, suculenta e rica, e pelo leite. Faz parte da base alimentar da dieta dos povos do deserto.

Há uma década atrás os dromedários tinham outro valor. Eram muito úteis para o transporte de turistas no deserto. Hoje, os turistas são cada vez mais raros, e os camelos, voltaram a perder importância e o seu preço baixo.

O mercado de gado está agora cheio de cabras e ovelhas que complementarão os pratos de cuzcuz na região. São os animais mais comercializados no mercado, e o seu valor varia muito consoante o tamanho e idade.

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Douz é um oásis do deserto, situado no Grande Erg Oriental que se prolonga até Marrocos. Situado bem próximo das dunas de areia do Sahara, recebeu o título de porta de entrada no deserto, já que é o local da Tunísia mais acessível para o conhecer. Daqui a Ksar Ghilane, no dorso de um dromedário, são cinco dias de viagem. É também para lá que nos dirigimos mas de jipe, o dromedário espera por nós lá.
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Filipe says:
Olá, estou indo para Tozeur em Fevereiro. Os passeios que vocês fizeram foram bate e volta de Tozeur, ou contrataram um carro que percorreu, por dias, os oasis, douz, o pernoite em ksar ghilane e o desembarque em matmata?
Carla Mota says:
Olá Filipe, nós fizemos coisas em bate volta mas a maioria foi numa viagem de jipe entre Tozeur e Gabes.