A segunda parte da nossa aventura de comboio iniciou-se na cidade onde tínhamos parado, Irkutsk, na Rússia, e consistia em pouco mais de 24 horas de viagem até à capital da Mongólia, Ulaan Baatar, agora já no comboio chinês “Transmongoliano” com paragem final em Pequim (Beijing). A primeira coisa que notamos (além dos responsáveis pelas carruagens serem agora homens chineses!) foi que as condições deste comboio não tinham nada a ver com o transiberiano “Rossiya” em que tínhamos viajado até ali. Além de não termos direito a comida nenhuma (ao contrário do comboio russo onde tínhamos direito a um pequeno-almoço e a um almoço bastante razoáveis), os compartimentos eram mais pequenos, as carruagens mais velhas (imagino o que será viajar nestas durante o Inverno…) e só tínhamos uma casa-de-banho, muito mais modesta, e em condições mais precárias. Mas isto, como é só um dia de viagem, não importa muito. Como companheiros de compartimento, tínhamos um casal de jovens suíços pouco faladores (mas simpáticos) com o mesmo destino que nós.
Pouco tempo depois de partirmos, o comboio acercou-se do lago Baikal e, a partir dai, a linha acompanha durante largos quilómetros, mesmo junto à água, a margem sul deste lago grandioso (cuja área é equivalente a um terço de Portugal!). Este troco incluía originalmente um percurso ainda maior junto ao lago, mas com a construção de uma barragem no rio Angara, junto a Irkutsk, o nível das águas do lago (que alimenta o rio) subiu 1 metro, inundando parte da linha.
Depois de deixarmos o Baikal para trás, começamos a acompanhar o rio Selenga, com uma paisagem muito bonita dominada pelos tons de verde e pelas povoações nas margens do rio. Paramos então na cidade de Ulan Ude, a última paragem antes de entrarmos na Mongólia, e poucos quilómetros a seguir que nos despedimos da linha transiberiana e entramos na linha transmongoliana. Continuamos a seguir o rio durante bastante tempo, pois este nasce já do outro lado da fronteira.
A fronteira é um teste a nossa paciência de mochileiros! Quase 4 horas parados no lado russo e 3 do lado mongol. Quando finalmente partimos da estação , já nos tínhamos deitado. Como o comboio ia algo atrasado em relação ao tabelado, quando acordamos ainda faltava uma hora de viagem. Aproveitamos para apreciar a paisagem… Estávamos definitivamente na Mongólia!
Quando chegamos a capital, apanhamos um banho de multidão de estrangeiros (ok, cerca de 20)! Foi um primeiro sinal que este país é já um destino turístico popular (pelo menos entre mochileiros!)
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