Depois de uma viagem memorável, no bom e no mau sentido, a bordo do Expresso Transasiático, eis que chegamos a Tabriz. Era meio-dia e já não havia tempo para visitar tudo o que queríamos. Descemos do comboio com um casal espanhol, uma rapariga belga e um rapaz iraniano de seu nome Hassan. Hassan era o elo de ligação entre todos nós. Adoptou-nos e decidiu tratar de todos. Começamos por comprar bilhetes de comboio para esta noite para Teerão. Fomos levar o casal espanhol e a rapariga belga a um hotel no centro da cidade. Despedimo-nos e seguimos com o Hassan para Kandovan, uma aldeia semelhante às da Capadócia.
Em Tabriz, apesar de passarmos muito pouco tempo, decidimos parar alguns minutos para ver a igreja de Stª Maria, um dos lugares que aparece descrito no livro de viagens de Marco Polo. Infelizmente estava fechada e só a conseguimos ver por fora. Hoje está praticamente escondida no meio dos edifícios da cidade.
O principal local de interesse de Tabriz é a Mesquita Azul, de seu nome Kabud, que significa “coberta de azulejos”. A mesquita é do século XV e é uma das mais bonitas que vimos no Irão. Por fora conserva pouquíssimos azulejos mas por dentro exibe ricos painéis azuis, verdes, laranjas e amarelos. É uma autêntica obra de arte. A porta principal tem bastantes azulejos mas muitos deles estão completamente partidos porque a mesquita foi destruída por um grande sismo em 1773.
O interior da mesquita é belíssimo e ainda restam bastantes azulejos originais que estão a ser restaurados. Quando saímos da mesquita estivemos no bazar e compramos Sohan, um doce delicioso do Irão. Passamos pelo museu do Azerbaijão e fomos até ao centro da cidade despedir-nos dos espanhóis.
O Rui aproveitou para ir comprar sangak, um pão fabuloso, cozido em forno de lenha com pedras por cima. Enquanto ele foi ao pão nós ficamos na conversa. O tempo passava e o Rui não aparecia. O nosso comboio partia às oito e dez mas nós tínhamos que estar na estação às sete e meia. Eram sete e quarenta e nada do Rui. Eram sete e cinquenta e nada do Rui. O Hassan acabou por lhe telefonar (tínhamos comprado um cartão SIM iraniano nessa manhã). O Rui estava sem relógio e não tinha dado pelo tempo passar. Veio a correr como o sangak a ferver na mão.
Apanhamos um táxi para a estação. Estava um trânsito caótico. Chegamos à estação faltava um minuto para o comboio partir. Ainda tínhamos que recolher as mochilas e ir para a plataforma. Os revisores avisaram o comboio e nós corremos até à plataforma. O comboio já apitava. Mal entramos o comboio arrancou. Sentei-me e respirei fundo. Perguntei ao Rui:
– Quanto custou o sangak?
– Quase a viagem para Teerão. – respondeu o Rui.
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