O Expresso do Oriente é uma das viagens mais míticas para se fazer na Europa. Cruzar a Europa desde o ocidente até ao oriente de comboio é um clássico possível desde o século XIX e foi eternizado no romance de Agatha Christie, “Crime no Expresso do Oriente”. O detective Hercule Poirot embarca em Aleppo (Síria) e, em Istambul, decide apanhar o Expresso do Oriente, um comboio que liga a capital da Turquia a Paris. Dotado de carruagens luxuosas, o comboio do Expresso do Oriente transportava a alta burguesia europeia pela Europa de Leste e colocava-a em contacto com o mítico oriente. Depois de uma noite mal passada, devido a uma forte tempestade de neve, a tranquilidade de Hercule Poirot é perturbada quando o comboio do Expresso do Oriente é obrigado a parar e aparece o cadáver de um passageiro brutalmente apunhalado. O cenário estava montado no Expresso do Oriente, um Inverno frio e gelado nos Balcãs e uma linha de comboio mítica, o Expresso do Oriente, o elenco estava escolhido, a burguesia poderosa e aristocrata da Europa.
CONTEÚDOS DO ARTIGO
O “Expresso do Oriente” entrou assim, fruto desta e de outras representações na literatura e cinema, no imaginário dos viajantes e dos amantes de comboios. Se gosta de viajar de comboio e pretende conhecer algumas das mais belas cidades e capitais europeias, o Expresso do Oriente é uma viagem para si. O Expresso do Oriente, na realidade, deveria ser designado por Expressos do Oriente, pois nos seus mais de 100 anos de existência o Expresso do Oriente foi assumindo itinerários diferentes, conforme as circunstâncias políticas e os avanços nas ligações ferroviárias. Por esta história rica, e por fazer parte do imaginário de tantos, é com tristeza que notamos que o comboio com o nome “Expresso do Oriente” já não existe! Mas ainda é possível, claro, percorrer a Europa de comboio de um extremo ao outro em vários comboios e fazer o Expresso do Oriente.
A ideia de criar um serviço de passageiros que ligasse a Europa ocidental à Ásia surgiu de Georges Nagelmackers, criador da francesa Compagnie Internationale des Wagon-Lits. Esta companhia, criada em 1872, tinha sido a primeira na Europa a introduzir vagões-dormitório e vagões-restaurante nas composições. Em 1883, a companhia inaugurou o então baptizado Express d’Orient. Na época, o comboio do Expresso do Oriente saía duas vezes por semana da estação Gare de l’Est, em Paris, e terminava na cidade de Giurgiu, na Roménia, passando por Estrasburgo, Munique, Viena, Budapeste e Bucareste. De Giurgiu, os passageiros eram transportados através do Danúbio para a cidade de Ruse, na Bulgária. Daí havia outro comboio que os levaria até Varna, onde poderiam tomar um ferry para Istambul.
Em 1889 a linha do Expresso do Oriente é finalmente completada até Istambul, era o mítico Expresso do Oriente. Nessa época, o serviço diário de Paris passou a ir até Budapeste. Três vezes por semana o comboio do Expresso do Oriente ia até Istambul, passando por Belgrado e Sófia. Em 1891 o nome foi oficialmente mudado para Orient Express. Em 1919 foi inaugurado o túnel Simplon, ligando a Suiça à Itália, possibilitando uma rota alternativa para Istambul. Foi então inaugurado o serviço Simplon Orient Express, que passava (após sair de Paris) por Lausanne, Milão, Veneza e Trieste, juntando-se à rota original em Belgrado, e foi neste que, curiosamente, se desenrolou a acção do famoso livro de Agatha Christie, sendo que Hercule Poirot fez a viagem do Expresso do Oriente no sentido oriente-ocidente.
Na década de 30, o Expresso do Oriente atingiu seu ponto máximo, com três serviços atravessando a Europa: o Expresso do Oriente original, o Simplon Orient Express, e o novo Arlberg Orient Express. Este Expresso do Oriente seguia de Paris a Budapeste passando por Zurique e Innsbruck, com vagões seguindo tanto para Bucareste como Atenas. Em 1962, tanto a rota original do Expresso do Oriente, quanto o Arlberg Orient Express são colocados fora de circulação, deixando apenas o Simplon Orient Express. No mesmo ano também este é retirado, sendo substituído por um serviço mais lento, chamado de Direct Orient Express. Contava com saídas diárias para Belgrado (passando pelo mesmo troço que o Simplon), de onde ia para Istambul e Atenas duas vezes por semana.

Em 1977, o Direct sai de circulação. Parte de sua rota original do Expresso do Oriente é reactivada, num serviço sob o nome original de Orient Express. No período entre 1977 e 2001, o Expresso do Oriente saía de Paris indo até Budapeste, com poucas saídas para Bucareste. Em 2001 o trajecto do Expresso do Oriente é limitado ao troço Paris – Viena e, em 2007, este passa a ser Estrasburgo – Viena, uma vez que o trecho do Expresso do Oriente de Paris – Estrasburgo passou a ser atendido por comboios de alta velocidade (TGV). A 12 de Dezembro de 2009, o comboio EuroNight número 469 ‘Orient Express’ deixou Estrasburgo para a sua derradeira viagem nocturna em direcção a Viena, e a 13 de Dezembro o nome ‘Orient Express’ desapareceu das tabelas europeias, após 126 anos de existência.
Hoje, uma empresa privada gere o serviço de um comboio que carrega o famoso nome, mas não é um descendente directo da famosa ligação. O Venice Simplon-Orient-Express é um comboio constituído por carruagens de luxo restauradas dos anos 1920, 30 e 50, que proporcionam uma viagem de luxo entre Londres e Veneza (com ligação a Istambul muito raramente). Esta viagem é, no entanto, para poucos, uma vez que o custo do bilhete atinge vários milhares de euros.
Mas o facto de o “Expresso do Oriente” já não existir não quer dizer que a viagem de comboio pela Europa, parando em várias capitais europeias não continue a ser possível e uma das mais icónicas formas de viajar no Velho Continente. É esta aventura, cujo itinerário pode ser, à semelhança do antigo “Expresso do Oriente”, adaptado conforme as circunstâncias (e gostos), que nós fizemos e recomendamos vivamente, e que continuaremos a chamar pelo mesmo nome histórico. A nossa sugestão para o itinerário do “Expresso do Oriente” é Paris – Munique – Salzburgo – Viena – Budapeste – Belgrado – Sófia – Istambul.
Para preparar a sua viagem do Expresso do Oriente terá que saber responder a várias perguntas de forma a reajustar o seu itinerário e aquilo que vai visitar no Expresso do Oriente. Estas são as principais questões que tem que ver respondidas:
Depois de saber a resposta a estas questões, há que começar a pensar programar a sua viagem pelo Expresso do Oriente.
Para fazer a viagem de Paris a Istambul no Expresso do Oriente necessita de pelo menos 5 dias, contudo, neste tempo só vai andar de comboio e não vai ter tempo para visitar nada. Assim, se pretender fazer esta viagem de Paris a Istambul para conhecer algo pelo caminho deve dedicar ao Expresso do Oriente um mínimo de 10 dias. Porém, o ideal para quem não conhece ainda nenhuma das paragens do Expresso do Oriente é ter 20 dias.
Se tem menos tempo para o Expresso do Oriente tem várias opções para contornar a situação. Essas opções são:
Tudo são opções válidas para o Expresso do Orientee que terá que tomar para tornar a sua viagem exequível no Expresso do Oriente.
As diferentes cidades no Expresso do Oriente requerem tempos distintos para serem conhecidas. Se quatro dias podem ser poucos para visitar Paris, já para visitar Sófia serão demais. Assim, no roteiro que lhe apresentamos em baixo vamos dar-lhe sugestão dos dias que consideramos necessários para conhecer as diferentes paragens no Expresso do Oriente. Contudo, o número de dias que dedica a cada uma das cidades vai depender do tempo que tem para fazer esta viagem no Expresso do Oriente ou se já conhece ou não as cidades.
Esta é uma questão importante na hora de programar a viagem do Expresso do Oriente porque se dormir a bordo do comboio a viagem é mais rápida porque faz as deslocações durante a noite. Contudo, tem a desvantagem de chegar de manhã a uma nova cidade e estar mais cansado para a explorar, acarretando normalmente mais aventura. Nós fizemos sempre as viagens de comboio no Expresso do Oriente de noite, e gostámos muito, por isso recomendamos. Contudo, realçamos, é cansativo.
Esta é uma pergunta que deve saber a resposta antecipadamente. Se tem datas fixas para voar e para a sua viagem, diria que tem que levar a viagem de comboio no Expresso do Oriente e os alojamentos já programados e reservados. Isto porque a compra dos bilhetes de comboio no próprio dia da viagem pode não ser fácil e necessitar de ficar mais tempo num local. Se isto acontecer em várias viagens de comboio, em vez de usar 10 dias (por exemplo) que tinha previsto, vai necessitar de 13 ou 15 (dependendo dos comboios disponíveis). Com voos marcados, o ideal é marcar também o seu comboio e hotéis. Com isto não vai perder a espontaneidade da viagem, já que a maioria do tempo vai estar fora do comboio do Expresso do Oriente. Com este planeamento vai é ter a liberdade de explorar com espontaneidade os locais que vai conhecer estre as viagens do comboio. Não será por ter o comboio marcado que deixará de ter aventuras a bordo do comboio, aliás, essas não se programam nem se coadunam com o acto da marcação. As aventuras residem nas experiências e pessoas que se conhecem em viagem e isso nada tem a ver com a programação.
DICA – Se tem dúvidas sobre os documentos que vai precisar para viajar no Expresso do Oriente pode ver a informação detalhada no site da Your Europe. Lembre-se que a Bulgária e a Turquia não pertencem ao espaço Schengen.
Não há um único site onde possa comprar todos os seus bilhetes de comboio para o Expresso do Oriente. Consoante a viagem que vai fazer, terá que comprar o bilhete de comboio em sites diferentes. Assim, para conseguir programar a sua viagem estes são os sites que terá que usar.
DICA – Se por caso tiver problemas com os bilhetes de comboio no Expresso do Oriente, como atrasos, cancelamentos ou danos de bagagem, veja os seus direitos no site da Your Europe.
DICA – Os suplementos para cama em cabines na Hungria, Sérvia e Bulgária, geralmente, não dão para comprar na estação ou no site. Terá que pedir ao revisor no momento da viagem no Expresso do Oriente.
A IATI tem um seguro que é especial para viagens na Europa e óptimo para o Expresso do Oriente. Este novo seguro cobre actividades como cicloturismo, trilhos, roadtrips, autocaravana, campers, etc. O cancelamento da viagem por conta do Covid-19 não está coberto (se fizer apenas o seguro simples) por se tratar de uma pandemia, mas todos os seguros da IATI cobrem tratamento por contágio por coronavírus e essa informação consta no certificado da apólice, já que alguns países pedem um seguro obrigatório com esta cobertura. Porém, se fizer o seguro do pack de seguro de viagem + seguro de cancelamento opcional, este cobre o cancelamento da viagem caso o segurado, seus pais ou filhos testem positivo para COVID-19. E além disso, o seguro IATI Cancelamento também tem esta causa coberta. Sendo assim, este é claramente, o melhor seguro do mercado neste momento.
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DICA – Para saber as regras e restrições no que toca ao Covid-19 em cada país por onde vai passar, consulte o site da Your Europe e selecione os países correspondentes do Expresso do Oriente.
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Viajar no Expresso do Oriente requer programação e também gestão do tempo. Pode ser uma viagem feita em 5 dias ou em 15, ou ainda num mês. Para preparar a sua viagem no Expresso do Oriente, para além das dicas práticas terá que preparar as paragens que quer fazer e quantos dias pretende passar em casa uma dessas paragens. Estas opções é que farão a sua viagem do Expresso do Oriente única e memorável. É em função das suas escolhas que vai determinar a duração da sua viagem a bordo do Expresso do Oriente.
As paragens que se seguem são aquelas que consideramos mais emblemáticas para fazer no Expresso do Oriente. Para cada uma delas, propomos-lhe até desvios, para poder conhecer alguns lugares que acreditamos valem mesmo a pena e enriquecerão a sua viagem.
O Expresso do Oriente começa na Gare de l’Est de Paris. Se vai começar a sua viagem do Expresso do Oriente em Paris não perca a oportunidade de visitar Paris. Vá mais cedo uns dias e visite uma das mais belas cidades do mundo e talvez a mais bela da Europa ocidental.
DICA – Se vai ficar alguns dias em Paris também pode ser vantajoso comprar o Paris City Pass, um passe que lhe permite entrar gratuitamente em mais de 60 monumentos e andar de transportes públicos. Faça as suas contas e decida a sua viagem no Expresso do Oriente.
De Paris rume a Munique, uma das cidades do sul da Alemanha e excelente para explorar no Expresso do Oriente. Munique é uma cidade média e em cerca de um ou dois dias poderá explorar os lugares mais emblemáticos da cidade no Expresso do Oriente.
Salzburgo é uma óptima paragem do Expresso do Oriente. Se não tem tempo para Munique e Sazburgo, opte por Salzburgo. A cidade nos Alpes encanta os viajantes há séculos e não só no Expresso do Oriente.
A capital da Austria é uma paragem incontornável do Expresso do Oriente. É uma das paragens mais míticas nesta viagem e, como tal, é obrigatória.
Budapeste é outra das cidades obrigatórias no Expresso do Oriente. Há quem inicie aqui a viagem e faça apenas a parte da Europa de Leste do Expresso do Oriente. Contudo, acreditamos que parte da mística da viagem é ligar o ocidente e o oriente por isso começar em Paris, se tiver tempo, é o que faz mais sentido.
Depois de desfrutar de Budapeste está na hora de rumar a Belgrado, na Sérvia. Belgrado é uma excelente cidade para começar a explorar os Balcãs e ganhar vontade para um dia regressar e explorar estes países da ex-Jugoslávia. Será muito mais do que o Expresso do Oriente.
De Belgrado, na Sérvia, a Sófia, na Bulgária, a viagem no Expresso do Oriente chega cada vez mais perto do oriente da Europa. Sófia é uma paragem obrigatória no Expresso do Oriente mas vale a pena visitar mais do que a capital da Bulgária.
Chegar a Istambul no final do Expresso do Oriente é uma sensação incrível de dever cumprido. Istambul é, para nós a cidade mais bonita do mundo e chegar ali no Expresso do Oriente é ouro sobre azul. Já estivemos quase 10 vezes em Istambul mas a primeira vez foi no final do Expresso do Oriente e, acreditem, não há melhor forma de chegar a esta magnífica cidade que de comboio.
Na nossa viagem a bordo do Expresso do Oriente fizemos três crónicas ficcionadas e romanceadas baseadas em factos reais. Foi um exercício de escrita criativa no Expresso do Oriente e que nunca mais voltamos a repetir aqui no blogue. Se gostarem de escrita criminal ao estilo do Expresso do Oriente podem ler as três crónicas aqui:
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Vania says:
Olá Carla e Rui,
Eu vou fazer uma viagem onde farei uma escala em Istambul e quero aproveitar para fazer o Expresso Oriente até Viena. Normalmente fazem o percurso no sentido contrário (Paris -> Istambul) por isso a minha dúvida é se existe algum constrangimento em fazer a viagem Istambul -> Paris.
Obrigada, boa viagem 😉
Carla Mota says:
Podes fazer sim, é exactamente igual.
Soraia Delgado says:
Bom dia,
Adorando os vossos destinos e a forma como vocês descrevem.
Vou em dezembro a bulgaria e estou sem conseguir informação do comboio noturno de Istambul Halkali e Sófia. O site que tento aceder nao deixa ter opção.
Podem me ajuda?
Obrigado 🙂
Tren says:
Gracias era justo la información que hacía tiempo para viajar en tren por Europa
Carla Mota says:
Obrigada. Aproveita o Expresso do Oriente.
Francisco Linhol says:
Ola Carla
Gostei muito deste artigo sobre a viagem “Expresso do oriente”.
Gostaria de lhe perguntar se em vez de comprar bilhetes por trajeto , se não ficara mais em conta adquirir o pass “EuroRail”, podendo viajar em qq hora e dia, dependendo apenas da quantidade de dias desse passe?
Carla Mota says:
Olá Francisco, penso que não fica mais barato porque na realidade fazes poucas viagens e não são muito longas. O preço também é muito acessível, especialmente depois de Budapeste.
Margarida says:
Olá Carla e Rui,
Gosto muito do vosso bog e instagram! Quem me dera poder fazer todas essas viagens e conhecer o mundo!
Estou a planear uma viagem inspirada no Expresso do Oriente e gostava de saber qual foi o orçamento para esta viagem.
Obrigada
Carla Mota says:
Olá Margarida, obrigada. Já fizemos esta viagem há algum tempo. Não me lembro bem, mas lembro-me que na altura tínhamos mesmo pouco dinheiro por isso imagino que terá sido por volta dos 1000€/pessoa no máximo porque caso contrário em lembrar-me-ia.
Hugo says:
Olá Carla e Rui. Vocês são fantásticos, conseguem fazer-nos viajar só de ler as vossas estórias. Conseguem saber se o trajeto de comboio Buda-Belg já funciona? Tentei selecionar no site e dá um erro. Obrigado e continuação de mais e mais viagens ??
Carla Mota says:
Não te sei dizer, desculpa.