Fazer a Great Ocean Walk é uma das experiências a não perder quando viajar na Austrália. A Great Ocean Walk é um percurso costeiro a sudoeste de Melbourne, entre Apollo Bay e Twelve Apostles, num total de cerca de 115 km, e é uma das caminhadas mais conceituadas do mundo. A paisagem ao longo do percurso da Great Ocean Walk é imponente e diversificada, desde as florestas de eucalipto do Great Otway National Park, até às falésias e formações rochosas esculpidas pela água, passando por praias desertas e restos de naufrágios.

CONTEÚDOS DO ARTIGO
A costa sudoeste do estado de Vitória é banhada pelo Estreito de Bass, localizado entre a Austrália “continental” e a Tasmânia. É uma costa selvagem, dominada por falésias abruptas, baixios rochosos e praias batidas por ondas que varrem uma enorme zona marítima onde convergem os Oceanos Índico, Pacífico e Austral. As baleias são também uma visão frequente nesta costa da Great Ocean Walk entre Maio e Setembro, quando os grandes cetáceos chegam vindos da Antárctida em busca de águas menos frias. Fazer a Great Ocean Walk permite-nos desfrutar da paisagem e sentir a natureza deste pedacinho da imensa costa australiana de uma forma intensa e memorável.
Fazer a Great Ocean Walk por conta própria significa que vai percorrer mais de 100 km ao longo da costa australiana, em total autonomia, ou seja tem de transportar consigo tudo o que vai precisar para esses dias na Great Ocean Walk. O percurso da Great Ocean Walk está bem marcado, e desenrola-se ao longo de floresta, topo de falésias e praias (há uma secção também em estrada de terra batida). A Great Ocean Walk está dividido em 8 etapas, no fim das quais há um acampamento (os tempos são meramente indicativos, pois depende do ritmo de cada um, das paragens e das fotografias que se tira):
O percurso da Great Ocean Walk é sempre no sentido de Apollo Bay para oeste, e pode ser feito fazendo uma etapa por dia, ou juntando etapas. A primeira opção tem a vantagem de que se faz menos quilómetros por dia, mas aumenta o número de dias no total, aumentando a quantidade de comida que se tem de levar. A segunda opção diminui a carga de dias, mas aumenta o número de quilómetros a fazer por dia na Great Ocean Walk. Nós fizemos o percurso em 5 dias, juntando as etapas 1 e 2, 3 e 4, e 5 e 6. No entanto, este último dia foi muito duro e não se justifica. Sendo assim, aconselhamos a seguinte distribuição:
Os acampamentos na Great Ocean Walk são básicos, onde terá casas-de-banho sem chuveiro, com apenas sanitas de compostagem (sem autoclismo). Há tanques que recolhem a água da chuva e é essa água que usará para beber e cozinhar na Great Ocean Walk (no entanto, na água para beber deverá usar pastilhas purificadoras), não havendo outros pontos de acesso a água durante a caminhada. A permanência nos acampamentos da Great Ocean Walk só é permitida mediante permissão e reserva online (ver mais abaixo).
DICA – O mapa e guia oficial da Great Ocean Walk pode ser adquirido no Apollo Bay Visitor Information Centre (abre às 9.00h e fecha às 17.00h).
NOTA: Durante o percurso, haverá alguns pontos de decisão (sinalizados com cartazes) em que terá de optar entre caminhar pela praia ou pelo topo das falésias. Regra geral, os percursos da Great Ocean Walk pelas praias só devem ser feitos na maré baixa, ou quando o estado do mar está calmo, pois poderá ver-se encurralado entre a água e as paredes das falésias.
Para quem não quer ficar nos acampamentos e deseja mais algum conforto, há algumas empresas, como a Walk 91 e a Raw Travel, que organizam o itinerário da Great Ocean Walk, com serviço de pick-up e drop-off nos hotéis ou guesthouses, e nos pontos inicial e final das caminhadas. É, no entanto, um serviço caro e pensamos que não vale a pena pois acaba por ficar a meio entre as duas principais opções, sem a aventura de fazer a Great Ocean Walk em autonomia, e sem a liberdade de fazer a Great Ocean Walk por conta própria, em percursos diários, deslocando-se em carro próprio.
Enquanto fazer a Great Ocean Walk por completo, como nós o fizemos, é a melhor opção, também é possível fazer uma série de pequenos trilhos ou percursos de um dia, e deslocar-se em veículo próprio. Não é a aventura de fazer o percurso todo da Great Ocean Walk, mas ficará com uma boa ideia do terreno e poderá desfrutar de alguns belos passeios (faremos algumas sugestões no final do artigo).
Se vai fazer a Great Ocean Walk em autonomia, significa que vai ter de preparar convenientemente a sua caminhada. Isso incluiu planear os transportes, o material a levar, as dormidas, e o seguro de viagem.
A Great Ocean Walk está aberta o ano todo, mas durante os meses de Verão o calor é muito e será bastante exigente em termos de água, tanto para caminhar (por causa do peso), assim como em arranjar água nos acampamentos. À partida, mesmo no Verão, os tanques recolectores de água na Great Ocean Walk da chuva terão água, mas estes não são fornecidos se houver pouca chuva. Não é, assim, certo que todos os tanques tenham água em épocas secas. Aconselhamos fazer a Great Ocean Walk nos meses mais frescos de Outubro-Novembro e Fevereiro-Abril.
O primeiro ponto que terá de tratar para fazer a Great Ocean Walk é a questão dos transportes, isto é, como chegar ao início da caminhada. Deverá chegar à região a partir da cidade de Melbourne.
A partir daí, a opção que lhe dará mais autonomia, e que lhe permitirá fazer também a Great Ocean Road por conta própria, é alugar carro.
Se não quiser alugar carro na Great Ocean Walk, terá de se deslocar em transportes públicos. Conte com um dia completo para a deslocação de Melbourne até ao seu destino final. De comboio, deverá ir desde a Southern Cross Station, em Melbourne, até Geelong. Dali, deverá ir de autocarro até Apollo Bay, Princetown ou Port Campbell, conforme o seu destino (mas terá de mudar de autocarro em Apollo Bay para os dois últimos).
NOTA: O autocarro entre Port Campbell e Apollo Bay só opera às Segundas, Quartas e Sextas (de Apollo Bay até Geelong é diário), sendo que parte de Port Campbell às 9.45h, passa por Princetown às 10.45h e chega a Apollo Bay às 12.00h.
Pode consultar o horário completo entre Warrnambool e Melbourne (autocarro + comboio) aqui.
Para fazer a Great Ocean Walk em autonomia, terá de carregar tudo o que necessita para 5 a 8 dias no terreno. Para fazer compras de tudo o que necessita, terá de o fazer em grandes superfícies, tanto para a comida como para o material de campismo. Há várias nos arredores de Melbourne, mas também as há ao longo do caminho, por exemplo na cidade de Geelong.
O material necessário para fazer a Great ocean Walk inclui:
NOTA: Ao longo da Great Ocean Walk não existem caixotes do lixo, mesmo nos acampamentos. Isto significa que terá de carregar o lixo que produz durante esses dias na Great Ocean Walk. Leve um ou dois sacos plásticos para esse efeito.
Há sete acampamentos ao longo da Great Ocean Walk onde poderá montar a sua tenda, nomeadamente, Elliott Ridge, Blanket Bay, Cape Otway, Aire River, Johanna Beach, Ryans Den e Devils Kitchen. Mas tem de fazer o planeamento do itinerário antecipadamente, pois deverá marcar (e pagar) online. Nós ficámos em quatro acampamentos (Blanket Bay, Aire River, Ryans Den e Devils Kitchen) e pagámos, no total, 90 AUD (cerca de 50€).
Cada um dos acampamentos da Great Ocean Walk que ficamos tem 8 sítios para acampamento individual (1 tenda para 3 pessoas por sítio), e em 4 deles ( Elliott Ridge, Blanket Bay, Cape Otway, Aire River) há espaços para acampamento de grupos (6 tendas de 3 pessoas por espaço). No entanto, deve marcar com a devida antecedência para reservar o seu lugar.
Receberá, por fim, um email da entidade responsável pela gestão dos Parques Nacionais de Vitória (info@parks.vic.gov.au) com a confirmação da reserva e respectiva permissão.
Viajar na Austrália não exige seguro de viagem mas é aconselhável fazê-lo principalmente porque vai deslocar-se frequentemente e fazer actividades na natureza. Numa caminhada como a Great Ocean Walk, consideramos essencial ter seguro de viagem. A maior parte do percurso não tem rede de telemóvel nem contacto com nenhuma estrada e não tem caminhos de saída. No entanto, há alguns pontos de acesso a veículos (por exemplo, parques automóveis de acesso a algumas praias), onde poderá sair do trilho, se for necessário, e pedir ajuda ou chamar um transporte (esses pontos estão sinalizados no mapa acima).
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NOTA: A Austrália é conhecida pela sua vida selvagem, nomeadamente as cobras, e a Great Ocean Walk não é excepção. Passámos ao lado de várias cobras de grande dimensão (que se afastaram sempre), por isso caminhe sempre com precaução e observando onde coloca os pés.
A IATI tem um seguro que é especial para viagens na Austrália. Este novo seguro cobre actividades como cicloturismo, trilhos, roadtrips, autocaravana, campers, etc. O cancelamento da viagem por conta do Covid-19 não está coberto (se fizer apenas o seguro simples) por se tratar de uma pandemia, mas todos os seguros da IATI cobrem tratamento por contágio por coronavírus e essa informação consta no certificado da apólice, já que alguns países pedem um seguro obrigatório com esta cobertura. Porém, se fizer o seguro do pack de seguro de viagem + seguro de cancelamento opcional, este cobre o cancelamento da viagem caso o segurado, seus pais ou filhos testem positivo para COVID-19. E além disso, o seguro IATI Cancelamento também tem esta causa coberta. Sendo assim, este é claramente, o melhor seguro do mercado neste momento. Pode fazer o teu seguro IATI ESCAPADINHAS aqui com 5% de desconto.
Estes são os números de emergência que deve ter consigo no telemóvel para a Great Ocean Walk.
Antes e depois de fazer a Great Ocean Walk, deverá alojar-se no ponto de partida e/ou de chegada. Há várias hipóteses, mas as localidades mais óbvias são Apollo Bay (ponto de partida da Great Ocean Walk), Princetown e Port Campbell, ambas a alguns quilómetros de Twelve Apostles, o ponto de chegada da Great Ocean Walk (Princetown, antes, e Port Campbell, depois).
Se ficar alojado em Apollo Bay na Great Ocean Walk, estará já lá para começar a fazer a Great Ocean Walk; terá de apanhar um transporte de volta no final. Se ficar alojado em Princetown ou Port Campbell, terá de apanhar um transporte na manhã do primeiro dia para Apollo Bay, para depois começar a fazer a Great Ocean Walk. No final do percurso da Great Ocean Walk, terá de apanhar um transporte de Twelve Apostles para Port Campbell ou para Princetown (neste último caso, poderá fazer o percurso de volta a Princetown a pé).
Nós ficámos alojados em Princetown e no primeiro dia da Great Ocean Walk apanhámos um táxi de manhã cedo até Apollo Bay (contacto: Lee Bryant, da GoWalk Transfers; Tel: 0458 909 347; e-mail: albee287@gmail.com) . O autocarro não era opção para nós, pois este chegava ao meio-dia e era tarde para nós conseguirmos fazer as duas etapas que estavam programadas para esse dia. No final da Great Ocean Walk, em Twelve Apostles, arranjámos uma boleia de um senhor muito simpático que nos trouxe de volta a Princetown.
Apollo Bay é uma pequena cidade com pouco mais de 1000 habitantes, mas é uma das maiores na Great Ocean Road. Tem boas infraestruturas para o turismo e é um dos melhores locais para se ficar alojado no início ou no final da Great Ocean Walk, com uma boa oferta em termos de alojamento barato.
Princetown é uma pequena aldeia, basicamente uma saída na Great Ocean Road, mas tem a grande vantagem da sua localização, sendo o sítio mais perto de Twelve Apostles com infraestruturas para visitantes.
Nós ficámos alojados no 13th Apostle Backpackers, uma excelente opção, com quartos duplos e dormitórios (todos com casa-de-banho partilhada). Foi lá que deixámos o nosso carro durante a Great Ocean Walk (sem pagar nada graças à simpatia da recepção) e dormimos lá 1 noite antes da caminhada e outra noite após a caminhada da Great Ocean Walk. Mas há outras boas opções em Princetown, como o Arabella Country House, o Clifton Beach Lodge, ou o 12 Apostles Cottages.
Port Campbell é uma aldeia costeira, a 15 quilómetros de Twelve Apostles, e que constitui uma boa base para fazer a Great Ocean Walk. Tem uma história muito relacionada com alguns naufrágios famosos, dos muitos que ocorreram na costa agreste entre Cape Otway e Port Fairy, dominada por rochas escondidas e nevoeiro frequente.
A Great Ocean Walk acabou por ficar para uma segunda visita à Austrália, juntamente com a Tasmânia, depois de termos viajado nas Filipinas. Foram 5 dias especiais na Great Ocean Walk, sem rede de telemóvel, sem internet, sem contacto com o exterior, em que deixámos o mundo para trás e vivemos apenas para caminhar, apreciar a paisagem e montar/desmontar acampamento. No final desses dias na Great Ocean Walk, demo-nos conta que o mundo estava a mudar, e a Great Ocean Walk ficaria para sempre na nossa memória como os últimos dias da nossa viagem de Volta ao Mundo sem o espectro da ameaça do coronavírus.
O primeiro dia na Great Ocean Walk foi um dia duro, de jornada dupla, pois ainda estávamos a ganhar ritmo e as mochilas estavam com o peso máximo (ao longo dos dias foi diminuindo…). Mas tivemos a nossa recompensa, ao ficarmos acampados com vista para o mar na Great Ocean Walk.
Saímos do Visitor Information Centre de Apollo Bay (que ainda não estava aberto…) por volta das 8.30h. Fizemos um curto percurso urbano até ao Car Park, passando pelo Golf Club, para finalmente chegarmos à beira-mar. O céu estava pouco nublado, mas havia muito vento, e as nuvens e o frio foram aumentando ao longo da manhã na Great Ocean Walk.
De Apollo Bay seguimos para Mounts Bay, e depois Cape Marengo, num percurso pelos arredores de Apollo Bay, passando inclusive pelo meio de um parque de campismo. A partir dali, deixámos a civilização para trás. Seria a última vez que víamos casas nos próximos dias. As praias que se seguiriam eram bonitas, mas com bastante rocha. Ao aceder a uma, tivemos o nosso primeiro encontro com répteis de grande dimensão na Great Ocean Walk!
Ali, também encontramos os primeiros “Decision Points” (Storm Point e Bald Hill), onde se deve ter em atenção as marés e as instruções dos cartazes aí colocados.
Chegámos então a Shelly Beach, uma pequena mas bela praia, e depois subimos para chegar ao Elliot Ridge GOW Campground, por volta das 12h, onde parámos para almoçar na Great Ocean Walk.
Depois de almoço, o caminho afastou-se do mar e enveredámos por trilhos de floresta, e em subida na Great Ocean Walk.
Passámos pela Parker Spur Road e pelo Blanket Bay Track (segundo encontro com cobras!), para depois iniciarmos a descida pelo Telegraph Track e aí tivemos o nosso primeiro encontro, em ambiente selvagem, com um coala, que estava a dormir no cimo de uma árvore e que nós o ouvimos a ressonar!
Por volta das 16.30h, chegámos ao Blanket Bay GOW Campground, com vista para uma bela praia e para o mar. O acampamento tinha uma secção dedicada aos caminhantes da Great Ocean Walk (GOW) e outra para pessoas que chegam lá de carro, e estava praticamente cheio.
A noite foi muito ventosa e fria na Great Ocean Walk, e com chuva por vezes intensa. Cozinhamos e comemos dentro da tenda, com uma vista fabulosa sobre a praia e o mar.
De manhã, ainda com o céu um pouco nublado, pudemos admirar, de dentro da nossa tenda, um fabuloso nascer-do-sol na Great Ocean Walk.
No segundo dia na Great Ocean Walk já estávamos mais habituados à caminhada, e as mochilas estavam um pouco mais leves. O dia foi marcado pela vida selvagem, quando cangurus e coalas fizeram as nossas delícias.
Começámos a caminhar na Great Ocean Walk por volta das 8.30h, mas antes disso tínhamos de aquecer água para o chá, tomar o pequeno-almoço, desmontar a tenda, e arrumar as mochilas. O céu estava pouco nublado, depois de uma noite chuvosa, e um pouco frio, mas ao longo do dia o tempo ficaria mais quente. Começámos o dia na Great Ocean Walk a subir, e visitámos um lookout a 270 m do trilho, logo à saída do acampamento, e aí vimos um canguru pela primeira vez no caminho!
Dali, descemos para Parker Inlet, uma bela praia rodeada de falésias, e depois subimos para Parker Hill (novo encontro com cobras!). Mais à frente, passámos pela Crayfish Bay, uma baía de águas de azul-turquesa, onde uma família, pai e filhos pequenos, se dedicavam à pesca submarina.
Chegámos depois a Cape Otway Lightstation, construído em 1848 e o farol mais antigo da Austrália, o sítio onde encontrávamos mais pessoas no trilho até então. O farol localizado num complexo turístico (entrada: 19,5 AUD) onde há várias actividades, em especial para os mais novos, relacionadas com a história do farol e a vigilância e defesa da costa sudoeste australiana, em particular durante a Segunda Guerra Mundial. Seguimos em frente até ao Cape Otway GOW Campground, onde chegámos por volta das 12.15h, e onde almoçámos.
Depois de almoço, seguimos para Station Beach, onde iniciámos um percurso de 3 km ao longo da praia, numa bela secção da caminhada. É difícil caminhar na areia,com as mochilas cheias e pesadas, mas tudo é recompensado pela paisagem e serenidade comunicada pelo mar e pelo sol que agora dava ares da sua graça.
A seguir, tivemos de abandonar a praia e subir de volta às falésias. Passámos por vários lookouts, com belas vistas, sendo o mais impressionante o Escarpment Lookout, sobre o rio Aire e a magnífica praia na sua foz.
O trilho diverge a dada altura para ir até à praia, mas nós já não tínhamos tempo e resolvemos avançar em direcção ao acampamento. Durante a descida vimos mais um canguru e, depois de atravessar a ponte sobre o rio, chegámos ao Aire River GOW Campsite, por volta das 17.30h.
Montámos a tenda (numa secção geral, sem ser dedicada ao GOW, mas mais bonita) e tivemos uma bela surpresa ao encontrarmos 5 coalas amorosos numa árvore! A noite foi muito fria e com muita humidade.
O terceiro dia foi o dia mais duro da nossa Great Ocean Walk. Foram duas jornadas muito duras, com o final do dia a ser extenuante. Não recomendamos a fazer desta forma, pois a distância a ser percorrida é superior à oficial. Neste dia fizemos cerca de 32 km!
Sabíamos que tínhamos um longo dia pela frente, por isso começámos a caminhar por volta das 7.30h. Quando partimos, tivemos a companhia de chuva ligeira, que acabaria passada meia-hora, mas o céu manter-se-ia nublado o dia todo. O trilho começa a subir bastante logo no início, e depois segue aos altos e baixos pelo topo das falésias.
Chegámos então a Castle Cove, um lookout com acesso a carros e onde várias pessoas se aglomeravam. A seguir, prosseguimos por uma floresta com abetos gigantes de aspecto jurássico, e finalmente chegámos a a Johanna Beach, onde caminhámos pela praia durante cerca de 2 km.
Aí, tivemos de cruzar a pé o Johanna river, com pouca profundidade mas com alguns metros de largura, ou seja, tivemos de molhar os pés!
Finalmente, chegámos ao Johanna Beach campsite, por volta das 12h, onde almoçámos e secámos as botas e meias.
Dali, seguimos por colinas verdejantes e meandros do rio, por um caminho que já foi de acesso a carros. A partir dali, passámos por um bloqueio do caminho e entrámos numa estrada de terra batida, que se manteria connosco durante 9 km(!), naquela que consideramos a parte menos bonita de toda a Great Ocean Walk.
Como recompensa, no final da estrada, encontrámos uma quinta orgânica, onde o dono oferecia água e vendia compota (por donativo), com direito a guarita com um boneco!
Dali, passámos um gradeamento, e começámos a descida para Milanesia Beach, onde andámos cerca de 500m, e onde vimos uma formações rochosas feitas de arenitos com blocos esferoidais muito curiosos. Ali havia mais um Decision Point, e decidmos ir por dentro, mas depois demo-nos conta que teria sido melhor ir pela praia.
Percorremos cerca de 1 km entre amoras (para deleite da Carla!) até descer para uma pequena ponte e depois foram 4km sempre a subir e descer, até chegarmos a um passadiço em escadas em madeira.
Estávamos exaustos e parecia que o esforço não tinha fim! Finalmente, por volta das 18.15h, chegávamos ao Ryan’s Den campsite, com um excelente lookout, ideal para assistir ao pôr-do-sol ou jantar.
No entanto, já estava ocupado por um grupo de jovens, por isso acabámos por jantar junto à tenda. A noite não teve vento nem foi muito fria, mas continuávamos a sentir muito o chão duro e frio (mesmo com os isoladores)!
No quarto dia, o bom tempo e o sol finalmente vieram para ficar. Num dia de só uma jornada, pela primeira vez na nossa Great Ocean Walk, pudemos desfrutar do caminho e fazer as coisas mais devagar.
Dormimos até um pouco mais tarde para recuperarmos do esforço do dia anterior e começámos a andar por volta das 9.30h. Seguimos pelo topo da falésia e avistámos 2 cangurus, incluindo um no lookout do acampamento!
Foram cerca de 7 km de floresta até chegarmos a Moonlight Head, um promontório, a partir de onde nos afastámos do mar.
Passámos por uma fazenda, onde vimos pela primeira vez no trilho uma área extensa desflorestada, mas depois enveredámos novamente por uma zona com floresta, onde voltámos a avistar um canguru.
Passámos então pelo The Gables Lookout, numa das falésias mais altas da Austrália, e de onde se conseguem avistar baleias de Junho a Setembro.
Finalmente, chegámos a Wreck Beach por volta das 13h30, onde almoçámos. Não tínhamos a certeza se iria ser possível fazer o percurso pela praia, por isso acabámos por almoçar na escadaria, antes de chegar à praia!
No decision point, e após consultarmos as condições do mar e da praia, decidimos seguir pela praia. Caminhámos cerca de 2 km pela praia, e passámos por alguns rochedos e sinais de naufrágios, fazendo jus ao nome da praia!
A seguir, estava na altura de subir. A visão de baixo desencorajava, mas lentamente fizemos os cerca de 1,5 km de subida até chegarmos ao Devil’s Kitchen GOW Campsite, por volta das 15.30h. Tivemos assim muito tempo para descansar, lanchar e “reclamar” para nós um excelente lookout no acampamento para assistir ao pôr-do-sol.
Jantámos e, como em todos os dias anteriores, recolhemos à cama pouco depois do anoitecer. Depois do sol se pôr, o frio instalava-se e como não havia mais nada para fazer, metíamo-nos no saco-cama e íamos dormir. A noite, para não variar, foi bastante fria. Era a nossa última na Great Ocean Walk.
O último dia foi marcado, como não podia deixar de ser, pelo atingir do final, e pela beleza dos Twelve Apostles, assim como a estranheza de, passados cinco dias quase isolados, voltar a encontrar um sítio turístico com tanta gente (e o mundo diferente).
O sol voltou a agraciar-nos com a sua presença durante todo o dia e, principalmente de tarde, tivemos um gostinho do que será fazer a Great Ocean Walk no calor do Verão. Começámos a caminhar por volta das 8.15h, pelo topo das falésias, com vegetação alta e árvores. Passámos por vários lookouts, incluindo o Anne and Geg Lookout, e vimos 3 cangurus.
Chegámos ao Gellibrand River e respectiva praia, numa das paisagens mais bonitas de todo o trilho. Não fomos à praia, pois não tínhamos tempo para esse desvio, e seguimos pelo Latrobe Creek (onde nos enganámos no caminho pela primeira e única vez na Great Ocean Walk!), até chegarmos a
Princetown. Resolvemos fazer um pequeno desvio para chegar ao nosso hostel, esvaziar as mochilas de tudo que não fosse essencial e aí almoçar, por volta das 12.00h.
A caminhada da parte da tarde custou-nos um pouco, talvez pelo facto de estarmos já em clima de final de caminhada, mas principalmente pelo calor que se fazia sentir. Além disso, o trilho, pelo cimo das falésias, era muito exposto ao sol. Passámos pela bela Clifton Beach e, finalmente, chegávamos ao Walk Victoria’s Icons Lookout, um marco na Great Ocean Walk e de onde se pode admirar alguns dos Twelve Apostles.
Mais à frente, encontrámos os famosos Gibson Steps, um caminho que dá acesso ao mar descendo pela falésia. Quando nós estivemos lá, o acesso à praia estava fechado, mas os Gibson Steps (construídos por um proprietário local no século XIX) vão desde o topo da falésia até à Gibson Beach, proporcionando vistas fabulosas da costa.
Finalmente, chegávamos ao fim da Great Ocean Walk, o 12 Apostles Visitor Centre, onde pode refrescar-se com uma bebida e preparar-se para conhecer mais de perto os “12 Apóstolos”, formações rochosas conhecidas anteriormente como “A Porca e os Leitões”, mas cujo nome foi mudado, nos anos 60, para 12 Apóstolos (mais atractivo para o turismo…), embora seja difícil ver como é que podem ser 12… GRITAMOS DE CONTENTAMENTO!
A partir do Twelve Apostles Visitor Centre, através de um túnel que passa por baixo da Great Ocean Road, terá acesso às plataformas de visualização destas famosas formações rochosas. Estava concluída assim, com chave de ouro, a nossa Great Ocean Walk.
Se não tiver oportunidade, ou não quiser fazer a Great Ocean Walk por completo, apresentamos a seguir alguns percursos curtos e de um dia, que poderá fazer ao longo da Great Ocean Walk. Em alguns deles, principalmente no caso de percursos lineares de um dia completo, precisará de dois carros (um para ficar no fim e o outro para deixar no início) ou de uma boleia ou transporte.
Distância: 2.4km ida e volta (percurso circular)
Duração: 1 h
Início e fim: Shelley Beach Picnic Area
Dificuldade: Fácil
Distância: 2.8km ida e volta (percurso circular)
Duração: 1,5 h
Início e fim: Cape Otway Light-Station Carpark
Dificuldade: Fácil
Distância: 4,2 km ida e volta (percurso circular)
Duração: 2,5 h
Início e fim: Aire River Bridge
Dificuldade: Moderada
Distância: 800 m ida e volta (percurso circular)
Duração: 20 min
Início e fim: The Gable Car-park
Dificuldade: Fácil
Distância: 2,1 km ida e volta (percurso circular)
Duração: 2 h
Início e fim: Wreck Beach
Dificuldade: Moderada/Difícil
Distância: 4,7 km
Duração: 2,5 h
Início / fim: Marengo caravan park / Shelley Beach picnic area
Dificuldade: Moderada
Distância: 4,5 km
Duração: 2,5 h
Início / fim: Blanket Bay camp ground / Parker Inlet
Dificuldade: Moderada
Distância: 9,3 km
Duração: 5 h
Início / fim: Cape Otway / Aire River
Dificuldade: Moderada
Distância: 13 km
Duração: 5 h
Início / fim: Aire River information shelter / Johanna Beach camp ground
Dificuldade: Moderada
Distância: 10,4 km
Duração: 5 h
Início / fim: Milanesia Creek / Moonlight Head
Dificuldade: Moderada
Este artigo foi realizado durante a nossa viagem de Volta ao Mundo em 2019/2020. Dias 242 a 246 – Fazer a GREAT OCEAN WALK, uma experiência a não perder para os amantes da natureza (Mar 2020)
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claudio says:
Olá a todos, parabéns mais uma vez pelo vosso site e pelas vossas viagens. Morro de inveja vossas (era um pouco como voces mas o nascimentos de duas crias mudou-me o estilo de vida:).
Mas vamos ao que interessa…acampar na Austrália, pais de cobras e aranhas mais venenosas, não vos fez confusão? é seguro?
Carla Mota says:
Mete impressão mesmo, especialmente as cobras. Há que tomar alguns cuidados, nos trilhos, mas especialmente nos campings. As tendas devem estar sempre fechadas e as botas de caminhada., nunca devem ficar fora da tenda. Depois, há que descontrair e desfrutar. No início faz mais impressão. Eu tenho fobia de cobras e consegui. 😉 Custa menos do que o que parece.