A noite na yurt foi surpreendentemente fresca e, por isso, relaxante. Até tivemos de nos cobrir de noite, o que é uma novidade na viagem! Depois de tomarmos o pequeno-almoço, demos um passeio por aquele que já foi o fundo do Mar Aral, junto à cidade de Moynaq.
Nós já lá tínhamos estado, mas o resto dos Carapaus geógrafos estavam claramente impressionados com esta tragédia ambiental. Os barcos abandonados à sua sorte, enferrujados e acompanhados de gado que pasta, são uma imagem difícil de esquecer naquele lugar que já foi cheio de água e vida.
A seguir, visitámos o museu de Moynaq. Muito simples, com um acervo muito limitado, mas constituindo um passo importante na explicação do que aconteceu e, mais importante, na tentativa de reversão da situação, de modo que Moynaq possa ver de volta as águas do Mar Aral. Não sabemos se será possível, dada a importância da cultura do algodão no Uzbequistão, mas o turismo e a divulgação deste desastre ambiental poderá ser um pequeno passo na direcção certa.
Tínhamos, no entanto, de deixar Moynaq e de continuar em direcção a Khiva. Voltamos a fazer o percurso até Nukus e depois seguimos para sul. Khiva é um autêntico museu a céu aberto, e não podíamos deixar de lá passar, pela segunda vez para três dos Carapaus. A estrada foi piorando conforme íamos avançando e, como o Turquemenistão estava mesmo ali ao lado, brincávamos que, se calhar, tínhamos atravessado a fronteira sem querer! Mesmo assim, lá conseguimos chegar a Khiva ao final da tarde.
Depois de fazermos o check-in no hotel, aproveitámos o final da tarde e o pôr-do-sol para apreciar as cores fabulosas nas muralhas, mesquitas e minaretes da cidade. Fabuloso!
Khiva ia ser para nós o que outrora foi para os comerciantes que percorriam a Rota da Seda, um lugar de descanso, de repouso e de relaxamento. Era altura de explorar esta bonita cidade, com um núcleo histórico muralhado, surpreendentemente preservado. Ali já se vêem bastantes turistas, num país cada vez mais aberto ao exterior.
Os espanhóis e franceses imperam, mas também vimos várias equipas do Rally Mongol. É interessante conversar com elas, saber que percursos tomaram, que carros têm, ouvir as peripécias, desventuras e pontos altos das suas viagens. Khiva foi a cidade, até agora, onde nos cruzamos com mais equipas.
Parece que a Rota da Seda continua viva, transfigurada, mas percorrendo os mesmos territórios, e servindo a sua função mais básica, ligar povos de culturas muito diferentes que, através da diferença, aprendem a respeitar-se mutuamente. E, para além disso, continua a ser uma grande aventura!
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