Visitar Dili e Timor-Leste era um ponto importante na primeira parte do itinerário da nossa volta ao mundo, um país muito próximo dos nossos corações, antiga colónia portuguesa, anexada pela Indonésia após a revolução do 25 de Abril em Portugal, e cuja independência foi conquistada a ferro e fogo há apenas 20 anos. A nossa viagem entrava numa nova fase.
Juntando o útil ao agradável, tínhamos estado dois meses na Indonésia, e agora tínhamos de sair do país para poder depois voltar a entrar, de forma a ter direito a usufruir de mais 60 dias do visto de múltiplas entradas que tínhamos obtido ainda em Portugal.
Timor-Leste era, para nós, uma incógnita, mas tínhamos muitas expectativas. Infelizmente, acabámos por chegar à conclusão que reservámos poucos dias para Timor-Leste. Apesar de as distâncias não serem muito grandes, a verdade é que as estradas fora de Dili continuam a estar em más condições (apesar de haver um esforço recente de construção e renovação), fazendo com que os tempos de deslocação dentro da ilha sejam muito longos.
Como tínhamos voo marcado de Kupang para Sulawesi, os nossos dias em Timor-Leste estavam contados, por isso tínhamos de fazer opções. Se tentássemos visitar outras cidades, como Baucau, ou ir à ilha de Jaco, ficaríamos sem tempo para mais nada, por isso, e para ficarmos com uma ideia mais variada de Timor-Leste, para além de Dili, resolvemos visitar a ilha de Atauro, famosa pelos seus corais e comunidades tradicionais, e o enclave de Oecusse, em Timor Ocidental, ao qual chegaríamos de barco a partir de Dili.
Estava assim delineado o nosso itinerário em Timor-Leste. Não era perfeito, pois deveríamos ter dedicado muitos mais dias a este país, mas era o possível dentro dos nossos limites. Fica a promessa de regressarmos um dia para explorarmos o resto de Timor-Leste.
No total, passámos três dias em Dili, que deu para conhecer bem a capital de Timor-Leste. Ficam aqui as nossas dicas para visitar Dili.
O aeroporto internacional Nicolau Lobato é o principal ponto de entrada em Díli, e em Timor-Leste. Há ligações frequentes entre Díli e Denpasar, em Bali, e Darwin, na Austrália. Também há voos entre Kupang, em Timor Ocidental, e Díli, mas não todos os dias.
Uma opção mais barata é voar para Kupang, e depois entrar em Timor-Leste por terra, como nós fizemos. Há ligações directas de autocarro Kupang – Díli, com mudança de veículo na fronteira (junto ao mar, perto da cidade indonésia de Atambua).
O transporte foi buscar-nos ao hotel de Kupang cerca das 5.30h da manhã, e depois fomos recolher mais passageiros. Passámos a seguir pelo escritório da empresa (onde tínhamos comprado os bilhetes no dia anterior), onde trocámos de veículo, e saímos de Kupang cerca das 6.30h. A carrinha leva 10 passageiros e faz o percurso entre Kupang e a fronteira com Timor-Leste, perto da cidade de Atambua, demorando cerca de 5 horas.
As formalidades na fronteira foram rápidas (os cidadãos portugueses não precisam de visto para estadias inferiores a 90 dias) e, do outro lado, um novo veículo da empresa leva-nos até Díli, demorando cerca de 4 horas. Demora um dia inteiro a chegar a Díli, mas é uma opção económica; o preço do bilhete da ligação Kupang – Dili é de 225.000 rupias por pessoa (cerca de 15€).
Ainda outra opção, mais alternativa, é entrar no enclave de Timor-Leste de Oecusse, na costa norte de Timor Ocidental, passar uns dias a explorar a primeira capital do território português na ilha, e depois apanhar um barco que o levará até ao porto de Díli. Nós optámos por esta alternativa (no sentido inverso) quando dissemos adeus a Díli.
Viajámos no ferry Success, que parte às três da tarde do porto de Díli, às Terças e Sextas, demorando cerca de 12 horas a chegar ao porto de Pante Macasssar, em Oecusse, de onde volta a partir, à mesma hora, nos dias seguintes. Este ferry foi o mesmo que usámos na ligação entre Díli e a ilha de Atauro, à Quinta-Feira.
Outro ferry, o Nakroma, parte de Díli em direcção a Oecusse às Segundas e Quintas, e faz a ligação entre Díli e Atauro aos Sábados.
Existem táxis que o podem levar a qualquer lado em Díli e arredores, mas a opção mais económica é usar o sistema de mikrolets, mini-vans que percorrem rotas fixas dentro da cidade. O preço de uma viagem é 25 centavos.
A melhor forma de explorar Díli é, no entanto, a pé. As principais atracções estão localizadas no centro da cidade e as distâncias são adequadas para serem percorridas a pé. Não se esqueça do protector solar e de beber água.
Fora de Díli, pode deslocar-se em carro, ou moto, próprio ou alugado, mas as estradas estão em más condições, fazendo com que as deslocações para qualquer cidade demorem muito mais tempo do que a mera quilometragem poderia indicar. Pode também usar os transportes colectivos, designados biskotas, mas deve ter em atenção que são muito lentos, e com horários muito flexíveis, partindo apenas quando (muito!) cheios.
Díli é uma cidade em mudança, e isso nota-se nas opções de alojamento. Existem novos estabelecimentos a surgir, mas o melhor lugar para se alojar em Dili continua a ser o clássico Hotel Timor, cheio de carisma e de história (foi ali, por exemplo, onde foram anunciados os resultados do referendo de 30 de Agosto de 1999, que acabaria por decidir a independência de Timor-Leste).
Localizado centralmente, em frente ao porto, é uma verdadeira instituição na cidade e um verdadeiro ponto de encontro de viajantes e expatriados. Tem um bom restaurante, que serve comida portuguesa e a loja da Timor Telekom é logo ao lado (conveniente para comprar um cartão SIM local), assim como uma boa farmácia. Pode marcar a sua estadia aqui.
Outras opções clássicas são o Plaza Hotel, bem no centro de Dili, ou o Timor Plaza Hotel & Apartments, perto do aeroporto.
Se estiver interessado em alojamentos mais baratos, e onde também poderá encontrar viajantes com quem trocar impressões e até juntar-se para uma viagem em Timor-Leste, experimente o Hostel da Terra ou o Timor Backpackers. Nós ficámos alojados no primeiro e gostámos muito, principalmente das pessoas que conhecemos lá.
Se estiver mais inclinado para a praia e actividades subaquáticas, experimente uma das seguintes opções: o Beach Garden Hotel, ou o Hotel Esplanada, onde pode encontrar uma agência de viagens que organiza tours em Timor-Leste.
Capital de um país recém-nascido, e antiga capital do Timor-Leste português, Dili é uma cidade em mudança e o motor da economia timorense. Visitar Dili é uma óptima introdução ao país e à alma dos timorenses.
A história recente de Timor-Leste, em particular desde a anexação pela Indonésia em 1975, é o foco deste excelente museu, onde se pode ficar a compreender melhor a luta deste povo tantas vezes negligenciado.
Muito bem organizado, apelativo e informativo, é um dos locais a não perder quando visitar Dili, para se perceber a alma, às vezes um pouco triste, dos timorenses.
Max Stahl foi o jornalista que filmou o massacre ocorrido no cemitério de Santa Cruz em 1991, e hoje vive em Dili, desenvolvendo o seu trabalho no sentido de organizar um arquivo nacional multimédia.
Quando nós passámos por lá, juntámo-nos a uma visita de estudo de alunos australianos, assistimos ao recente filme “Resistir é vencer” que comemora os 20 anos da consulta popular que decidiu o futuro de Timor-Leste. No fim, tivemos a sorte de conhecer Max Stahl em pessoa.
Outro dos locais a não perder quando visitar Dili, é uma exposição patente numa antiga prisão, construída pelos portugueses e utilizada também pelos indonésios. Apesar de Timor-Leste ser um pequeno país, o sistema prisional e repressivo indonésio era muito extenso e cobria too o território, sendo a prisão de Dili a mais emblremática.
Destruída pelos indonésios aquando da sua retirada em 1999, foi reconstruída, mantendo-se as inscrições dos presos nas paredes, e sente-se no peito que se está a visitar um lugar cheio de histórias negras. Para que a história não se repita…
É um pouco estranho um cemitério ser um dos pontos altos de uma cidade, mas, no caso de Dili, é perfeitamente compreensível. Quando em Novembro de 1991, uma marcha de protesto (contra o assassinato de um jovem) acabou no cemitério de Santa Cruz, ninguém sabia que esse evento mudaria a história de Timor-Leste.
As tropas indonésias avançaram disparando indiscriminadamente, e as imagens gravadas correram mundo, dando voz a quem não a tinha. Veja primeiro as imagens e depois visite o cemitério de Santa Cruz. Uma experiência inesquecível e a não perder quando visitar Dili.
Sala de leitura, pequeno museu, biblioteca, é um espaço público comunitário com o objectivo de ser um local seguro onde as pessoas possam aprender e conviver.
A Catedral de Dili é um dos locais a não perder quando visitar Dili. Pela sua imponência, mas também pela sua importância para um povo tão devoto como o timorense. Se tiver a sorte de estar a decorrer uma missa, entre e partilhe esse momento com os locais.
Este é o local a visitar se quiser comprar artesanato genuíno ou tecidos fabricados de acordo com técnicas ancestrais. No entanto, tem também já a sua quota parte de artigos made in china.
É uma verdadeira instituição na cidade, cheio de história e significado. Pode experimentar a comida no restaurante, ou simplesmente sentar-se no lobby e conversar com outros viajantes.
Nota: Embora agora já existam muitas ATMs em Dili, a do Hotel Timor é convenientemente localizada no seu lobby.
Percorrer a marginal para oeste do centro, a Avenida dos Direitos Humanos, é o passeio mais bonito que pode fazer em Dili. Pode fazê-lo nos dois sentidos, mas é um pouco longe por isso aconselhamos fazer num sentido e, no outro, apanhar um mikrolet.
Comece o passeio junto ao Porto de Dili, onde pode comprar bilhetes de barco para a ilha de Atauro ou para o enclave de Oecusse (numa pequena loja em frente, junto ao Burger King).
Não deixe de visitar o El Legendario, um restaurante-bar com óptimas vistas para o mar. Atravesse a recém-inaugurada Ponte Habibie (com o nome do presidente indonésio, entretanto falecido, que concedeu a hipótese do referendo em 1999), e caminhe até à Praia da Areia Branca, a mais bonita de Dili.
Daí, continue até ao Cabo Fatucama, na ponta da imensa baía de Dili, onde deve subir ao promontório onde se encontra a estátua do Cristo-Rei, construída ainda nos tempos da ocupação indonésia. Daí terá vistas privilegiadas sobre a baía de Dili.
Antes de apanhar um mikrolet de volta para o centro de Dili, desça para o outro lado da montanha e apanhe uns banhos de sol na chamada Praia dos Portugueses.
Ajude as mulheres de Timor-Leste, em particular as mais desfavorecidas e a viver em contexto rural, participando em acções de divulgação ou angariação de fundos, ou simplesmente visitando um estabelecimento que com elas colabore como o Kafe Aroma.
Apesar de não ser uma atracção por si, é uma experiência interessante visitar a Escola Portuguesa em Dili e testemunhar o trabalho de professores e equipa directiva em formar uma nova geração de timorenses, qualificada e a falar português. Para consultar da disponibilidade para uma visita, pode contactar o Presidente CAP Acácio de Brito.
Percorrer a marginal para leste do centro, a Avenida de Portugal, é um óptimo passeio e local onde muitos fazem jogging ao final da tarde. Comece o passeio no Jardim 5 de maio, com uma estátua homenageando as vítimas do massacre do cemitério de Santa Cruz.
Não deixe de visitar a Igreja de Motael, uma igreja católica, de onde partiu a procissão em direcção ao Cemitério de Santa Cruz, onde se viria a dar o infame massacre pelas tropas indonésias.
O Farol é também um marco da marginal, perto do edifício do Ministério do Turismo. Pode também experimentar o restaurante do Hotel Esplanada ou comer um hambúrguer e tomar uma bebida fresca no Cast Away Bar.
Não deixe de experimentar um ou mais dos restaurantes que servem comida portuguesa em Dili. É uma óptima forma de matar saudades de Portugal e também de conhecer pessoas a viajar ou a viver em Dili.
Este é um dos locais a não perder quando visitar Dili, embora fique fora do centro. Ali poderá admirar a estátua de seis metros do papa João Paulo II, que visitou Dili e aí celebrou missa em 1987. Dali, tem vistas privilegiadas sobre a baía de Dili.
As praias de Timor, em particular da costa sul, estão cheias de histórias de encontros com crocodilos de água salgada, alguns com desfechos trágicos. São animais impressionantes e considerados sagrados pelos timorenses mais ligados à tradição animista ancestral. Aliás, a lenda conta que a própria ilha de Timor deve a sua criação a um crocodilo gigante.
Embora o número destes animais no estado selvagem possa estar a diminuir, o número de ataques mortíferos continua a ser elevado, e por isso não deve ignorar avisos da população ou das autoridades, se for esse o caso.
Para ter um encontro de perto (mas em segurança) com um destes animais, pode visitar o quartel da Polícia Militar e pedir para os ver. Embora não concordemos com o cativeiro destes magníficos animais, estes foram capturados e mantidos vivos até hoje, sendo alimentados regularmente. É uma experiência que não esquecerá quando visitar Dili.
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Este artigo foi realizado durante a nossa viagem de Volta ao Mundo em 2019/2020. DIAS 75 a 77 – Lugares obrigatórios e coisas a fazer quando visitar DILI | Timor Leste (Setembro 2019)
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