Apesar da riqueza gerada pelo turismo no Egipto, em geral, a população não gostava de nos ter lá. Sente-se que precisam do nosso dinheiro mas esse dinheiro só vai para alguns e, na maior parte das vezes, nunca chega aos bolsos da economia local. Os turistas são sempre sinónimo de dinheiro. Dinheiro fácil. São pessoas endinheiradas que vieram gastar dinheiro. Os vendedores (ou não) tentavam extorquir o máximo dinheiro possível e por tudo pedem “baksheech” (gorjeta), inclusive para nos dizer para que lado ficava a rua que procuramos. Um vendedor chegou a dizer-nos com alguma graça “Let me help you spend your money in my shop“! Nas ruas tentam fazer piadas baratas com as mulheres “Ohhh… Shakira! Come to my shop!” ou as vulgares tentativas de comprar a mulher alheia em troca de camelos, quando toda a gente sabe que nas grandes cidades as coisas já não funcionam assim. Apesar de tudo, quando chegamos ao Sinai começamos a notar-se diferenças. Os rostos eram mais abertos e menos carrancudos. Já se via um sorriso e deixávamos de nos sentir “dólares com pernas”. O Mar Vermelho parecia ser uma fronteira natural nas características da população autóctone do país. Os guias eram simpáticos, os motoristas de táxi mais prestáveis e os empregados dos hostels tentavam esclarecer as nossas dúvidas. Ainda bem que passamos por aqui, caso contrário teríamos saído do Egipto com uma ideia muito negativa da sua população.
No entanto, foi na Síria que me senti em casa. Apenas uma hora depois de ter atravessado a fronteira, e quando apanhávamos um autocarro de Damasco para Palmira, sentimos a simpatia e necessidade da população local em fazer os viajantes sentirem-se bem por aqui. Com grande confusão na estação, um senhor tentava ajudar-nos a encontrar o autocarro correcto. Uma vez no autocarro, descobrimos que era o errado porque o mesmo senhor nos veio lá dentro dizer. Trocamos mas para trás deixamos o guia da Lonely Planet (o nosso Alcorão). Um rapaz veio atrás de nós, entrega-lo, ao nosso autocarro. Não tínhamos palavras para agradecer. A população da Síria tratava-nos bem. Metia conversa, queriam saber o que vimos, para onde vamos. Eram prestáveis e estavam sempre bem dispostos e com um sorriso rasgado. Deixei de me sentir “uma nota de 100 dólares”!
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Nos locais mais sagrados do Islão na Síria, como as mesquitas de Damasco, deixavam-me entrar nos locais de culto, inclusive participar nas orações e nos actos de contrição. Assisti a um contador de histórias numa mesquita a entreter a audiência que é composta por crianças, mulheres, homens e muitos velhos. Deixaram-me sentar com eles e perceber que o Islão é muito mais do que aquilo que os outros países nos mostram. A mesquita é um local fundamental na vida de um muçulmano, é uma escola, um local de oração e um local de entretenimento. Os outros países não permitem aos viajantes este contacto com a população. Aqui, na Síria, senti o Islão. Senti a devoção de um povo, algo que até agora só tinha podido contemplar de fora, através de um olhar atrevido ou escondida por trás do zoom da maquina fotográfica.
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