Visitar Évora é conhecer aquela que é designada como “Cidade-Museu”, cuja fundação remonta aos tempos da ocupação romana, mas que mantém um património histórico, arquitectónico e cultural resultante da vivência naquele local de diferentes civilizações ao longo dos séculos. Deixe-se encantar por Évora, percorrendo as suas ruelas, descobrindo as suas praças e largos, admirando palácios, mosteiros e igrejas, aprendendo a sua história, e conhecendo as gentes de Évora.
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Ao visitar Évora, verá que existem muitas razões que o farão querer ficar mais tempo. Ao mesmo tempo que quererá explorar o centro histórico da cidade de Évora, delimitado por imponentes muralhas, não deixe de descobrir o passado longínquo e enigmático dos monumentos megalíticos que povoam a região do Alentejo e, em particular em redor de Évora, e não ficará indiferente à beleza da paisagem natural que o rodeará, o magnífico montado alentejano, uma prova de que o Homem e a Natureza podem viver em harmonia.
CONTEÚDOS DO ARTIGO
A par das cidades do Porto e de Guimarães, o centro histórico de Évora é Património Mundial da UNESCO, classificado desde 1986. As muralhas da cidade de Évora circundam o núcleo urbano histórico, onde se destacam as ruas medievais, as habitações tradicionais, a arquitectura grandiosa da Sé Catedral de Évora, Igreja de São Francisco e Convento dos Lóios em Évora, a presença enigmática do templo romano de Évora, o espanto da Capela dos Ossos de Évora e ainda a história e tradição da Universidade de Évora e do Colégio do Espírito Santo.
Precisará de, pelo menos, dois dias completos em Évora para conseguir explorar tudo o que Évora tem para oferecer no seu centro histórico, visitando os seus principais monumentos e museus, e explorando as suas artérias, admirando a sua beleza arquitectónica, e não se esquecendo de desfrutar de alguns dos seus excelentes restaurantes, onde poderá deliciar-se com a a magnífica gastronomia alentejana. Se quiser explorar e visitar os arredores de Évora precisa de mais tempo.
Em redor de Évora, poderá encontrar diferentes tipos de monumentos megalíticos, como antas (dólmenes), menires e cromeleques, e em tal quantidade e qualidade, sem igual na Península Ibérica, que faz da região de Évora uma mais importantes paisagens megalíticas europeias. Para além dos museus na cidade de Évora, onde poderá admirar artefactos e aprender a sua história, nada substitui visitar estes enigmáticos monumentos no local (ainda que, em alguns casos, não seja fácil pois podem estar em propriedade privada).
Deixe-se surpreender pela magia e mistério de construções mais antigas que Stonehenge, e admire-se com a engenhosidade e complexidade social, religiosa e artística dos homens e mulheres que ergueram tais estruturas imponentes há milhares de anos em Évora.
O montado é um ecossistema característico do Alentejo, constituído por florestas de azinheiras, sobreiros, carvalhos ou castanheiros, e que existe sobretudo no Sul da Península Ibérica, mas também em Itália e no Norte de África. Deriva o seu nome do facto de ser uma floresta montada pelo Homem, neste caso com o objectivo de proteger o sobro com outras espécies em seu redor. Portugal é país com a maior extensão de sobreiros do mundo (um terço da área mundial!) e o principal exportador mundial de cortiça (produzindo mais de 50% da cortiça consumida em todo o mundo!). Ao montado encontra-se também associada a raça suína de Porco Preto Alentejano, que se alimentam das bolotas, fruto das azinheiras.
Quando visitar Évora, terá uma oportunidade de ouro de explorar o montado alentejano, de ficar a conhecer melhor este ecossistema, de apreciar a sua beleza e de aprender a sua importância, económica e histórica, para as populações locais.
Quando visitar Évora, convém ter algumas ideias básicas que o ajudarão no terreno. Deixamos então aqui algumas dicas práticas para quando visitar Évora.
Évora tem um clima mediterrânico, com verões quentes e secos, e invernos moderamente frios e chuvosos, sendo que, mesmo nos meses de Dezembro a Fevereiro, as temperaturas nunca são negativas. No entanto, o calor no Verão em Évora, a capital de distrito mais quente de Portugal, não deve ser subestimado, sendo Julho e Agosto os meses mais quentes, com temperaturas máximas médias superiores a 30 graus, por isso, se visitar Évora nestes meses, deve tomar algumas precauções, nomeadamente mantendo-se hidratado e colocando protector solar. Sendo assim, a melhor altura para visitar Évora é nos meses de Maio e Junho, ou Setembro e Outubro, quando o calor não é tanto (embora a chuva apareça em alguns dias em Évora).
Na segunda quinzena de Junho comemora-se em Évora a Festa de São João, a mais importante da cidade. Nesses dias, Évora mostra o que tem de melhor no que diz respeito a artesanato e gastronomia e as suas ruas enchem-se de animação e diversão, constituindo uma excelente ocasião para visitar Évora num ambiente mais festivo.
Évora é capital do segundo maior distrito de Portugal, no Alto Alentejo, com os distritos de Santarém e Portalegre a Norte, Beja a Sul, e Setúbal a Oeste, e Espanha a Leste. Évora situa-se a cerca de 400 km do Porto (aproximadamente 3 horas e meia de viagem, via A1/A13/A6), e 140 km de Lisboa (aproximadamente 1 hora e meia de viagem, via A2/A6 ou A12/A6).
Pode chegar a Évora de autocarro (ônibus) ou de comboio (trem), por exemplo de Lisboa (pode consultar aqui os horários de comboio), mas para poder deslocar-se com autonomia em Évora, e poder explorar tudo aquilo que Évora tem para oferecer, a melhor opção é ter veículo próprio.
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Depois de chegado a Évora, a melhor forma de explorar o centro histórico é a pé, mas vai necessitar do carro para visitar os arredores da cidade de Évora, em particular os monumentos megalíticos.
Não há como negá-lo; o estacionamento em Évora é um problema. Dentro do Centro Histórico, o estacionamento é tarifado de Segunda a Sexta, e Sábados de manhã, os lugares disponíveis são poucos, e há tempo limite de estacionamento pago em Évora (4 horas, com a excepção da zona da universidade onde o limite é 11 horas). Existem várias zonas de estacionamento em Évora com diferentes tarifas. Tem de ter alguma paciência, e ter cuidado em não estacionar em lugares reservados a residentes sem ter o título adequado (a polícia anda sempre atenta em Évora e a multa é pesada).
Pode estacionar em lugares com tarifa e não pagar, desde que seja a partir das 19.00-19.30 e até às 8.30-9.00h do dia seguinte (também pode tirar títulos de estacionamento para o dia seguinte, se precisar). Os parques de estacionamento periféricos ao centro histórico de Évora são não tarifados mas têm a desvantagem de estarem mais longe do seu alojamento dentro da cidade muralhada de Évora. No entanto, podem ser uma boa opção se não se quiser chatear.
Évora tem várias opções de alojamento, sendo que os alojamentos locais mais baratos, assim como os hotéis mais caros, se encontram no centro histórico da cidade de Évora. Os alojamentos rurais e as casas de campo situam-se a alguns quilómetros de Évora.
Nós ficámos alojados na Mouraria House – Casa de Charme, uma excelente opção no centro de Évora, com uma excelente localização (a poucos passos do Templo Romano), sendo uma pequena casa independente, com um quarto confortável, e uma sala de estar juntamente com cozinha.
Mas há outras excelentes opções de alojamento em Évora.
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Não será definitivamente a melhor opção para visitar Évora, mas se tiver pouco tempo e estiver em Lisboa, pode visitar Évora numa excursão de um dia. Pode optar por dois tipos diferentes de excursão a Évora.
Para poder visitar Évora com tempo para conhecer tudo aquilo de melhor que a cidade de Évora tem para oferecer, sugerimos que dedique dois dias ao centro histórico, incluindo num deles o percurso pedestre ao longo do aqueduto, e outro dia para fazer o circuito megalítico nos arredores de Évora. Deixamos então aqui as nossas sugestões para o que ver e fazer quando visitar Évora.
Apesar de já existir como povoado em tempos pré-romanos, a cidade de Évora é reconhecida como tendo sido elevada a município sob o nome de Ebora Liberalitas Julia, título honorífico concedido por Júlio César, tendo sido integrada na Província da Lusitânia pelo Imperador Augusto no início da nossa era.
Situado no ponto mais alto da acrópole romana, o Templo Romano de Évora (anteriormente conhecido como Templo de Diana, dadas as semelhanças com o homónimo em Mérida) é o que resta do fórum da cidade romana, exibindo colunas coríntias, com bases e capitéis de mármore. Fazia parte de um enorme complexo e foi consagrado ao Imperador Augusto no século I d.C. É um exemplar único em Portugal, Monumento Nacional, e um dos mais bem preservados da Península Ibérica.
A construção da Basílica Sé de Nossa Senhora da Assunção, mais conhecida por Catedral de Évora, foi iniciada no final do século XII, mas só foi concluída em meados do século XIII, tendo ainda sofrido acrescentos nos séculos XV e XVI. Assim, resultou um magnífico edifício em Évora com uma mistura de estilos, desde o românico, passando pelo gótico e até ao barroco.
Na fachada destacam-se as duas imponentes torres medievais, e o portal com fabulosas esculturas de apóstolos. No seu interior, de três naves, tem-se uma verdadeira noção da dimensão da maior catedral portuguesa, destacando-se o altar em talha barroca e o orgão de tubos. O fabuloso claustro gótico também merece uma visita em Évora.
As muralhas de Évora são uma imagem de marca da cidade de Évora, circundando o centro histórico, e são uma das coisas a não perder quando visitar Évora. Poderá admirá-las a pé, de carro, atravessando as suas portas ou caminhando no seu topo (junto do Jardim Público). O troço junto à Avenida de Lisboa, desde a Porta do Raimundo até à Porta da Lagoa, é particularmente impressionante.
Para entrar no centro histórico de Évora, é inevitável que passe pelas muralhas da cidade usando uma das portas da cidade de Évora. Não deixe de admirar a beleza destas construções quando o fizer. As portas mais movimentadas serão a Porta da Lagoa, Porta de Avis e Porta do Raimundo, mas a mais bonita será a Porta de Alconchel, com a torre de menagem de lado.
Construído sobre as ruínas de um castelo medieval em Évora, o Convento dos Lóios data de 1487 e, juntamente com a Igreja (de São João Evangelista), formam um conjunto impressionante. Infelizmente, quando visitámos estava fechado (devido a restrições Covid-19), mas se puder não deixe de visitar e apreciar a Sala do Capítulo e os azulejos da Igreja de Évora.
O centro histórico de Évora é reconhecido pelas suas belas praças e pequenos largos, e é sempre um prazer deambular pelas ruas de Évora e ir descobrindo os diferentes recantos da cidade.
O Largo do Conde de Vila Flor é a parte mais alta e nobre do centro histórico de Évora, sendo que é lá que se encontram a Sé de Évora, a Igreja e Convento dos Lóios, o Museu de Évora e ainda o Palácio da Inquisição.
Conhecida como Terreiro ou Praça de Alconchel nos séculos XIII e XIV e Praça Grande entre os séculos XV e XIX, a actual Praça do Giraldo (cujo nome honra o famoso Geraldo Sem Pavor, um guerreiro ao serviço de D. Afonso Henriques, que conquistou Évora aos mouros em 1167) é o nó nevrálgico do centro histórico de Évora, podendo ali descansar numa esplanada de café e admirar o chafariz, que sucedeu a outro, e que era onde terminava o Aqueduto “Água da Prata”.
No Largo da Porta de Moura em Évora, pode admirar uma fonte (ou chafariz) renascentista, que data de 1556, feita em mármore, e encimada por um globo.
O Largo de São Francisco é a maior praça de Évora, com a Igreja de São Francisco de um lado, e o Mercado Municipal de outro. Numa das suas extremidades, encontra-se o Jardim Público.
É a praça onde se situa o edifício da Câmara Municipal de Évora, e um óptimo local para tomar uma bebida ao final da tarde, com as letras “ÉVORA” por perto.
Explorar o centro histórico de Évora a pé será, por si só, um dos pontos altos da sua visita à cidade. Deixe-se perder nas pequenas ruas e encontrará sempre algo de valor.
O Aqueduto “Água da Prata” é a mais importante estrutura hidráulica antiga em Portugal, cujas origens remontam ao século XVI, mas que sofreu uma grande remodelação no século XIX. E ainda hoje cumpre a sua função, contribuindo para o abastecimento de água à cidade de Évora! O seu troço mais imponente é a magnífica arcaria (classificada como Monumento Nacional em 1910) que vai desde o Forte de Santo António até entrar na cidade muralhada. A Avenida de Lisboa e a Rua de Chartres atravessam os arcos e permitem uma vista magnífica sobre esta espantosa obra de engenharia em Évora.
Depois de o Aqueduto de Évora entrar na cidade muralhada, os arcos são acompanhados pela Rua do Cano, e o exíguo espaço urbano levou a população de Évora a construir casas sob as arcadas do aqueduto de Évora. Hoje são das mais bonitas e invulgares casas de Évora. Para as admirar, entre no centro histórico pela Porta da Lagoa e vire logo à esquerda.
Se gostar de caminhar, há um fabuloso trilho marcado que lhe permite conhecer mais de perto o Aqueduto “Água da Prata”. O aqueduto tem a extensão de 19 km, desde a nascente da Ribeira do Divor até Évora, mas este percurso acompanha, quase sempre ao lado, o aqueduto durante cerca de 8 km, desde a zona de Metrogos/Valcovo até Évora. Veja o vídeo abaixo.
Nós levámos o carro para Valcovo e começámos de lá (no final apanhámos um táxi em Évora para ir buscar o carro). O trilho tem muita sombra, pois há bastantes árvores, mas também tem troços mais expostos ao sol, principalmente já mais perto de Évora. Se o fizer no Verão recomendamos que o faça de manhã cedo. Nós começámos por volta das seis e meia da manhã e acabámos por volta das onze e meia.
A Universidade de Évora é a segunda universidade mais antiga de Portugal (após a de Coimbra), atestando a importância eclesiástica e política de Évora no século XVI. Foi fundada a 1 de Novembro de 1559, sendo gerida pela então recente Companhia de Jesus, e foi mandada encerrar pelo Marquês de Pombal em 1759, aquando da expulsão dos jesuítas em Évora.
Os espaços continuaram a ter a função pedagógica, albergando por exemplo o Liceu Nacional de Évora, mas a Universidade de Évora só voltou a ser uma instituição de ensino superior em 1979, sendo hoje um pólo de desenvolvimento da cidade de Évora.
O Colégio do Espírito Santo em Évora foi o primeiro edifício a ser construído na Universidade de Évora e é algo a não perder quando visitar Évora.
As suas salas de aulas estão divididas por temas (Física, Filosofia, Geografia, por exemplo), e no seu interior encontram-se magníficos azulejos que retratam a temática da sala, onde podemos admirar a representação de Aristóteles a ensinar o seu pupilo, o jovem Alexandre Magno. Curiosamente, as salas conservam a cátedra dos jesuítas (púlpito de onde o mestre dava a aula).
A Igreja de São Francisco de Évora, situada no Largo de São Francisco, é uma das igrejas mais monumentais de Portugal, tendo sido a Capela Real do conceituado Convento de São Francisco, que terá sido a primeira sede da Ordem Franciscana em Portugal. O período áureo do século XVI viu a família real aí instalar-se, aquando da suas visitas a Évora. Hoje, tanto a sua magnífica fachada, como o interior, com retábulos de talha dourada, pinturas e azulejos, atraem os visitantes a Évora.
A Igreja de São Francisco exibe ainda aquele que é um ex-líbris da cidade e algo a a não perder quando visitar Évora, a fabulosa Capela dos Ossos. À entrada, um aviso “Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos.” dá o mote para a filosofia por trás de tal singular obra, uma capela cujas paredes e pilares estão decorados com ossos e crânios.
Construída no século XVII por monges franciscanos, a ideia era que todos aqueles que lá entrassem meditassem na transitoriedade e impermanência da vida, devendo devotar os seus esforços a objectivos maiores. Depois de um recente restauro, a Capela dos Ossos continua a ser uma visão de outro mundo, tão impressionante para os visitantes de hoje como o terá sido nos últimos séculos.
A Igreja da Misericórdia, situada no Largo da Misericórdia, é provavelmente a igreja mais bonita de Évora. Começada a ser construída no século XVI, apresenta hoje um fabuloso conjunto de arte barroca dos séculos XVII e XVIII.
Nas suas paredes, pode admirar belíssimos painéis de azulejos azuis e brancos, sobre a vida de Cristo ( a igreja é consagrada ao Senhor dos Passos, com telas a óleo por cima, representando as obras de misericórdia corporais e espirituais. No altar, o retábulo de talha dourada, exibe uma representação a óleo da Virgem da Misericórdia.
A Igreja da Graça (ou Convento de Nossa Senhora da Graça, fundado em 1511) é um dos edifícios com fachada mais bela de Évora. Em estilo renascentista, poderá admirar as famosas e belas figuras atlantes (a quem o povo chama desde há séculos, os “Meninos da Graça”).
Transformado em quartel aquando da extinção das ordens religiosas, o seu interior sofreu uma degradação profunda, tendo a igreja sofrido um restauro já no século XX, mas ainda hoje funciona ali a Messe de Oficiais da guarnição de Évora.
Localizada na Praça do Giraldo, esta igreja data do século XVI e para a sua construção demoliu-se o Arco do Triunfo romano. Hoje pode admirar a sua fachada e a talha dourada no seu interior.
As migas são uma das imagens de marca da gastronomia alentejana, levando, além do pão, alho, massa de pimentão e sal. Normalmente acompanha carne de porco frita. A gastronomia alentejana no seu melhor!
A cerca de 12 Km da cidade de Évora, pode encontrar esta vila romana através de um desvio de terra batida existente na estrada de ligação às Alcáçovas. São as ruínas de uma villa romana, dos séculos I a IV d.C., onde ainda pode admirar três tanques de banhos.
A doçaria conventual em Portugal data do século XIV, confeccionada nos conventos, e caracterizados por grandes quantidades de açúcar e gemas de ovos. As farófias, ou ilhas flutuantes, tinham como objectivo utilizar as claras que sobravam dos doces conventuais. Não perca!
A rua 5 de Outubro é a principal rua de Évora para comprar aquelas recordações que quer levar do Alentejo, destacando-se o artesanato regional.
O Jardim Diana, junto ao Templo Romano, está debruçado sobre a Mouraria de Évora e tem vistas fabulosas sobre a cidade e a planície alentejana, principalmente ao pôr-do-sol.
Évora foi a cidade onde o Tribunal do Santo Ofício nasceu em Portugal, no ano de 1536. Extinta a Inquisição em 1821, o edifício foi comprado pelos Duques de Palmela e mais tarde pela família Eugénio de Almeida, sendo que hoje funciona como Centro de Arte e Cultura, onde pode admirar os frescos das “Casas Pintadas”.
A açorda de marisco é, provavelmente, o prato mais emblemático da gastronomia alentejana. Procurar a melhor açorda de marisco do Alentejo é uma tarefa hercúlea, mas nós encontrámos uma excelente candidata em Évora, no restaurante “Martinho da Arcada”.
Na Rua Nova de Santiago, pode admirar uma Caixa d’Água renascentista, pertencente ao Aqueduto Água da Prata, actualmente com apenas dois lados visíveis, de uma beleza artística invulgar, com doze colunas toscanas.
Dentro do centro histórico de Évora, há uma zona que é uma delícia herdada dos tempos da ocupação islâmica da cidade. Ruelas estreitas, nomes de ruas, e pormenores arquitectónicos fazem lembrar o passado mouro de Évora e permitem uma agradável viagem no tempo.
Perto da Sé de Évora, não deixe de admirar esta janela manuelina, em mármore e granito, numa casa onde se diz que residiu o cronista e poeta Garcia de Resende.
A Igreja de São Tiago pode passar despercebida em Évora, mas não deixe de visitar esta igreja (reconstruída no século XVII), com belos painéis de azulejos no seu interior.
A rua Alcárcova de Baixo tem-se afirmado nos últimos anos como uma das ruas mais in de Évora, particularmente no que diz respeito à dinner scene. Jante numa esplanada, saboreie a comida, e desfrute do ambiente das ruas de Évora.
O cação é um peixe que é habitual em receitas da gastronomia alentejana, por exemplo na sopa. Não deixe de provar o arroz de cação (e gambas), “malandrinho”, com a salsa e os coentros a apurarem o gosto.
O pão de rala é um dos doces conventuais mais apreciados no Alentejo. O seu recheio é feito com base em gemas de ovos, raspa de limão, amêndoas, e chila. Delicioso!
O Jardim Público serve hoje o propósito com que foi construído no final do século XIX, isto é, permitir aos eborenses dar um passeio numa zona verde dentro das muralhas da cidade (a designação inicial era “Passeio Público”).
Localizado no extremo sul do centro histórico, junto à Porta do Raimundo, poderá passear ali tranquilamente, rodeado de vegetação, mas também junto e no topo da muralha, e apreciar várias criações arquitectónicas interessantes, como as “Ruínas Fingidas” e o Coreto.
Localizado no Jardim Público, o que é conhecido por Palácio D. Manuel não é mais uma pequena parte do que terá sido um dos palácios mais importantes de Portugal, o Paço Real de São Francisco, palco de casamentos reais e onde Vasco da Gama foi investido no comando da esquadra da descoberta do caminho marítimo para a Índia. Com a perda da independência, começou a destruição do palácio, tendo apenas se salvado a “Galeria das Damas”, datada do século XVI, que posteriormente serviu como armazém, Museu Arqueológico e Teatro Eborense. Hoje, é “sala de visitas” da cidade, onde decorrem cerimónias oficiais e exposições.
No Palácio de Condes de Sortelha, edifício que agora alberga os Paços do Concelho, no Largo do Sertório, encontram-se as ruínas do que terão sido as termas públicas de Évora, construídas entre os séculos II e III. Quando visitámos, estava apenas acessível as ruínas do Laconicum, a sala das termas com a temperatura mais elevada, sendo que, no seu centro, se encontra um grande tanque circular em mármore, com três degraus, rodeado do sistema de aquecimento.
A Rede de Museus de Évora engloba várias entidades culturais da cidade, permitindo, com um bilhete único (de um, dois ou três dias de validade), visitar diferentes espaços e núcleos museológicos. Para além das sugestões que aqui deixamos, pode também visitar o Palácio Duques de Cadaval, as Casas Pintadas, o Centro Interpretativo de Arqueologia Palácio do Vimioso, o Colégio do Espírito Santo (Universidade de Évora), o Palácio D. Manuel e o Museu do Relógio, entre outros.
Criado oficialmente em 1915, o Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, conhecido como Museu de Évora, ocupa o antigo Palácio Episcopal, e está localizado junto à Sé de Évora, de frente para o templo romano. Este museu exibe colecções de arqueologia, escultura e cerâmica, mas sendo de destacar a colecção de pintura.
Instalado no Convento e Igreja dos Remédios, junto à Porta de Alconchel, o Centro de Interpretação Megalithica Ebora tem exposições sobre os períodos do megalitismo e romano, sendo um bom lugar para visitar em complemento às visitas aos monumentos no terreno.
No antigo edifício do celeiro do Cabido da Sé de Évora está hoje patente uma colecção de carruagens do século XIX e início do século XX que pertenceram da Casa Eugénio de Almeida, uma família poderosa desse período.
A Casa Nobre da Rua dos Burgos exibe ruínas importantes, em particular parte da Cerca Velha, uma antiga muralha romana de grandes dimensões.
Construídos sobre as ruínas de um castelo mouro, o Palácio Duques de Cadaval pertence à mesma família desde a sua fundação no século XIV. Actualmente, é possível visitar parte das salas do palácio e admirar peças raras e valiosas.
O antigo convento do Salvador data de 1610 e foi entregue às monjas de Santa Clara. Depois da extinção das ordens religiosas foi sendo delapidado até ser demolido, tendo-se salvado a igreja, a torre-mirante e parte do claustro.
O Alto de São Bento, a poucos quilómetros do centro histórico, é um miradouro natural com vistas de 360 graus sobre Évora e os arredores. Aí encontram-se antigos moinhos, recuperados pela Câmara Municipal, que os transformou no Núcleo Museológico do Granito e o Núcleo Museológico da Florística. O miradouro está, aliás, localizado num maciço granítico, com sinalização e explicações sobre as diferentes formas naturais desenhadas nas rochas.
Nos arredores de Évora encontram-se centenas de monumentos megalíticos, e se for interessado em história, deverá dedicar um dia a explorar este enigmático e fascinante testemunho do passado. Se não quiser dedicar um dia inteiro a esta temática, não deixe, mesmo assim, de visitar o fabuloso recinto do Cromeleque dos Almendres e a imponente Anta Grande do Zambujeiro. Veja o vídeo abaixo.
A algumas centenas de metros da cidade intramuros, junto ao aqueduto, este forte foi construído durante a Guerra da Restauração, envolvendo o convento que lhe dá nome, e apresenta planta quadrada com baluartes nos vértices. No seu interior, funciona hoje o Seminário Missionário de Évora.
O Convento da Cartuxa de Santa Maria Scala Coeli, é um dos símbolos espirituais de Évora, onde os monges vivem em clausura desde 1598. O mosteiro foi encerrado em 1834, mas foi restaurado em 1960. Não é possível visitar o Convento (que tem o maior claustro de Portugal), que viu partir os últimos monges em 2019, mas pode visitar a Adega Cartuxa, logo ao lado, e apreciar os vinhos produzidos pela Fundação Eugénio de Almeida.
Se quiser conhecer o montado alentejano e aprender a sua importância com quem nele trabalha, fazer uma excursão organizada é uma excelente opção. Faça um passeio num Land Rover por entre os sobreiros, e aprenda sobre o ciclo da cortiça, assim como a fauna e flora locais, e actividades agrícolas.
NOTA: O ponto de encontro para esta excursão é na vila do Redondo, a cerca de 30 minutos de carro de Évora (via N254).
Évora fica bastante perto de Espanha, por isso, quando visitar Évora, não deixe escapar a oportunidade de dar um saltinho ao outro lado da fronteira e descobrir algo de novo acerca do país nosso vizinho. Deixamos aqui duas sugestões.
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Cristina says:
o risoto de cação tem muito mais pinta do que sopa de cação?! pobre mostra da gastronomia alentejana… açorda de marisco?! basta ter coentro para ser alentejano? não perceberam nada….
Carla Mota says:
Obrigada pela generosidade de comentar.
Suriàn says:
Que lindo este lugar! Évora parece super mística. O que é esta capela dos ossos? Adorei o post super completo. Parabéns.
Carla Mota says:
É uma capela toda revestida a ossadas humanas. É por isso que se chama Capela dos Ossos. Era um costume medieval e em Évora temos uma das maiores do mundo.
Leo Vidal says:
Não imaginava que Évora tinha tanta coisa para conhecer. Até porque normalmente incluem ela em um bate-volta do Porto. Gostei de saber que é necessário ao menos um pernoite na cidade e com essas dicas ficará mais fácil organizar o roteiro.
Carla Mota says:
Geralmente o bate-volta é de Lisboa. Do Porto, Évora fica muito longe. Mas vale mesmo a pena visitar Évora durante pelo menos 3 dias. É até pecado fazer um bate-volta a Évora.
Maria C says:
A linda Évora oferecia tantas possibilidades que fazer o passeio de um dia é até um pecado! Eu quero mesmo é pernoitar para curtir a cidade-museu e aproveitar todas essas dicas ótimas do que fazer em Évora que vocês compartilharam!?
Carla Mota says:
É isso mesmo! Senti exactamente isso. Até é pecado visitar a cidade em apenas um dia. Évora merece muito mais.
marcela says:
Quanta coisa linda para ver em Évora, estou encantada! Quando voltar a Portugal será parada obrigatória com certeza!
Carla Mota says:
Visitar Évora é mesmo obrigatório quando se visita Portugal. A cidade é linda demais para não a incluirmos num roteiro.
Mariana Menezes says:
Motivos é que não faltam para visitar Évora! Esse patrimônio mundial da UNESCO é uma cidade que não pode ficar de fora do roteiro em Portugal.
Estive em Évora em novembro passado e adorei. Mas já vi que deixei de conhecer muita coisa que você citou.
Já é motivo de sobra para uma viagem futura!
Carla Mota says:
Há sempre bons motivos para visitar Évora de novo. É tão linda que é fácil nos apaixonarmos por ela.
Ruthia Portelinha says:
Évora é linda, só não gosto mais dela porque conseguiu a classificação da Unesco antes de Guimarães, rs. Tenho que voltar para explorar a rota megalítica e provar o pão de rala. Não resisto aos doces tradicionais portugueses
Carla Mota says:
Évora é mesmo magnífica e vale a pena perder lá algum tempinho. Não sei se é mais bonita do que Guimarães, não quero entrar nessa luta, mas ambas são das cidades mais bonitas de Portugal.
Anna Luiza says:
Visitar Évora deve ser uma experiência inesquecível. A cidade respira história, né? Não poderia imaginar uma lista tão extensa de coisas para fazer por lá. O percurso Água da Prata me chamou a atenção!
Carla Mota says:
Anna, Évora é um mundo. Para visitar Évora é mesmo preciso tempo porque tudo é tão bonito e mágico.
Cleo says:
Estive em Évora por algumas horas somente, numa passagem para seguir viagem a Serra da Estrela. Fiquei com a sensação na época de não ter visto com calma e tudo que a cidade oferece. E depois de ler o teu post fiquei com mais certeza ainda disso.
Carla Mota says:
Vale mesmo a pena parar e ficar alguns dias a visitar Évora. A cidade é linda demais e a maioria das pessoas só visita um dia, o que é uma pena.
Murilo Pagani says:
Eu adoro visitar Patrimônios da Unesco, e sem dúvida Évora é o tipo de lugar que não dá para deixar de fora de um roteiro! Fiquei impressionando com a quantidade de atrações que há por lá. Quanto tempo você recomenda passar para visitar os principais pontos turísticos em pressa?
Obrigado!
Carla Mota says:
Eu recomendava pelo menos 4 a 5 dias para poder ver tudo de forma bem tranquila e poder desfrutar de Évora.
Analuiza Carvalho says:
Estive em Évora. Por alguns dias. Chegamos de trem (comboio). Aliás, passamos 2 semanas viajando de trem por Portugal e nos atendeu muitíssimo bem. Tenho memórias excelentes do que vi e vivi na linda Évora, esse patrimônio da Unesco. Aí, tive minhas melhores experiências gastronômicas! 🙂
Não conhecemos os arredores: como mencionado aqui, para tanto é preciso carro. Contudo, estar em Évora, ocupou muito nossos dias, nossas mentes e nossos corações. Uma vivência deliciosamente sem pressa! 🙂
Carla Mota says:
Que forma deliciosa de viajar, uma das melhores, de comboio. É uma forma incrível de visitar Évora.
Danielle says:
Eu fiquei impressionada com a capela dos ossos. Impactante ver tantos esqueletos fazendo parte de uma decoração única.
Évora é linda! Na minha primeira visita, fui na maioria dos pontos sugeridos por você. Acho que somente não fui na universidade. Já na minha segunda, eu me deixei levar, andando pelas ruas sem rumo.
Carla Mota says:
Que maravilha. É isso mesmo, o importante é se deixar levar quando visitar Évora.