Os nossos dias no Japão estavam todos contados, e logo que aterramos no aeroporto internacional de Narita, nos arredores de Tóquio, o nosso objectivo era prosseguir para o nosso primeiro destino, a cidade de Kamakura. Logo aí, começamos a dar uso ao Japan Rail Pass, que tínhamos comprado online e que levantámos no aeroporto, após uma demorada espera. A viagem do aeroporto até Kamakura podia ser feita no Narita Express, ou num comboio local, que pára em mais estações. Optamos por este último, uma vez que era aquele que partia mais cedo.
A viagem demorou mais de duas horas, e quando chegámos a Kamakura, já passava das onze da noite. Quase ninguém andava pelas ruas, mas decidimos ir a pé para o nosso hostel, uma vez que era perto da estação. Depois de pedirmos algumas indicações, lá conseguimos encontrar o nosso local de descanso para essa noite, numa casa típica japonesa.


De manhã, começamos cedo o nosso périplo pela cidade. Depois de levantarmos dinheiro numa ATM numa loja da Seven-Eleven (que funcionam com cartões estrangeiros), fomos de comboio para a estação próxima de Kita-Kamakura. É nas proximidades desta estação que se encontram alguns dos principais templos da cidade.

Kamakura foi capital feudal do Japão de 1185 a 1333, e isso reflecte-se na quantidade e qualidade de templos que ainda hoje podemos admirar. O primeiro templo que visitámos foi o de Engaku-Ji, fundado em 1282, e destinado às preces dos monges em honra dos soldados que morreram aquando das invasões (goradas) mongóis.


Era manhã cedo e ainda eram poucas as pessoas que por ali deambulavam. Com os edifícios alinhados num eixo norte-sul, é um exemplo paradigmático da estrutura de um templo budista japonês, e embora a maior parte dos edifícios datem do século XX, a reconstrução foi feita de acordo com os critérios antigos. A porta principal é, no entanto, mais antiga (1783), construída em madeira, sem o uso de pregos. A atmosfera no complexo é de uma serenidade refrescante, mas os edifícios estavam na sua maioria fechados. Sendo assim, demos uma volta pelo recinto, e subimos um longo lanço de degraus para admirar o sino do templo, o maior de Kamakura, que data de 1301 e só é tocado na véspera do Ano Novo.


Mais à frente, visitámos o templo de Kencho-Ji, já com uma afluência maior de visitantes. Na Butsuden, a estátua de Buda, mais propriamente de um bosatsu Jizo, é particularmente bonita, sendo ainda bem visíveis as pinturas e cores vivas na estátua e no tecto da sala. Mais à frente, visitámos o interior da sala de meditação, com um bonito lago nas traseiras do edifício.


Mas foi no Santuário Hachiman-gu, uns quilómetros na direcção da estação de Kamakura, que começamos a dar-nos conta da verdadeira devoção dos japoneses, particularmente nas celebrações do Ano Novo. Aqui podemos observar como as pessoas compram amuletos, escrevem desejos para o Ano Novo e prestam homenagem às divindades e aos espíritos dos antepassados. A afluência de visitantes era muita e milhares de pessoas subiam as esc adas para aceder ao altar principal do santuário. O acesso é feito por uma zona arborizada e com dois lagos, junto dos quais as pessoas passeiam e as crianças brincam.



Dali seguimos pelo centro da cidade de Kamakura, e pela zona mais comercial, em direcção à estação de Kamakura. Pelo caminho almoçámos num restaurante típico de sushi, com os pratos a rodarem num tapete rolante.

Na estação de Kamakura, apanhámos um autocarro em direcção à grande atracção da cidade, a grande estátua de Buda, Daibutsu, uma estátua em bronze, fundida em 1252, com 13,5 metros de altura. Outrora no interior de um grande salão, este foi destruído por um tsunami em 1495, mas a estátua resistiu e hoje permanece ao ar livre. O sol e o céu azul brindavam-nos com a sua presença e a beleza dos pormenores da estátua eram mais evidenciados.

Dali, seguimos a pé para o Templo Hase-dera. A quantidade de gente nas ruas era cada vez maior. Kamakura é nesta altura do ano um destino turístico nacional, beneficiando da sua proximidade de Tóquio. O templo Hase-dera é um complexo construído numa colina, em que os principais edifícios têm vista para a cidade e para o mar.


O centro do complexo é uma estátua, em madeira, de 9 metros de altura, de Kannon, o bodhisattva da compaixão, representado com múltiplos braços e com 11 faces em cima da cabeça, que se diz ter dado à costa em 736. Ao lado, num pequeno edifício, pode admirar-se o repositório dos sutras, numa roda gigante, sendo o rodar tão louvável como a leitura dos preciosos textos budistas. Numa pequena gruta, podem também admirar-se bonitas estátuas de mulheres, representando diferentes funções.


Estava na hora de regressarmos ao hostel, pegar nas nossas mochilas e seguir para a estação de Kamakura. Tínhamos ainda pela frente uma longa viagem de comboio até Fuji-Yoshida, a cidade no sopé da montanha mais sagrada e mais conhecida do Japão, o ponto mais alto do país, o Monte Fuji.

Um dia é tempo suficiente para visitar KAMAKURA mas para isso necessita de o preparar convenientemente. Aqui fica o plano que seguimos na cidade. Prepare-se para caminhar bastante e explore.
1. Comboio de Kamakura para Kita Kamakura (demora 4 minutos). Se tem o Japan Rail Pass poderá utilizá-lo aqui.
2. Sair na estação, cruzar a linha férrea, caminhar 4 minutos, deixando a estação para trás. Chegará ao templo Engaku-ji. Este é o maior templo Zen de Kamakura.
3. Depois de visitar o templo, seguir a mesma estrada que estava a fazer e caminhar cerca de 15 minutos até ao templo Kencho-Ji. Este é o mais antigo mosteiro de instrução Zen do Japão. O caminho está devidamente sinalizado por placas. Entre a estação do comboio e este templo existem mais cinco templos. Nós não tínhamos tempo para os ver todos por isso escolhemos os mais emblemáticos. Se quiser vê-los todos deve dedicar um dia apenas para Kita Kamakura.
4. De seguida, seguir a mesma estrada, seguindo as indicações que aparecem nas placas, e caminhe cerca de 15 minutos até ao Santuário Hachiman-gu. Este é o principal santuário xintoísta da cidade. Explore os templos, os jardins e os lagos.
5. Siga a rua Komachi Dori em direcção à estação. Pelo caminho, explore as lojas de artesanato local e gastronomia. É o local ideal para almoçar e fazer compras, especialmente na parte pedonal. Pode explorar também as ruelas que divergem da rua principal pois encontrará locais excelentes para comer.
6. Em frente à parte leste da estação, encontrará a paragem de autocarros. Aí poderá apanhar o autocarro nº 1 ou nº 6 com destino a Daibutsu. O autocarro demora 15 minutos.
7. Depois de explorar o Grande Buda de Daibutsu, desça a estrada cheia de lojas de artesanato e comidas que subiu de autocarro até alcançar o templo Hare-dera. A caminhada não demorará mais de 5 minutos (a não ser que se perca nas compras). O templo fica no primeiro corte à direita mas está sinalizado. Este foi o nosso templo preferido na cidade.
8. Depois de visitar o templo e contemplar das magníficas vistas sobre a cidade, caminhe 5 minutos até à estação de comboio de Hase. Aqui poderá apanhar um comboio de regresso a Kamakura. Este comboio pertence à linha Enoden e não dá para usar o seu Japan Rail Pass. Terá que comprar um bilhete que custa 190 Y/pessoa. Se ainda tiver tempo disponível e desejar, poderá explorar a parte das praias de Enoshima ou Yulgahama. Nós não o fizemos.

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