O nosso objectivo era explorar a Península de Snaefellsnes. E Stykkishólmur serviu de base para explorarmos a Península de Snaefellsnes e a parte ocidental da Islândia. Mas antes havia que lá chegar, vindos do norte pela Ring Road.
“Desça, viajante, na cratera do Snaefellsjokull, em que a sombra de Scartaris toca antes das calendas de julho, e você alcançará o centro da terra; tal como eu fiz, Arne Saknussemm.”
Viagem ao centro da Terra, Júlio Verne
Depois da observação de baleias em Dalvik, seguimos caminho rumo à península de Snaefellsnes, à distância de meio país para oeste. Seria este o dia em que percorríamos mais quilómetros na estrada, com destino à cidade de Stykkishólmur, a maior da Península de Snaefellsnes, mas ainda assim uma pequena vila de 1100 habitantes, com uma atmosfera calma e relaxada.
Para quem tenha pouco tempo, a Península de Snaefellsnes é um bom destino que pode ser feito a partir da capital, sendo uma amostra do que a Islândia de melhor tem para oferecer. Para nós, a Península de Snaefellsnes era uma paragem obrigatória no nosso circuito à volta do país. O tempo é que não ajudava, e apanhamos chuva em grande parte dos cerca de 500 km que percorremos nesse dia.
Ainda fizemos um desvio na península de Vatnsnes para tentar observar focas ao longo da costa, e a verdade é que elas estão lá, mas a uma distância segura dos turistas ocasionais, deitadas em rochas ao largo. Apesar do tempo cinzento, resolvemos deixar a estrada nº1 e aventurarmo-nos em estradas de terra batida que nos pouparam algumas dezenas de quilómetros e nos presentearam com bonitas paisagens.
As estradas nº 586 e 54 levaram-nos assim a Stykkishólmur, na Península de Snaefellsnes, onde chegamos cerca das 20.00h, mesmo a tempo de uma tour que já tínhamos combinado com o Harbour Hostel, onde iríamos ficar a dormir essa noite. Mas antes de dormir ainda fomos fazer um tour no crepúsculo da Islândia!
A tour na Península de Snaefellsnes é um circuito de cerca de 2 horas e meia de barco insuflável rígido pelo fiorde a norte da Península de Snaefellsnes, Breidarfjordur, e as suas inúmeras ilhotas, ricas em várias espécies de aves e exibindo diferentes formações de origem vulcânica, incluindo impressionantes colunas basálticas. Por ali o tempo estava melhor, e o sol espreitava por entre as nuvens.
É um passeio que realmente vale a pena na Península de Snaefellsnes, para se ter uma perspectiva próxima e única de uma área tão rica em vida animal e em termos morfológicos. É necessário, no entanto, agasalhar-se bem, ainda que a companhia forneça um fato isolador de corpo inteiro, pois a velocidade do barco por vezes cria uma corrente de ar bastante forte.

Regressados ao porto, o sol estava quase a pôr-se (eram 22.30h), podendo observar-se bonitas cores no céu a partir do farol da ilha de Súgandisey, acessível a partir do porto ali na Península de Snaefellsnes.
Mas para nós era tempo de regressar ao Harbour Hostel, convenientemente localizado junto ao porto na Península de Snaefellsnes, deixar as mochilas no quarto e ir preparar o jantar na cozinha bem equipada do hostel. Este é uma casa familiar, adaptada à recepção de hóspedes, e tem tudo o que o viajante precisa, numa atmosfera acolhedora. Gerido por uma simpática família que nos fez sentir em casa, este é um óptimo local para se ficar em Stykkishólmur alguns dias ou, como nós, servindo de base para explorar a península de Snaefellsnes, o que faríamos no dia seguinte.

Saímos de manhã cedo da vila de Stykkishólmur para explorarmos a península de Snaeffelsnes. Mais uma vez, teríamos de nos restringir a estradas asfaltadas, por isso o nosso plano era circundar a península de Snaeffelsnes, de este para oeste, de norte para sul, seguindo a estrada nº 574. Infelizmente não tínhamos muito tempo disponível, por isso teria de ser uma visita rápida pois nesse mesmo dia ainda teríamos de explorar outra zona do país, próximo da localidade de Reykholt. Uma exploração mais a fundo da península de Snaeffelsnes terá de ficar para uma próxima oportunidade.

Logo à saída de Stykkishólmur, na Península de Snaefellsnes, começam a notar-se os sinais do passado (e presente) vulcânico violento da península, como o campo de lava de Berserkjahraun. Foi ali na Península de Snaefellsnes que visitamos a quinta de Bjarnarhofn, onde se encontra um invulgar museu que detalha o processo de fermentação e cura de carne de tubarão, feito na própria quinta, juntamente com uma exposição de um barco e utensílios de pesca e caseiros. No final, podemos experimentar esta delícia local, assim como observar uma barraca exterior onde a carne de tubarão (pescado no inverno) seca ao ar livre. O cheiro não é muito agradável, mas a visita é muito interessante. Ainda deu para fotografarmos alguns belos cavalos da quinta, cortesia do simpático dono.
Seguimos em direcção à cidade de Grundarfjordur, situada numa bela baía na Península de Snaefellsnes, e vigiada pelo Kirkjufell, um monte cónico e fotogénico, e que é um dos símbolos da Islândia. Mas a verdade é que o tempo cinzento não ajudava às fotos…

Passadas as localidades de Ólafsvik, Rif e Hellissandur, entramos no Parque Nacional de Snaefellsjokull, na PPenínsula de Snaefellsnes, o pico vulcânico (1446m) que domina a península e que Júlio Verne tornou famoso ao transforma-lo no ponto de entrada nas entranhas da Terra das personagens de “Viagem ao Centro da Terra”.
Os campos de lava ali são fabulosos, situados directamente abaixo do vulcão, não enganando quanto à sua origem. Subimos à cratera de Saxhóll, com bonitas vistas quer para o lado do mar, quer para o vulcão, com o cimo escondido pelas nuvens na Península de Snaefellsnes.
Um pouca sul, caminhamos nas praias de areia negra de Dritvik e Djupalonssandur, e nas falésias enrugadas da costa da Península de Snaefellsnes. Na parte sul da Península de Snaefellsnes, a costa é ideal para passeios a pé, principalmente nesta zona dominada pelos campos de lava que se estendem até ao mar, passando por locais com nomes dignos do “Senhor dos Anéis”, tal como Londrangar.

Mais à frente, passamos pelo desvio para a estrada de montanha F570, que sobe em direcção ao vulcão. A cratera, agora coberta por um glaciar, é acessível em tours organizadas a partir de Arnarstapi, usando snowmobiles, mas não tínhamos tempo. Mais uma aventura adiada na Península de Snaefellsnes!
Tínhamos mesmo de seguir caminho, em direcção à cidade de Borgarnes, já fora da Península de Snaefellsnes. Seria ali que passaríamos a próxima noite, e seria a nossa base para explorar as redondezas. Ficamos alojados na Borgarnes Bed & Breakfast, uma guesthouse situada no término da Península de Snaefellsnes onde se situa a cidade, bem junto às águas do fiorde.
Uma casa antiga, bem conservada, pintada de branco por fora, e recheada no interior de mobília requintada, é gerida pela dona sexagenária e pela sua filha, que nos deram as boas-vindas e nos instalaram num quarto no rés-do-chão, com uma vista fantástica sobre o pátio por trás da casa, com o mar praticamente a bater à porta. Fenomenal!
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A cozinha super equipada e organizada (ao estilo nórdico) permitiu-nos fazer o jantar, comendo na sala com vista para o mar. De manhã, a dona presenteia os hóspedes com um pequeno-almoço divinal (incluído no preço), onde a qualidade e sabor competem com a diversidade e quantidade. Delicioso!
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A Borgarnes B & B é assim o local ideal para se descansar após uma viagem pela península de Snaefellsnes, mas também uma base privilegiada para quem quiser fazer o percurso inverso, explorando a península de sul para norte. Para nós serviu ainda de ponto de partida para a exploração da região de Reykholt (40 km a nordeste de Borgarnes). Mas isso fica para outra crónica…
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