A Pérsia foi um dos grandes impérios da Antiguidade, sendo que no seu auge a Pérsia foi o maior império do mundo à época. As várias dinastias reinantes da Pérsia estenderam-se durante séculos, originando impérios que rivalizaram com a Babilónia, os Romanos e os Bizantinos. Embora o império da Pérsia tenha tido como base o actual território do Irão (dando até nome ao próprio país), a verdade é que a expansão da Pérsia para ocidente fez com que a Mesopotâmia e o Crescente Fértil também ficassem sob o domínio da Pérsia durante longos períodos históricos. Sendo assim, é possível visitar lugares históricos no Iraque relacionados com a Pérsia, como Ctesifonte, uma das antigas capitais do grande império, e Hatra, um reino árabe disputado entre os impérios Romano e da Pérsia.
CONTEÚDOS DO ARTIGO
Na nossa viagem pelo Iraque, pudemos visitar os mais importantes lugares históricos relacionados com a história da Pérsia no território iraquiano, nomeadamente a antiga capital do império, a cidade de Ctesifonte, a poucos quilómetros de Bagdad, e as ruínas de Hatra, capital de um reino árabe conquistado pela Pérsia, e que é provavelmente o conjunto arqueológico mais impressionante do Iraque.
Após a queda da Babilónia, seguir-se-ia a ocupação da Mesopotâmia pelo império da Pérsia. O império Aqueménida, fundado por “Ciro, o Grande” (559 – 530 a.C) e com capital em Persépolis, e expandido por Xerxes I (486 – 465 a.C.), que invadiu a Grécia e saqueou Atenas, era o maior império da Terra na época. O império da Pérsia assentava numa forte táctica militar e respeito pelas diversas culturas reunidas sob seu domínio, sendo famosa a libertação dos judeus da Babilónia por Ciro.
O Rei Artaxerxes I (465 – 424/423 a.C) mudou a capital da Pérsia de Persépolis para Babilónia, mas a Pérsia tinha um tamanho que não era fácil de governar e as lutas internas eram um cancro que não parou de crescer no século seguinte. O domínio da Pérsia na Ásia Central seria interrompido pelas conquistas de Alexandre, o Grande, dos Árabes e dos Mongóis, mas a Pérsia ressuscitaria nos reinos Parta, Sassânida, e Samânida, terminando por fim no reinado Safávida, em 1722.
Alexandre III da Macedónia, mais tarde conhecido como Alexandre, o Grande, acabaria por invadir e conquistar a Pérsia, tomando Persépolis em Janeiro de 330 a.C. Alexandre apoderou-se do tesouro real e permitiu aos seus homens saquear a cidade, o que não tinha acontecido em Babilónia e em Susa. Depois do saque, Alexandre ordenou que se incendiasse o palácio de Xerxes I, consumando a vingança pela destruição da Acrópole pela Pérsia, cento e cinquenta anos antes.
Depois da sua conquista da Pérsia e incursão pela Ásia até à Índia, Alexandre escolheria a Babilónia, antiga capital da Pérsia, como refúgio e local de descanso, mas seria ali onde viria a morrer, pensa-se envenenado. Depois da morte de Alexandre, em 323 a.C., o império da Pérsia fragmentou-se em diversos impérios menores, dos quais o mais importante foi o Império Selêucida, sendo a Mesopotâmia governado pelos generais de Alexandre e seus descendentes até meados do século II a.C., com a cidade de Selêucia como capital regional da Pérsia.
Os Selêucidas seriam sucedidos pelo Império Parta, que governaria a Pérsia e a Mesopotâmia até ao século III d.C., e seria nessa altura que a mítica Rota da Seda nasceria como veio de transmissão comercial até à China. A última dinastia da Pérsia a governar a Mesopotâmia seria o Império Sassânida, que durante mais de 400 anos seria uma potência da Ásia Ocidental e Central, juntamente com o Império Romano/Bizantino. Finalmente, em meados do século VII d.C., a Mesopotâmia e a Pérsia seriam conquistadas pelos árabes, iniciando a islamização do Médio Oriente e da Ásia Central, e a alteração da sua cultura até aos dias de hoje.
A cerca de 35 km de Bagdad ficam as ruínas de Ctesifonte, aquela que foi outrora uma das capitais da Pérsia, nos impérios parta e sassânida, servindo como capital de Inverno e, juntamente com a cidade vizinha de Seleûcia, constituía uma verdadeira metrópole da Antiguidade, descrita pelo geógrafo grego Estrabão, sendo conhecidas pelos árabes simplesmente como “as cidades”, ou “al-Madain”.
Desse período, resta a única estrutura que pode ser vista hoje, as ruínas de Taq Kasra, ou Arco de Ctesifonte, o que resta do que foi o palácio real da capital da Pérsia. Não se conhece com certeza a data do palácio (em princípio, século III d.C.), mas o arco de entrada do palácio é considerado um marco da história da arquitectura, sendo considerado o maior arco sem suporte do mundo até ao tempos modernos.
A cidade de Ctesifonte foi capturada cinco vezes pelo império romano, sendo que acabaria por ser definitivamente conquistada pelos exércitos islâmicos do Califado Rashidun, em 637. Após a tomada de Ctesifonte pelos árabes, o palácio real foi usado como mesquita, mas depois abandonado, aquando da fundação de Bagdad como capital do Califado Abássida, tendo muitos dos seus tijolos sido usados na construção de palácios em Bagdad. Ctesifonte permaneceria esquecida até meados do século XIX, quando a fachada do palácio foi redescoberta, ainda com os dois lados (um deles seria destruído numa cheia em 1888). Era um testemunho da glória da antiga capital da Pérsia.
Hoje, Ctesifonte é um sítio arqueológico da Pérsia no Iraque a não perder, mesmo às portas de Bagdad. Em frente ao Arco de Ctesifonte, Saddam Hussein mandou construir a “Panorama Tower”, para relembrar aos iranianos (durante a guerra Irão-Iraque) que os árabes tinham conquistado a Pérsia e que isso iria acontecer novamente (o que não se verificou). Hoje, a “Panorama Tower” é um edifício completamente vandalizado, após a invasão dos EUA em 2003, fruto da raiva popular anti-Saddam.
Hatra é, provavelmente, a maior surpresa arquitectónica e arqueológica do Iraque, para quem visita do exterior e até para os habitantes do Iraque. Localizado a 290 km de Bagdad e a 110 km de Mossul, este sítio arqueológico é Património da UNESCO desde 1985 mas esteve durante vários anos inacessível devido à presença do Estado Islâmico na região. As notícias de que o Estado Islâmico teria destruído completamente as ruínas de Hatra, tal como tinha sido feito com as ruínas de Nimrud (onde maquinaria pesada foi usada para destruir por completo os edifícios), felizmente não se confirmaram. Hatra continua a ser, assim, um testemunho do passado quando a Pérsia governava a Mesopotâmia.
Hatra foi capital de um pequeno reino árabe na Mesopotâmia, e os mais antigos registos que mencionam Hatra datam do primeiro século da nossa era. Hatra tinha uma posição estratégica, entalada entre os impérios romano e da Pérsia. Hatra esteve quase sempre sob a influência do império da Pérsia, sendo que constituía o extremo ocidental do império parta. Para além disso, Hatra fazia parte das rotas de caravanas, sendo uma paragem da mítica Rota da Seda na Pérsia.
Hatra era importante também do ponto de vista religioso, sendo que o complexo religioso da cidade, correspondente aquilo que se visita nas ruínas, incluía templos dedicados a Shamash (ou Utu, deus sumério do Sol), Nergal (deus acádio e assírio-babilónico da guerra) e Hermes (deus grego e mensageiro dos deuses). O templo de Maran, com as suas enormes colunas e salões, é ainda hoje a principal visão das ruínas.
A planta da cidade de Hatra era circular, como eram as cidades da Pérsia Parta, sendo rodeada por muralhas interiores e exteriores, as quais são visíveis do topo dos edifícios, e que protegeram a cidade de vários perigos e invasões, tanto do lado do império romano como do império da Pérsia. A história de Hatra seria precisamente determinada pelas tensões entre o império romano e o império da Pérsia, sendo que Hatra sobreviveria a dois cercos de imperadores romanos (Trajano e Septimius Severo) e a um cerco do império da Pérsia em 238, mas acabaria por ser conquistada e destruída pela emergente dinastia Sassânida da Pérsia, em 241.
Hoje, as ruínas de Hatra são das mais impressionantes da Mesopotâmia e do Iraque e da Pérsia. Fruto da benevolência das areias do deserto que as esconderam até ao início do século XX, e de um restauro no regime de Saddam Hussein, podemos hoje ter acesso a uma cidade da Pérsia em pleno Iraque. Recuperada a região pelas forças iraquianas, em Abril de 2017, o trabalho recomeçou agora nas ruínas de Hatra, sob a alçada de uma equipa de arqueólogos italianos, que fez um levantamento do estado das ruínas dessa cidade da Pérsia, e Hatra pode agora voltar a ser visitada, ainda que com medidas restritas de segurança.
Apesar de algumas marcas deixadas pelo conflito em Hatra, como buracos de tiros em algumas paredes, cartuchos ainda no chão e a destruição de estátuas e representações de rostos (fruto do ódio do Estado Islâmico a todas as representações de pessoa e deuses pré-islâmicos, como é o caso da Pérsia), a verdade é que as ruínas de Hatra sobreviveram a mais um teste do tempo e continuam a deslumbrar todos aqueles que as visitam. Apesar de não termos tido permissão para fotografar ou filmar em alguns locais dentro das ruínas (por exemplo, perto do trabalho das escavações arqueológicas), Hatra ficará na nossa memória para sempre como um dos conjuntos arqueológicos mais impressionantes que já vimos e uma bela imagem que terá sido a glória da Pérsia na Mesopotâmia.
Bem-vindos ao Viajar entre Viagens! Junte-se a esta comunidade e subscreva a nossa newsletter mensal. Uma vez por mês irá receber um email com todas as novidades do blogue e das redes sociais, tais como novos artigos, viagens, projectos e vídeos no youtube.
Irá receber um email com um link para confirmar a sua subscrição.
Reserve o hotel no Booking.com e encontre as melhores promoções. Reserve e cancele sempre que necessitar.
Marque os seus bilhetes nos monumentos e tours, evitando filas usando o Get Your Guide.
Reserve os seus voos com a Skyscanner. Garanta os melhores preços.
Alugue carro usando o Discover Cars, comparando e escolhendo o melhor preço antes de viajar.
Faça seguro de viagem na Iati Seguros ao menor preço do mercado e com seguros especializados para viajantes. Se usar este link gozará de 5% de desconto.
Se procura viagens de mergulho, encontre as melhores opções no LiveAboard.
Usamos o cartão WISE para levantar dinheiro em viagem sem taxas. Se usar este link, poderá pedir o seu cartão.
Veja todo o equipamento fotográfico e gadjets que usamos no nosso perfil no site da Amazon. A lista individual do equipamento que levamos em viagem pode consultar aqui. .