Está a pensar visitar Gante na Bélgica? Pensa visitar Gante desde Bruxelas? Pretende visitar Gante ida e volta de Bruxelas? Quer saber o que não pode mesmo deixar de visitar em Gante? Então este artigo é mesmo para si. Gante é uma cidade encantadora e que merece ser visitada.
CONTEÚDOS DO ARTIGO
Saímos de Bruxelas de manhã bem cedo a caminho de Gante num dos outros dias em que estivemos em Bruxelas. Apanhámos o comboio cedo para Gante para aproveitar bem o dia em Gante. O comboio demora cerca de 30 minutos entre Bruxelas e Gante. Neste artigo vamos mostrar-lhe tudo o que deve visitar em Gante e como organizar o seu dia na cidade de Gante, inclusive dicas detalhadas para chegar a Gante.
No início do século XII, na Alta Idade Média, uma revolução social dava os seus primeiros passos. O comércio começava gradualmente a tomar o lugar de principal força motriz da sociedade na Europa Ocidental. E a Flandres, e em particular Gante (em holandês e alemão, Gent, e em francês, Gand), estavam no epicentro dessa revolução, sendo o comércio de têxteis a actividade fulcral.
Importando lã da Inglaterra, e exportando os tecidos para toda a Europa, os artesãos e mercadores de Gante geriam um negócio florescente. No século XI, Gante floresceu e, até ao século XIII, foi a segunda maior cidade europeia, logo atrás de Paris. Gante foi, na realidade, a primeira zona industrial da Europa.
Os artesãos de Gante começaram a organizar-se em corporações de ofício (guildas), pondo em prática a ideia de que a união faz a força. Defendiam os seus membros, regulamentavam o processo produtivo, fixavam os preços, e controlavam a qualidade das mercadorias. Mas foi na arena política e social de Gante, mais do que económica, que a revolução se deu.
O aumento da eficiência, a procura crescente, e o aumento de produção, levaram a um crescimento dos lucros e a uma acumulação de capital nunca antes vista na história da humanidade. Uma nova classe social nascia em Gante, a burguesia, e a sua luta de afirmação viria a transformar o panorama social e político para sempre.
Conscientes de que as relações comerciais eram vitais para o seu negócio e estatuto, os burgueses de Gante começaram a pôr em causa o estatuto dos nobres governantes, quando as decisões destes punham em causa os seus interesses.
As rotas mercantis ligavam o norte da Europa com a Inglaterra e o sul da Europa, e era imperativa uma boa relação entre a Flandres e a Inglaterra, algo que nem sempre acontecia devido aos conflitos permanentes entre a Europa continental e Inglaterra. Aliado a esta questão, outra se levantava. Os impostos pagos pelas cidades, e o pouco retorno que os mercadores sentiam por parte de quem os cobrava, levou a uma escalada de conflitos entre mercadores de Gante e a nobreza reinante.
Estes conflitos, aliados à Guerra dos Cem Anos, entre a França e Inglaterra, levaram a um declínio de Gante e a uma gradual transferência do poder económico e social do eixo Gante-Bruges para Antuérpia-Bruxelas. A machadada final no período áureo de Gante foram os conflitos religiosos dos finais do século XVI, anunciada pela Reforma de Calvino, e atingindo o auge em rebeliões iconoclásticas.
A Gante calvinista sofreria uma derrota às mãos de Filipe II, de Espanha, um católico devoto e filho sucessor de Carlos V, e os protestantes seriam perseguidos implacavelmente. No início do século XVII, no entanto, a Espanha, sofrida a derrota da Armada Invencível e sobrecarregada pelos custos de múltiplas frentes, perderia o seu domínio sobre a Flandres, e a Holanda emergia como uma potência europeia. Gante tinha então mergulhado num profundo declínio.
No entanto, o empreendedorismo dos homens de negócios de Gante não tinha morrido, e a cidade de Gante renasceria das cinzas, tendo sido a primeira da Europa continental a aderir à revolução industrial, recuperando parte de sua indústria têxtil, e sendo apelidada de “Manchester do continente”. Hoje, Gante continua a ser um centro industrial e universitário, mas o turismo começa a afirmar-se como uma das correntes dominantes na economia da cidade de Gante.
A história da cidade de Gante fez do seu núcleo histórico um dos mais belos da Europa, com edifícios históricos e um imponente castelo medieval, igrejas centenárias, e, claro, os sempre presentes canais, vias vitais para a sua economia, mas também um elemento essencial na beleza que atrai os visitantes a Gante.
Gante fica a uma distância muito confortável de Bruxelas, permitindo uma visita de um só dia a partir da capital da Bélgica. À partida, preferiríamos passar uma noite em Gante, mas como estávamos numa “escapadela” de um fim-de-semana, o tempo era curto e resolvemos fazer de Bruxelas a nossa base. Saímos de Bruxelas de manhã, e chegámos a Gante de comboio por volta das dez da manhã.
A estação de caminho-de-ferro Gent-Sint-Pieters está localizada relativamente perto do centro histórico da cidade de Gante, por isso deslocámo-nos até lá apanhando um eléctrico (3€/pessoa), seguindo pela Korte Meer, e saindo no centro da cidade de Gante.
A seguir apresentamos, por ordem, o nosso percurso pela cidade de Gante e o que consideramos mais importante visitar em Gante.

Saímos do eléctrico em Gante entre o Belfort e a St. Niklaaskerk. O primeiro é um dos edifícios mais emblemáticos da cidade de Gante, e resolvemos subir ao seu topo para ter uma visão global da cidade de Gante, com a luz do sol da manhã. Passando por uma exposição sobre a construção dos carrilhões, chega-se ao cimo e a vista não decepciona. Não é aconselhável a quem tem vertigens! Depois de descermos, entrámos ainda na St. Niklaaskerk de Gante, com uma bela arquitectura, tanto exterior, como interior.
Seguimos até ao Korenmarkt, a praça de Gante que foi outrora o mercado de cereais da cidade, e hoje dominada pelas esplanadas e cafés. Seguindo pela Koren Munt, acompanhámos a linha do eléctrico até à pequena ponte (Vleeshuisbrug) sobre o rio Leie, tendo uma vista fabulosa nos dois sentidos, em especial para o lado da ponte Grasbrug. Dali seguimos pela Pensmarkt, e depois junto ao rio, até chegarmos à ponte Grasbrug em Gante. Ali, volta-se a ter uma vista privilegiada sobre a cidade e o rio, com casas características, construídas pelas guildas ou por mercadores ricos de Gante.
Graslei é uma das ruas mais bonitas da cidade de Gante, acompanhando a margem do rio, e, onde era o porto medieval da cidade, encontram-se casas de guildas muito bem conservadas. Atravessámos o rio em St Michiels, e voltámos para trás, novamente em direcção a Grasbrug.
O dia estava lindo, frio, mas com um céu azul e um sol reconfortante. As casas de Gante brilhavam à luz do sol e o seu reflexo nas águas do rio formava um cenário perfeito.
Mais à frente, encontrámos uma das atracções da cidade de Gante, o imponente Het Gravensteen, a antiga Casa dos Condes da Flandres. Não visitámos o seu interior, mas o seu exterior é impressionante. Grossas paredes erguem-se junto ao rio, por trás de um fosso, dominando aquela parte da cidade de Gante.
Data do século XII (com partes do século XIV), mas sofreu uma profunda renovação após ter sido usado como fábrica de algodão no século XIX. Parece um castelo de um conto de fadas em Gante.
Dali, voltamos à margem do rio, em Kraanlei, e seguimos para o bairro de Patershol, um conjunto de estreitas vielas e que foi recuperado da degradação na década de 80, e hoje é uma das zonas mais elegantes da cidade de Gante, com restaurantes, lojas e bares.
Foi ali que decidimos parar para almoçar, no restaurante Amadeus, o primeiro de uma cadeia que se espalhou pelo país, famosa pelas suas costelinhas acompanhadas de um molho delicioso, e pela decoração tradicional dos seus restaurantes. Foi “all you can eat” (17.5€/pessoa) e ficámos inteiramente satisfeitos, pela qualidade e quantidade! A repetir…
De barriga cheia, era imperativo caminhar em Gante. Encaminhámo-nos então em direcção ao Vrijdagmarkt, o fórum público da cidade de Gante, onde a população se encontrava. Hoje realiza-se ali o mercado de Sexta-Feira, e daí o seu nome. Mais à frente, encontra-se a St-Jacobskerk e depois seguimos pela Belfortstraat, passando pela Stadhuis, a camara municipal, alojada num palácio renascentista.
Chegados à St-Baafsplein, restava-nos visitar a St-Baafskathedraal, a catedral gótica da cidade de Gante. Para além dos elementos arquitectónicos, e da cripta da catedral de Gante, pode admirar-se, numa das capelas laterais, uma das obras mais emblemáticas da história da pintura, “A Adoração do Cordeiro Místico” (também conhecido como o “Retábulo de Gante”), de Jan van Eyck, que em 1432 mostrou, pela primeira vez, o domínio e potencial da técnica da pintura a óleo.
O retábulo consiste em doze painéis, sendo que os painéis laterais são pintados em ambos os lados, dando duas perspectivas diferentes consoante se encontram abertos ou fechados. Os painéis superiores mostram Deus, a Virgem Maria e São João Batista, anjos, e Adão e Eva, enquanto os painéis inferiores mostram a adoração do Cordeiro de Deus, sangrando para um cálice.
A sua importância histórica foi amplificada pela sua história conturbada, tendo sido escondido aquando da fúria iconoclástica do século XVI, durante as duas grandes guerras, e roubado pelos franceses durante a revolução e pelos nazis em 1940, tendo regressado a Gante em 1946.
Diz-se que os nazis acreditariam (qual “Indiana Jones e a Grande Cruzada”) que nele se escondia um mapa para o Santo Graal. Coincidência, ou divina providência, o painel inferior original à esquerda foi roubado em 1934, nunca tendo sido encontrado, e impedindo os nazis de terem acesso à totalidade da obra. Uma obra de visita imperdível em Gante (infelizmente não era possível fotografar o original, por isso fotografámos uma réplica em tamanho reduzido).
Dali, apanhámos novamente o eléctrico (3€/pessoa) de volta à estação ferroviária de Gante. Estava na altura de regressar a Bruxelas, e estávamos plenamente satisfeitos. Gante tinha superado as nossas expectativas e constitui uma visita obrigatória para quem visita a Bélgica, nem que por apenas alguns dias.
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Alexandra says:
Adorei o post, vou a Gante e Bruges em novembro e estou com duvida na passagem do trem de Bruxelas até lá, me tira uma duvida, essa passagem é fácil de comprar na hora? Pelo site da ferrovia não encontro as datas, estou com medo de ficar sem as passagens… rs
Carla Mota says:
É fácil de comprar na hora, tranquilo.
Ana Matos says:
Bom dia Carla,
Vou à Bélgica em Dezembro. É apenas uma escapadela de 2 dias e meio para aproveitar o mercado de natal. No entanto, gostava de ir um dia a uma outra cidade. Vou ter base em bruxelas. Fiquei indecisa entre Bruges e Gent. Qual me aconselhas?
Obrigado
Carla Mota says:
No Natla talvez Brugges. É mais compacta e deve ser mais bonita nessa altura do ano.
Mani Cirqueira says:
Amei o post. Farei questão de ir nesse restaurante recomendado por vocês.
Carla Mota says:
vai amar!
flavio rocha says:
Valiosas informações , visitarei a bélgica em outubro. Venham conhecer o Brasil também , abraços, Flávio.
Carla Mota says:
Obrigada, Fábio. Um dia vamos sim.
Luís says:
Olá parabéns pelo blog que serve de ajuda para quem gosta de viajar. Vou estar em Bruxelas dois dias. Um para conhecer Bruxelas e outro estou dividido entre Gant e Bruges. Pelo que tenho lido Bruges vence, mas pelo que tenho visto em fotos e formado opinião acho Gant mais interessante. O que me aconselham obrigada
Carla Mota says:
E se fizesse meio dia numa e meio dia na outra? É cansativo mas pode ser uma opção. Se tiver que escolher, eu escolhia Bruges.
Catarina Santos says:
Ola carla, muito bom este seu blogue irei este fim de semana para bruxelas (2dias e meio) e pensei no sábado visitar gant e bruges, sendo assim, quais oa sitios de ambas que aconselhas visitar tendo em conta que o tempo é mais restrito? Obrigado!
Carla Mota says:
Eu fazia apenas uma das cidades.
Rafael says:
Ola, tudo bem?
Pois então, falo do Brasil e tive a sorte de encontrar o Blog de vocês. Queria somente elogiar a profundidade do conteúdo e as belas fotos.
Estou começando um Blog de viagens, embora direcionado a um público mais jovem (penso eu, hahaha). Busquei inclusive aqui algumas inspirações para o conteúdo que estou produzindo sobre Gent. Farei uma menção ao Blog de vocês quando publicar o artigo.
Gostaria de saber se vocês estão em alguma rede social a exemplo do facebook ou instagram, procurei aqui na página mas possivelmente fugiu aos meus olhos.
Parabens pelo conteúdo e um forte abraço!!
Carla Mota says:
Temos instagram e temos facebook. Basta pesquisar o nosso nome. Vai adorar.
Ana says:
Para quem tem pouco tempo,em quantas horas é possível visitar Gante? Obrigada.
Carla Mota says:
Em pelo menos de 5 horas, diria.
FILOMENA LIMA says:
Obrigada, já está anotado para breve. Gostei mesmo muito do roteiro pois abranje mesmo tudo que eu tinha em mente. Ah e as dicas são fantásticas!
Carla Mota says:
Obrigada, Filomena. 😀 Boa viagem.
MARIA CEZIRA FANTINI NOGUEIRA MARTINS says:
Muito bom esse roteiro! Parabéns!
Carla Mota says:
Obrigada 😀